<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813</id><updated>2012-02-12T22:30:16.469Z</updated><category term='férias'/><category term='conversas'/><category term='eles e o pai'/><category term='coisas do passado'/><category term='nós os dois'/><category term='música'/><category term='coisas giras'/><category term='informação'/><category term='passeios'/><category term='aniversários'/><category term='eles e a mãe'/><category term='nós os quatro'/><category term='natal'/><category term='o mais velho'/><category term='maluqueiras minhas'/><category term='neve'/><category term='coisas da língua'/><category term='os blogues e eu'/><category term='coisas só minhas'/><category term='estórias minhas'/><category term='eles os dois'/><category term='coisas para rir'/><category term='coisas bonitas'/><category term='filmes'/><category term='coisas do tempo'/><category term='coisas deliciosas'/><category term='revista virtual etc'/><category term='coisas do coração'/><category term='Inglaterra'/><category term='poesia'/><category term='escola'/><category term='os nossos dias'/><category term='coisas do trabalho'/><category term='culinária'/><category term='amigos meus'/><category term='saudade'/><category term='fazer com as mãos'/><category term='eles e os primos'/><category term='as minhas conversas com deus'/><category term='coisas de mulheres'/><category term='coisas do amor'/><category term='coisas do arco da velha'/><category term='coisas de mãe'/><category term='momentos difíceis'/><category term='coisas do mundo'/><category term='o mais novo'/><category term='micronarrativas'/><category term='livros'/><category term='pensamentos meus'/><category term='coisas das estrelas'/><category term='divagações'/><category term='parto'/><title type='text'>far far away</title><subtitle type='html'>papuinlondon@gmail.com</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1767</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4664269453658467375</id><published>2012-02-02T09:46:00.000Z</published><updated>2012-02-02T09:46:37.877Z</updated><title type='text'>Abaixo de zero</title><content type='html'>O ar está frio. Tenho eletricidade estática nos braços. Sinto-a arrepiar-me a pele, ao mesmo tempo que a envolve numa espécie de halo. O meu filho levou duas camisolas interiores, uma delas térmica, ou as duas, já não sei, e dois casacos. O mais velho não quis camisola interior e só um casaco. Eu se pudesse hibernava até Março, quando as flores começarem a despontar. Mas depois há os minutos que escorrem lentos, as horas que se quedam e os dias a correr. Os dias que nos fazem mais velhos, ou não. Quanto dias faltam para me sentir outra vez eu? Talvez não seja esta a pergunta, porque afinal, nunca fui eu mesma como agora, que conheço, ou começo a conhecer, a minha história. Sim, é fundamental conhecermos a história, não a do mundo, mas a nossa. A do mundo não passa de uma fábula; a nossa, ainda que enfeitada ou deformada, e ainda que confabulada, é o que nos define. Quantos dias, portanto, para que consiga, finalmente, ser eu mesma, conciliar as duas metades e tornar-me numa só? Não há nada mais cansativo do que uma vida dupla. Mata-nos, definha-nos, enfraquece-nos, e, acima de tudo, convence-nos da impossibilidade de sermos felizes, torna-nos reféns do medo. O medo pode ser um poderoso aliado, apenas quando não nos submetemos a ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4664269453658467375?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4664269453658467375/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4664269453658467375&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4664269453658467375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4664269453658467375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2012/02/abaixo-de-zero.html' title='Abaixo de zero'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6604505234881294514</id><published>2012-01-21T16:20:00.000Z</published><updated>2012-01-21T16:20:16.075Z</updated><title type='text'>Papu</title><content type='html'>Ver o meu nome, Papu, escrito no último livro do José Luís Peixoto, &lt;i&gt;Abraço&lt;/i&gt;, é muito estranho. Não é só estranho, é também imcompreensível. Apesar de saber que não é a mim que se refere, sou incapaz de ver estas quatro letras juntas, papu, sem me ver a mim própria. O meu nome. Não me lembro de ter outro. Não me lembro sequer da história que a minha mãe conta, eu a repetir estas duas sílabas incompreensíveis de cada vez que ela me pedia que dissesse o meu nome. Sempre fui a Papu. Em casa e na escola. Muito pouca gente me chamava pelo meu nome verdadeiro. Eu era a Papu e não havia outra criança no mundo que se chamasse Papu. Podia haver duas Martas, três Marias, quatro Margaridas, mas nunca duas Papus, muito menos três ou quatro. Quando chegaram os livros do Papu já eu deixara a primária. Os meus livros da primária foram o tu e eu, o escadote, o Romeu, e não me consigo lembrar dos outros. Lembro-me dos livros do Papu na monta da Ulmeiro, na Avenida do Uruguai, e de dar graças por já não estar na primária e ter sido poupada à humilhação que seria estudar por um livro com o meu nome, mas onde esse nome era o de um rapaz. Como é que alguém podia pensar que Papu era um rapaz? Só podia ser um engano, porque Papu só havia uma no mundo e era eu. Esta palavra de quatro letras, que eu aprendi a desenhar muito depois de as saber dizer, é o meu nome. Não sei porquê. Mas é assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6604505234881294514?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6604505234881294514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6604505234881294514&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6604505234881294514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6604505234881294514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2012/01/papu.html' title='Papu'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6980157140124208397</id><published>2011-12-16T23:35:00.000Z</published><updated>2011-12-16T23:35:42.359Z</updated><title type='text'>No limbo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: justify; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;br /&gt;Há um ponto preciso, nos músculos do pescoço, que dói com o movimento da cabeça. Não qualquer movimento, nem todos; apenas certos movimentos. Como se a dor se aconchegasse e desfizesse em determinados gestos, e se agudizasse e gritasse noutros. Os gestos, no entanto, diferem apenas na trajetoria espacial. A intensidade e a intenção não parecem interferir com a presença ou ausência de dor. A dor está assim, ao que parece, instalada em determinada localidade, uma geografia gestual precisa que a acorda e alimenta. Uma geografia corporal que determina, a cada passo, qual o terreno dorido, qual o terreno doloroso, e qual o terreno neutro. A diferença entre os dois primeiros não é assim tão óbvia: o terreno dorido é aquele que foi pisado e massacrado e, portanto, desenvolveu uma espécie de imunidade à dor, onde apenas germina uma moinha insignificante; o terreno doloroso é aquele que não pode ser pisado de qualquer maneira, pois mesmo o mais leve toque desperta dores muito antigas, feridas há muito enterradas e que ainda sangram em segredo debaixo da terra, ou seja, debaixo da pele. E como se distinguem os dois? A verdade é que não há distinção. O que acontece é que a moinha de um se torna, de súbito, na faca aguda de outro. Ou seja: vamos aguentando a moinha, com paciência e persistência, vamos dizendo que não é nada, vamos andando, seguindo em frente, às vezes mais devagar, outras mais depressa, e um belo dia, um simples gesto, como baixarmo-nos para subir as calças quando estamos sentados na sanita, é demasiado, a sensibilidade atingiu o ponto de saturação e os músculos protestam, sentimos o gume da faca num ponto inpreciso das costas e a dor aguda, localizada; no segundo a seguir desce-nos pela coluna e aloja-se nos rins. A partir daí, instala-se a sensibilidade permanente. Determinados movimentos são acompanhados da mesma dor lacinante. Tentamos reproduzi-los ao mínimo. Reduzi-los a zero é de todo impossível. Passa um dia, dois, e a dor subiu para os músculos do pescoço. Parece espalhar-se pelo corpo, como uma infeção viral. Cruzar a perna, por exemplo, torna-se um exercício de masoquismo. Inspira-se fundo e faz-se uma careta enquanto os rins protestam energicamente. Sentar e levantar também exige uma disciplina severa. E os gestos quotidianos tornam-se, assim, de um dia para o outro, janelas para uma outra dimensão, aquela que o corpo há muito abandonou, um sofrimento que ficou inscrito em cada célula como um carimbo, uma memória que não sabemos de onde vem. O corpo contorce-se e a cabeça procura a resistência da contenção, porque o espetáculo da dor é sempre demasiado, e teima em parecer despropositado, por mais que já lhe tenhamos percorrido os trilhos escondidos e os outros, os mais evidentes. As pessoas lutam para não serem prisioneiras da própria dor, a maioria das vezes só se deixam levar por ela com a desculpa da dor alheia, porque será que as telenovelas têm tanto êxito? Choramos à frente de um ecrã a dor que deveríamos chorar dentro do peito. A nossa própria vida, com os fracassos e os sucessos, espelhada à nossa frente, e o espelho é mágico, ainda por cima. Os telejornais acabam por ter o mesmo efeito, nós é que ainda não percebemos. Porque é que insistimos em noticiar desgraças? Sem elas o que seria de nós? No dia em que terminarem com o espetáculo da desgraça alheia a humanidade entrará verdadeiramente em crise. Se é que me faço entender.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6980157140124208397?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6980157140124208397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6980157140124208397&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6980157140124208397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6980157140124208397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/12/no-limbo.html' title='No limbo'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6429164478992412670</id><published>2011-12-15T11:58:00.000Z</published><updated>2011-12-15T11:58:05.842Z</updated><title type='text'>Situações caricatas</title><content type='html'>Blogues como&lt;i&gt; A Livreira Anarquista&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;Pó dos Livros&lt;/i&gt;, para além de muito interessantes, fazem-nos soltar gargalhadas pelas situações caricatas que descrevem, onde habitualmente sobressai a ignorância da freguesia. Pois enquanto lia alguns desses &lt;i&gt;posts&lt;/i&gt; hilariantes veio-me à memória uma situação igualmente caricata que se passou comigo, mas ao contrário: tinha eu cerca de 14 anos quando li o &lt;i&gt;Cão e os Caluandas,&lt;/i&gt; do Pepetela, e como tivesse adorado, resolvi ler os livros todos dele. Ora um dos primeiros, ou o primeiro, já não me recordo (&lt;i&gt;Mayombe&lt;/i&gt;) foi impossível de encontrar, e acabei por ler um exemplar que um familiar me emprestou. Corri inúmeras livrarias, todas em centros comerciais (lembro-me de ter ido ao Fonte Nove e ao Alvalade, pelo menos), e de cada vez que perguntava pelo livro as pessoas olhavam para mim como se estivesse a pedir que me vendessem um elefante com asas. Mas o mais surreal foi uma das empregadas, que se virou para um outro empregado, perguntando: &lt;i&gt;Olha lá, temos o Pepetela do Mayombe?&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6429164478992412670?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6429164478992412670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6429164478992412670&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6429164478992412670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6429164478992412670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/12/situacoes-caricatas.html' title='Situações caricatas'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-439572958876319981</id><published>2011-12-13T20:04:00.001Z</published><updated>2011-12-13T20:06:54.682Z</updated><title type='text'>Jogo</title><content type='html'>Não me importo nada que as pessoas me achem burra. Até gosto. De me fazer de parva. É tipo jogar à defesa. Melhor dizendo, é um ataque disfarçado de defesa. A arma é precisamente a nossa suposta estupidez. Ela faz com que as pessoas nos subestimem. Olham-nos e pensam, que parva, coitada, vê-se mesmo que anda às aranhas, que não sabe do que está a falar. E isso fá-las sentir superiores, conhecedoras. Fá-las sentir em pleno domínio da situação. Elas, as espertas, as visionárias, as brilhantemente inteligentes, que sabem analisar uma situação tendo em conta todas as perspetivas possíveis, e nós, as atrasadas mentais, as mentecaptas, as idiotas, que só vemos o que temos à frente do nariz, e nunca seremos capazes de dois raciocínios seguidos sem tropeçar. Elas conseguem ver aquilo que nós, coitadas, não vemos, e portanto possuem uma carta na manga, um terceiro olho, uma clarividência que lhes permite usar-nos, e à nossa estupidez, para sua soberba. São aquelas pessoas que não resistem a mostrar-nos, sempre de viés, como a nossa visão é limitada, pequenina, insignificante, e como a delas, pelo contrário, é ampla, rica, visionária. Aquelas pessoas que gostam de pôr os outros para baixo, para depois os calcarem com os pés e subirem mais alto. Só que cometem um erro crasso: subestimam-nos, precisamente porque nos acham parvinhas, ingénuas, estupidazinhas (e nós a lamber o prato). E, como tal, baixam a guarda. Sentem-se à vontade. Mostram-nos, ainda que sem disso se aperceberem, os pontos fracos, deixam calcanhares, tornozelos e outras ossaturas sensíveis a descoberto. Ao pé de um bobo, ninguém tem pudor de se despir, pois não? Nem de falar de mais, dizendo o que não deve. Acham que nos topam, e esse é o erro crasso, porque jamais põem em dúvida a qualidade do seu próprio julgamento. Burras, coitadas. Mas convencidas que a sabem toda. E nós, as parvas, as idiotas, deixamo-las pensar que somos isso mesmo, para que façam o seu número e baixem a guarda. Mostram-nos tudos, as gorduras demasiadas, as podridões infectas, as águas sulfurosas, e nós sempre com aquele ar aparvalhado, de quem não é nada consigo, ingénuas, aluadas, fingindo indiferença, ignorância. Deixamo-las inchar, como um pavão, só pelo gozo de nos rirmos delas, sem que disso suspeitem. Nem que lhe vemos perfeitamente a careca, as rugas, as mentiras mesquinhas com que se enfeitam. Julgam que nos enganam, e nós a gozar o prato. O conhecimento daquilo que os outros ignoram, mas estão convencidíssimos que sabem, é sem dúvida a melhor arma para os desarmar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-439572958876319981?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/439572958876319981/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=439572958876319981&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/439572958876319981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/439572958876319981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/12/jogo.html' title='Jogo'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7556959520098252064</id><published>2011-12-07T16:38:00.002Z</published><updated>2011-12-07T16:55:36.886Z</updated><title type='text'>Laughing Out Very Loud</title><content type='html'>Um tipo qualquer do Islão acha que as mulheres não deviam poder tocar em pepinos nem bananas, pois a sua forma fálica pode suscitar-lhes pensamentos pecaminosos... Será que este fulano leu Freud? Porque senão o manancial de objetos com potencial para nos despertar a líbido aumentaria assustadoramente, e talvez fosse melhor então nem nos levantarmos da cama. Isto para não dizer que a cama, por si só, também... pois. Teríamos de arranjar assim uns retiros, tipo vampiros, como caixões e outros recantos mórbidos; se bem que os caixões, os caixões, também são assim para o comprido e tal... Bom, deixando-me de delírios, penso eu de que, não se lembrou ele das garrafas, das colheres de pau, dos cabos das vassouras, das esfregonas, do cano do aspirador, do piaçá... eu quando vejo uma vassoura dão-me assim uns calores, a vocês não? Até que não caía nada mal, uma lei que proibisse as mulheres de utilizar este tipo de utensílios domésticos. Venha ela!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7556959520098252064?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7556959520098252064/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7556959520098252064&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7556959520098252064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7556959520098252064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/12/laughing-out-very-loud.html' title='Laughing Out Very Loud'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-5214056331182345011</id><published>2011-12-05T17:17:00.001Z</published><updated>2011-12-05T17:20:37.274Z</updated><title type='text'>Uma questão cromática</title><content type='html'>Às vezes não se diz nada, simplesmente porque não há nada para dizer. De outras vezes, há tanto para dizer, e esse é o problema, porque o muito que haveria para dizer não pode ser dito. O resultado é o mesmo, mas o sítio onde nos encontramos é precisamente o oposto. Dois silêncios, dois irmãos; um branco, o outro, negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a metáfora é unicamente uma questão cromática.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-5214056331182345011?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/5214056331182345011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=5214056331182345011&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5214056331182345011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5214056331182345011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/12/uma-questao-cromatica.html' title='Uma questão cromática'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4378945543489332429</id><published>2011-11-21T12:43:00.001Z</published><updated>2011-11-21T13:07:07.356Z</updated><title type='text'>Fora de jogo</title><content type='html'>Há alguns anos atrás, quando se encontrava sentada à volta da mesa e rodeada de pessoas que falavam animadamente, era usual ser a única que permanecia calada o tempo todo. Hoje em dia, acontece-lhe o mesmo, tantas vezes: abre a página do FB, vê as atualizações dos muitos amigos e outros tantos conhecidos, e fica-se por aí. Não comenta, não laica, não chata, não nada. O ruído à sua volta é mais que suficiente. Prefere o silêncio de quem está fora de jogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4378945543489332429?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4378945543489332429/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4378945543489332429&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4378945543489332429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4378945543489332429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/11/fora-de-jogo.html' title='Fora de jogo'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-8500047967731259172</id><published>2011-11-15T17:06:00.000Z</published><updated>2011-11-15T17:06:38.992Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o mais novo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas de mãe'/><title type='text'>Wondering</title><content type='html'>O mais novo, que já faz 9 anos em Fevereiro, e que ainda, de vez em quando, sai da cama a meio da noite e tateia o caminho até à cama dos pais, quase sempre a dormir em pé, pelo menos é o que parece; e que de outras vezes tem medo de estar no andar de cima sozinho, está que mal pode esperar pela viagem que vai fazer com a escola, onde vai passar uma semana fora de casa. De há uns tempos para cá que não fala de outra coisa. E a mãe, espantada (tanto de surpresa como de alguma preocupação), interroga-se (ficava melhor o inglês &lt;i&gt;wonder&lt;/i&gt;, que tanto dá para nos interrogarmos como para nos maravilharmos) e pensa que, também ela, ainda tem muito que crescer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-8500047967731259172?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/8500047967731259172/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=8500047967731259172&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8500047967731259172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8500047967731259172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/11/wondering.html' title='Wondering'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3461907411058338530</id><published>2011-11-12T00:12:00.000Z</published><updated>2011-11-12T00:12:22.102Z</updated><title type='text'>Sorriso fossilizado</title><content type='html'>Ela olhou para mim e faltaram-me as palavras. Há qualquer coisa nela, nos olhos talvez, que me rouba o à vontade; qualquer coisa que sempre me deixa dividida entre a vontade de ficar, abraçar o momento, e de fugir. Acho que daria uma boa personagem. A cara, magra, angulosa, e os olhos pretos, escavados, fazem-na parecer uma bruxa. Uma bruxa das estórias para crianças, ou pelo menos aquilo que imaginamos quando pensamos numa bruxa de carne e osso. Também daria uma madrasta má bastante convincente. Isto porque os olhos guardam um brilho cruel que se adivinha multifacetado para lá do visível. Aqueles olhos poderiam levar-nos ao inferno, ou a qualquer lugar remoto onde o sofrimento se instalasse sem demoras nem vagares. E porém, ao segundo olhar, apercebemo-nos do engano. Não, não é apenas crueldade que mora neles; talvez até a crueldade mais não seja do que a frieza à superfície das águas. Sim, olhando melhor vemos a liquidez de uma tristeza infinita, um choro contido que não tem fim. Talvez por isso o seu melhor sorriso sempre me tenha constrangido, como se ele, o seu sorriso, fosse um cachecol que ela usasse num dia tórrido, de uma cor impossível, que não combinasse com nenhuma outra. Um sorriso mentindo descaradamente, colado ao rosto contra a vontade. O brilho dos olhos divorciado da boca rasgada, aberta, de cantos para cima. O rosto, contudo, poderia ser infinitamente belo no momento em que transbordasse, por fim, toda a tristeza contida em poços de água lodosa. Transformada em água límpida, verter-se-ia no olhar que, por fim, seria verdadeiro. E assim aquele sorriso, de tristeza a boiar nos olhos, seria lindo, e puro, e infinitamente doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois estremeci. Seria o meu, também, um sorriso falso, postiço, que só pudesse habitar as lágrimas? Um animal aquático incapaz de respirar o ar e pousar o pé em terra firme, para sempre perdido por terrenos aquosos de mágoas, águas que nunca estancam, incansáveis, eternas, imutáveis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria o meu sorriso um fóssil marinho encontrado por engano em terreno inóspito, o meu rosto, de terra seca, infértil, no interior recôndito de um país longínquo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria de escavar, desenterrar antigos estratos geológicos de períodos mortos com nomes impronunciáveis para o encontrar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3461907411058338530?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3461907411058338530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3461907411058338530&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3461907411058338530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3461907411058338530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/11/sorriso-fossilizado.html' title='Sorriso fossilizado'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-8791344072510325273</id><published>2011-11-11T11:28:00.000Z</published><updated>2011-11-11T11:28:09.488Z</updated><title type='text'>Falta de imaginação</title><content type='html'>A professora mostra-nos alguns dos melhores trabalhos de arte, belíssimos, feitos pelos alunos, para que sirvam de inspiração e modelo para o trabalho futuro. Mais tarde, o meu filho queixa-se de que não tem imaginação para fazer coisas assim, que tem sempre de tirar as ideias de algum lado. Eu sorrio enquanto penso que a imaginação é tímida; talvez necessite mais da obscuridade do que da luz, para se manifestar. E, além disso, parece-me, não há nada mais imaginativo do que pensar que nos falta a imaginação. Daria uma boa estória. &lt;i&gt;O rapaz que não tinha imaginação, &lt;/i&gt;ou&lt;i&gt; o rapaz sem imaginação&lt;/i&gt;. Talvez a escreva qualquer dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-8791344072510325273?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/8791344072510325273/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=8791344072510325273&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8791344072510325273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8791344072510325273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/11/falta-de-imaginacao.html' title='Falta de imaginação'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3156894807403508876</id><published>2011-11-03T23:41:00.000Z</published><updated>2011-11-03T23:41:45.525Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6WzQjQBCvQI/TrMmVQtlkNI/AAAAAAAACBQ/S965tMx3X8M/s1600/3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-6WzQjQBCvQI/TrMmVQtlkNI/AAAAAAAACBQ/S965tMx3X8M/s1600/3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3156894807403508876?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3156894807403508876/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3156894807403508876&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3156894807403508876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3156894807403508876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/11/blog-post_228.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-6WzQjQBCvQI/TrMmVQtlkNI/AAAAAAAACBQ/S965tMx3X8M/s72-c/3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-8688136936230885448</id><published>2011-11-03T23:35:00.001Z</published><updated>2011-11-03T23:35:57.815Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-MNaMBm7iUuw/TrMlN-MHCaI/AAAAAAAACBI/EKjwj5yeueI/s1600/6.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-MNaMBm7iUuw/TrMlN-MHCaI/AAAAAAAACBI/EKjwj5yeueI/s800/6.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-8688136936230885448?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/8688136936230885448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=8688136936230885448&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8688136936230885448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8688136936230885448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/11/blog-post_03.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-MNaMBm7iUuw/TrMlN-MHCaI/AAAAAAAACBI/EKjwj5yeueI/s72-c/6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-5742381532508809065</id><published>2011-11-02T13:56:00.002Z</published><updated>2011-11-02T14:01:19.990Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-LeHpbqIOT0s/TrFMLBu9mOI/AAAAAAAACAw/t1xF2sKaSAs/s1600/317476_2104310004471_1147121617_31782203_1490111124_n.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-LeHpbqIOT0s/TrFMLBu9mOI/AAAAAAAACAw/t1xF2sKaSAs/s800/317476_2104310004471_1147121617_31782203_1490111124_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-5742381532508809065?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/5742381532508809065/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=5742381532508809065&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5742381532508809065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5742381532508809065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/11/blog-post_2292.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-LeHpbqIOT0s/TrFMLBu9mOI/AAAAAAAACAw/t1xF2sKaSAs/s72-c/317476_2104310004471_1147121617_31782203_1490111124_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6491070223446946938</id><published>2011-11-01T18:22:00.002Z</published><updated>2011-11-01T18:23:23.756Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xqjQgKuPTo4/TrA5AoT71iI/AAAAAAAAB_s/SC6KiEWIyQQ/s1600/4.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-xqjQgKuPTo4/TrA5AoT71iI/AAAAAAAAB_s/SC6KiEWIyQQ/s800/4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6491070223446946938?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6491070223446946938/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6491070223446946938&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6491070223446946938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6491070223446946938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/11/blog-post_01.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-xqjQgKuPTo4/TrA5AoT71iI/AAAAAAAAB_s/SC6KiEWIyQQ/s72-c/4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7259052008732622646</id><published>2011-10-31T20:37:00.000Z</published><updated>2011-10-31T20:37:54.352Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estórias minhas'/><title type='text'>Excerto</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT;"&gt;Estamos deitados numa cama; ou melhor, eu estou, porque ela é como se não existisse, ou só existisse a sua voz. Estou então na cama com a voz de uma mulher. A voz de uma puta. Uma puta que apenas fala comigo. Não a vejo, não lhe sinto o corpo; só a voz. E penso: sou o único homem que conhece a voz desta puta. Os outros apenas a fornicam (nas palavras dela), e para isso não se usa a voz (isto já sou eu a pensar). Sou o único homem a quem ela dá a voz. Aos outros dá o corpo. Ou nem isso, segundo ela. Não, meu menino (não sei porquê, insiste em chamar-me assim). Uma puta não dá o corpo, nem sequer o vende. Uma puta despe o corpo, assim como se despisse um trapo velho, gasto, usado; depois atira-o à cara do cliente, atira-o para cima do homem que se julga o maior porque vai foder uma puta, e diz-lhe (sem usar a voz, como é evidente): toma lá essa merda, lambe-a, morde-a, mija-te nela, bate-lhe, atira-a à parede, arrasta-a na lama, cospe-lhe em cima, vá, dá-lhe, rasga-a, vem-te para dentro dessa merda. Come-a. Quando tudo acaba, a puta toma o corpo de volta (a camisola suja, rasgada, peçonhenta), lava-a com paciência e carinho (sim, diz o veludo da voz dela ao meu ouvido, há um carinho, uma ternura, um resto de alma que nunca se nos despega deste corpo, aquele que usamos e jogamos em cima da besta), e veste-a de novo, com vagar, com cuidado, quase com emoção, enquanto, ao espelho, vai contando os buracos. Depois é só remendar, disfarçar, mascarar o pano velho e gasto, debotado: e para isso há aqueles pós mágicos, os cremes, as cores vivas que nos devolvem ao rosto a graça que nunca tivémos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT;"&gt;O quê? Queres saber o quê? O que sentimos? Não sentimos nada, pá! Ah, isso. Em que é que pensamos enquanto eles nos fornicam?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT;"&gt;Claro que pensamos. Dá para pensar imenso, às vezes até cansa. Sei lá! Em tudo. E em nada. Olha, o melhor seria perguntares, para onde é que vais, e não em que é que pensas. Sim, porque é isso que acontece: vou ali já venho. Então, despimos o corpo, o casaco, a camisola, atiramo-lo para cima do gajo, e ala, aí vamos, podemos ir fumar um cigarro enquanto pensamos na vida, ou fazer as unhas, arranjar o cabelo, se estamos mais inspiradas, essas coisas que vocês acham fúteis. Não digas que não. Os homens arranjam lá o cabelo! Os homens vão ao barbeiro, que é para não haver cá confusões. Fazer a barba, pois, que é de homem, pêlos na cara e no peito e essas tretas. E depois, se por acaso, e só por acaso, reparam que o cabelo está assim a precisar de ser aparado, ou desbastado, então vamos a isso, já que ali estão, faz-se o jeito. Aparado, hã, cortado não, muito menos arranjado. Isso são mariquices de cabeleireiro. O quê? Já há cabeleireiros para homens? Olha, eu cá nunca ouvi falar. Esses galos que aqui vêm não vão ao cabeleireiro. Está bem, se tu dizes eu acredito. Mas o quê? O que é que faço mais? Olha, faço contas. Pois, contas à vida. Uma puta também tem contas para pagar, ó se tem. Isto não é como nos filmes, em que as putas são sempre ricas e poderosas, ou então resgatadas por algum príncipe, como naquele filme da Julie Roberts. Às vezes também faço palavras cruzadas. Ou a lista das compras. Olha que é mesmo estúpido, mas lembro-me sempre do que tenho de comprar nessa altura, e depois esqueço-me. Sim, quando estou mesmo a fazer a lista já se me varreu. Estás-te a rir? A memória é puta como eu. Quando somos novas está tudo nos trinques, mas depois os anos não perdoam... Vai-se tudo abaixo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT;"&gt;Às vezes, muito às vezes, dou um mergulho no mar. Assim um mar azul turquesa, calmo como uma piscina, numa praia de areias brancas e coqueiros ao fundo. Geralmente não me deixo levar muito por estes devaneios porque senão deprimo-me, e depois é uma merda. Mas adoro nadar. Tu também? Já somos dois. Ah! Ah! Acho que dissémos ao mesmo tempo, não foi? Já não casamos hoje nem morremos amanhã. Era o que eu e os meus irmãos costumávamos dizer em crianças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT;"&gt;Para que queres tu que te conte de quando era criança?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT;"&gt;(É assim que fala a voz da puta ao meu ouvido.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7259052008732622646?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7259052008732622646/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7259052008732622646&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7259052008732622646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7259052008732622646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/excerto.html' title='Excerto'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1199483124580905918</id><published>2011-10-29T21:55:00.000+01:00</published><updated>2011-10-29T21:55:01.041+01:00</updated><title type='text'>Restos</title><content type='html'>Olhava em volta, e só via restos. Restos do jantar de ontem. Restos de espuma na banheira. Cabelos nos ralos. Restos de luz no vidro da janela. Réstias outonais, folhas castanhas em desalinho. Teias de aranha pelas paredes, nos tetos, aos cantos. Restos de porcaria na alcatifa. Depois censurava-se. Não, não se martirizava; calava-se. Calava o grito e o desejo de gritar. Falar em turbilhão, cuspir as palavras, vomitá-las; falar falar falar até encontrar a voz. A voz antes do medo. A voz antes do desastre. A voz antes de o mundo ter desabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz, e os restos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1199483124580905918?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1199483124580905918/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1199483124580905918&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1199483124580905918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1199483124580905918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/restos.html' title='Restos'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2413596132040128497</id><published>2011-10-28T00:25:00.000+01:00</published><updated>2011-10-28T00:25:43.251+01:00</updated><title type='text'>Uma escolha</title><content type='html'>Então ela pôs-lhe a faca nas mãos e disse-lhe, vais fazê-lo tu. Vais cortar os dedos, um a um, e não vais soltar um grito nem uma lágrima. Depois chamo uma ambulância e vamos para o hospital, e lá cuidarão do resto. Vais dizer-lhes que foste tu a fazê-lo, e não estarás a mentir. Quando voltarmos para casa, vais continuar a viver e a fazer tudo o que fazias antes, como se ainda tivesses dedos. Vais fingir que não se passou nada, entendes? Vais continuar como até aqui, e não quero ouvir um lamento. Vamos pôr uma pedra em cima do assunto. Quero ver-te sorrir, como se tudo estivesse igual. Vai estar tudo igual. Nada vai mudar. Entendeste tudo? Porque senão, já sabes as consequências. Eu vou deixar de te amar. O que é que escolhes? O meu amor, ou os dedos da mão?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2413596132040128497?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2413596132040128497/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2413596132040128497&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2413596132040128497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2413596132040128497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/uma-escolha.html' title='Uma escolha'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6678816756210825796</id><published>2011-10-25T11:10:00.001+01:00</published><updated>2011-10-25T11:12:02.311+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img alt="" border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-KbVa1npKuvo/TqaLIS6WnpI/AAAAAAAAB_g/-ixzGULI2hY/s800/IMG_0148-1.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6678816756210825796?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6678816756210825796/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6678816756210825796&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6678816756210825796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6678816756210825796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/blog-post_1457.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KbVa1npKuvo/TqaLIS6WnpI/AAAAAAAAB_g/-ixzGULI2hY/s72-c/IMG_0148-1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3715038750735716716</id><published>2011-10-14T12:19:00.000+01:00</published><updated>2011-10-14T12:19:22.794+01:00</updated><title type='text'>Mais poesia (2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6378/1148/1600/flores.0.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="320" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6378/1148/320/flores.0.jpg" width="312" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;(imagem retirada da net)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhamos na estrada do tempo sem olhar para trás.&lt;br /&gt;Atiramos pedras ao rio sem as ver cair.&lt;br /&gt;Ateamos flores nos caminhos e deixamos o sol aceso&lt;br /&gt;para as matar.&lt;br /&gt;Andamos sem pés,&lt;br /&gt;bebemos de um trago o elixir das horas mortas.&lt;br /&gt;Nas horas mais difíceis, acendemos a televisão&lt;br /&gt;e morremos de tédio&lt;br /&gt;ou de um tiro de canhão.&lt;br /&gt;Nas horas vagas contamos carneirinhos,&lt;br /&gt;cortamos as mãos em copos de vinho.&lt;br /&gt;Nas horas do amor acendemos corpos abandonados,&lt;br /&gt;gememos fúrias nas bocas esmagadas.&lt;br /&gt;Mas esquecemos as mãos na poça de vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3715038750735716716?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3715038750735716716/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3715038750735716716&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3715038750735716716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3715038750735716716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/mais-poesia-2.html' title='Mais poesia (2)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6347927339469714088</id><published>2011-10-13T21:08:00.001+01:00</published><updated>2011-10-13T21:08:45.408+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-WcVCTebh1XA/TpdFNZ0bmPI/AAAAAAAAB_U/bqt4vc9sJ_w/s800/314871_2054327314935_1147121617_31743192_395804311_n.jpg" /&gt;&lt;div style='clear:both; text-align:NONE'&gt;&lt;a href='http://picasa.google.com/blogger/' target='ext'&gt;&lt;img src='http://photos1.blogger.com/pbp.gif' alt='Posted by Picasa' style='border: 0px none ; padding: 0px; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: initial; -moz-background-origin: initial; -moz-background-inline-policy: initial;' align='middle' border='0' /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6347927339469714088?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6347927339469714088/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6347927339469714088&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6347927339469714088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6347927339469714088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/blog-post_5401.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-WcVCTebh1XA/TpdFNZ0bmPI/AAAAAAAAB_U/bqt4vc9sJ_w/s72-c/314871_2054327314935_1147121617_31743192_395804311_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7472270656005785787</id><published>2011-10-13T21:01:00.001+01:00</published><updated>2011-10-13T21:02:15.410+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img alt="" border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-mo0U1J0-OxI/TpdDtmieIaI/AAAAAAAAB_I/uKzXSF7l2zs/s800/300947_2054323234833_1147121617_31743186_2119811199_n.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7472270656005785787?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7472270656005785787/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7472270656005785787&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7472270656005785787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7472270656005785787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/blog-post_438.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-mo0U1J0-OxI/TpdDtmieIaI/AAAAAAAAB_I/uKzXSF7l2zs/s72-c/300947_2054323234833_1147121617_31743186_2119811199_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-8050787786684192509</id><published>2011-10-13T20:59:00.001+01:00</published><updated>2011-10-13T21:00:01.059+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img alt="" border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-CosmbXmmGaM/TpdDKUHvdsI/AAAAAAAAB-8/82IUBrBZQ5o/s800/307451_2054318074704_1147121617_31743180_1599718928_n.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-8050787786684192509?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/8050787786684192509/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=8050787786684192509&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8050787786684192509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8050787786684192509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/blog-post_8520.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-CosmbXmmGaM/TpdDKUHvdsI/AAAAAAAAB-8/82IUBrBZQ5o/s72-c/307451_2054318074704_1147121617_31743180_1599718928_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6026353653491372451</id><published>2011-10-13T20:50:00.001+01:00</published><updated>2011-10-13T20:55:46.463+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img alt="" border="0" height="640" src="http://4.bp.blogspot.com/-D3fskDSYqcY/TpdBB7NvqpI/AAAAAAAAB-w/4ypjGsGRpK4/s800/303088_2054328954976_1147121617_31743195_2097391343_n.jpg" width="800" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6026353653491372451?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6026353653491372451/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6026353653491372451&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6026353653491372451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6026353653491372451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/blog-post_13.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-D3fskDSYqcY/TpdBB7NvqpI/AAAAAAAAB-w/4ypjGsGRpK4/s72-c/303088_2054328954976_1147121617_31743195_2097391343_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1969499397104541373</id><published>2011-10-13T20:45:00.001+01:00</published><updated>2011-10-13T21:09:03.692+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img alt="" border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-7fU714fy3D4/Tpc_-AaWUVI/AAAAAAAAB-k/MhBoZKQfu5k/s800/298935_2054330995027_1147121617_31743197_1189435433_n.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1969499397104541373?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1969499397104541373/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1969499397104541373&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1969499397104541373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1969499397104541373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/blog-post.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-7fU714fy3D4/Tpc_-AaWUVI/AAAAAAAAB-k/MhBoZKQfu5k/s72-c/298935_2054330995027_1147121617_31743197_1189435433_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7449542600823832262</id><published>2011-10-12T13:36:00.000+01:00</published><updated>2011-10-12T13:36:17.506+01:00</updated><title type='text'>Só</title><content type='html'>O tempo ainda é incerto, mas hoje traz uma certeza que lhe enche o peito, juntamente com o ar. Apesar da garganta dorida e da cabeça a latejar ligeiramente, o dia pertence-lhe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7449542600823832262?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7449542600823832262/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7449542600823832262&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7449542600823832262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7449542600823832262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/so.html' title='Só'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6707096907599611964</id><published>2011-10-10T18:04:00.000+01:00</published><updated>2011-10-10T18:04:27.572+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o mais novo'/><title type='text'>Timidez celestial</title><content type='html'>O meu filho foi&lt;i&gt; star of the week&lt;/i&gt; e ficou envergonhado.&lt;br /&gt;(Eu sou igualzinha mas não digam a ninguém.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6707096907599611964?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6707096907599611964/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6707096907599611964&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6707096907599611964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6707096907599611964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/timidez-celestial.html' title='Timidez celestial'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7849770284319884357</id><published>2011-10-09T15:54:00.003+01:00</published><updated>2011-10-09T15:54:52.884+01:00</updated><title type='text'>Voltas voltas voltas e mais voltas</title><content type='html'>O tempo é incerto. Choveu durante a noite e a roupa molhou-se. Agora olha pela janela e tenta adivinhar a disposição das nuvens. Deveria antes dizer os humores das nuvens, disposição confunde-se facilmente com perspetivas espaciais. Dentro do corpo existe uma espécie de ameaça. Quase uma doença. Mas não, a ameaça, a antecipação do perigo, por vezes é pior do que o perigo em si. Ou não. Dentro do corpo enovela-se algo inominável. Às tantas não há espaço para a lucidez, para a serenidade, para respirar. Os novelos da angústia crescem em proporções despropositadas. Invadem, como um exército de sentinelas, os corredores estreitos da consciência e dos sonhos. Os sonhos não habitam a consciência, pertencem ao território nebuloso e constantemente mutável para lá dela, nos vales e nos abismos do insondável. Aqui a angústia pode-se expandir à vontade, sem constrangimentos. E multiplica-se, sem cessar. Até ao infinito. É aqui que ela tenta, sem êxito, circunscrevê-la à solidão sem portas do que lhe resta de antigos medos. Mas a angústia, além de daninha, é persistente. Insinua-se, contorce-se, despe-se, infiltra-se, goteja, corrói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo é apenas um. Não se pode dividir ao meio. A consciência também não. Não podemos separar-nos de nós mesmos, arrancar a metade doente e dizer-lhe, faz-te à vida, que a minha não levas. Não podemos despir aquilo de que não gostamos. Não podemos olhar para o braço e dizer, isto não sou eu. Nem para quem fomos ontem. Ou há trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos acontece então quando nos cortamos ao meio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntas de que não queria saber as respostas. As respostas são pesadas e têm picos e exigem um esforço constante. Há perguntas inocentes que despertam respostas pesadas como verdades esmagadoras. Perguntas de que não deveríamos guardas as respostas; antes livrarmo-nos delas, rapidamente e sem remorso. Porque elas não precisam de nós; não são crianças perdidas à procura de braços; é o remorso, o remorso de não saber a resposta certa; a resposta que porventura nos salvaria da confusão e da desilusão; a resposta mágica que reporia a ordem e a certeza no mundo; a resposta inexistente porque impossível, porque não há resposta, não existe tal possibilidade, a de que tudo ficará bem, e a de que o mundo volte a fazer sentido. Só deitando fora o remorso, e a culpa, e a impossibilidade; só vestindo a angústia, o tecido preto da angústia, e deixando o corpo livre debaixo dela; sussurrando-lhe as palavras, essas sim mágicas: não tenhas medo, este medo conheço-o eu, e não, não vai matar-te, o que te mata é a pena que tens de quem te deixou morrer sem um segundo de hesitação. E o remorso que te aprisiona é o mesmo que a tua raiva quer, à viva força, ter visto nos olhos que nunca tiveram nem coragem, nem dignidade, nem humanidade. Os mesmos que nunca te viram e te deixaram morrer sem um segundo de compaixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois o barulho do vento nas persianas confunde-se com o ruído da chuva e tudo volta ao princípio, quando existe a ilusão de que tudo está no seu devido lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7849770284319884357?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7849770284319884357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7849770284319884357&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7849770284319884357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7849770284319884357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/voltas-voltas-voltas-e-mais-voltas.html' title='Voltas voltas voltas e mais voltas'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4581443340896825322</id><published>2011-10-07T13:32:00.002+01:00</published><updated>2011-10-07T13:39:05.604+01:00</updated><title type='text'>Segurança</title><content type='html'>Nova rotura. Nova quebra. Nova perda? Não, não considero que seja uma perda. E há ganhos, também. Nestes oito meses fui abrindo portas e visitando lugares que há muito estavam esquecidos. Alguns quartos fechados, as mobílias cheias de pó e teias de aranha nos cantos. As portas custam a abrir. Muitas delas trancadas a sete chaves há décadas. Algumas, muitas, ficaram por abrir, e é isto que mais lamento, o saber que, agora, já não as chegarei a abrir, pelo menos aqui, contigo. Não estou a desistir nem a ser pessimista. As coisas têm uma continuidade, a confiança constrói-se. Passo a passo. E leva tempo. Leva muito tempo. O que construímos até aqui já não se apaga, claro; mas isso tinha um propósito, um objetivo, que era o de preparar o caminho, construir um edifício capaz de aguentar com os abanões, os altos e os baixos da descoberta. A descoberta nem sempre é excitante ou aliciante. Muitas das vezes é dolorosa, penosa, massacrante. Precisamos de nos conhecer e da serenidade que o conhecimento acarreta; porém, as águas agitam-se e o caudal aumenta, sentimos a enxurrada chegar, uma montanha furiosa que não dá tréguas, e sabemos que a serenidade não mora aqui, que nem sequer sabemos pronunciar tal palavra, porque foi coisa que nunca ninguém nos ensinou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que uma jangada para rasgar as águas, mais do que um porto onde chegar, precisamos da certeza de que não estamos sós no meio dessa tempestade; que alguém, ao nosso lado, nos dá força apenas no facto de estar ali. Uma testemunha silenciosa, ou não. Alguém que connosco caminha e, nesse gesto, nos dá um espaço de segurança que sabemos nosso. Um espaço onde sabemos poder voltar, sempre, indefinidamente, até dele precisarmos. E quando não precisarmos será apenas porque esse espaço terá sublimado as suas paredes e estará eternamente presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá, porém, tem de ser uma presença constante. Uma presença mais sentida na ausência, que é onde se sente realmente aquilo que se tem. Uma presença tão forte quanto ténue, porque sabemos que nada é certo nem eterno. Todavia, dentro da incerteza geral dos dias, este tempo tem de ser capaz de nos dar a ilusão da eternidade e do apoio constante. Sem isso não serve o seu propósito. Não resulta. Não vale a pena fazermos malabarismos emocionais, tentando convencer-nos de que depende da nossa vontade. Não depende. Nós não nos sentimos seguros porque nos apetece que assim seja, ou porque o queiramos muito; sentimo-nos seguros ou não. E quando os nossos sentidos nos dizem que não, não há nada a fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4581443340896825322?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4581443340896825322/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4581443340896825322&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4581443340896825322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4581443340896825322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/seguranca.html' title='Segurança'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3710159017684919950</id><published>2011-10-04T23:09:00.001+01:00</published><updated>2011-10-04T23:09:45.548+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Mais poesia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6378/1148/1600/heaven_overview.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6378/1148/320/heaven_overview.jpg" style="cursor: hand;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;(imagem retirada da net)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca gostei das coisas no lugar.&lt;br /&gt;Da monotonia de quem não&lt;br /&gt;cria.&lt;br /&gt;Das palavras doces&lt;br /&gt;de quem não grita.&lt;br /&gt;Dos olhos incrédulos&lt;br /&gt;de quem não chora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca gostei das coisas sempre iguais&lt;br /&gt;dia após dia&lt;br /&gt;nunca gostei desta máquina infernal&lt;br /&gt;de sorrisos em série&lt;br /&gt;palavras idiotas&lt;br /&gt;mascaradas&lt;br /&gt;de simpatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui suave.&lt;br /&gt;Nunca fui encantada.&lt;br /&gt;Nunca fui beijada&lt;br /&gt;por nenhum príncipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre acordei de noite com o medo na boca.&lt;br /&gt;Sempre me molhei na dor.&lt;br /&gt;Sempre me cortei&lt;br /&gt;nos pulsos&lt;br /&gt;da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3710159017684919950?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3710159017684919950/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3710159017684919950&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3710159017684919950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3710159017684919950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/mais-poesia.html' title='Mais poesia'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7439472464735897106</id><published>2011-10-04T10:06:00.000+01:00</published><updated>2011-10-04T10:06:01.896+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='as minhas conversas com deus'/><title type='text'>o meu santuário</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-d5xlWl-EUs0/TorLbIfjstI/AAAAAAAAB-c/MEfJ6MbYSAw/s1600/307324_2028503149347_1147121617_31724668_2071042430_n.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7439472464735897106?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7439472464735897106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7439472464735897106&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7439472464735897106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7439472464735897106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/o-meu-santuario.html' title='o meu santuário'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-d5xlWl-EUs0/TorLbIfjstI/AAAAAAAAB-c/MEfJ6MbYSAw/s72-c/307324_2028503149347_1147121617_31724668_2071042430_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7959202640398489516</id><published>2011-10-01T16:47:00.001+01:00</published><updated>2011-10-01T16:47:29.879+01:00</updated><title type='text'>Aprender a ler</title><content type='html'>Mais grave do que não saber ler, acho eu, é levar à letra tudo o que se lê, ou seja, não saber ler nas entrelinhas, ou ser completamente cego para as metáforas. Mais do que o outro, preocupa-me este tipo de analfabetismo. É que os primeiros podem sempre aprender a ler. Agora, estes, não raro, estão absolutamente convencidos da perfeição dos seus raciocínios e do seu ainda mais claro entendimento.&amp;nbsp;O&amp;nbsp;que&amp;nbsp;faz&amp;nbsp;com&amp;nbsp;que&amp;nbsp;a&amp;nbsp;coisa&amp;nbsp;tome&amp;nbsp;proporções&amp;nbsp;bíblicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(republish)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7959202640398489516?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7959202640398489516/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7959202640398489516&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7959202640398489516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7959202640398489516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/10/aprender-ler.html' title='Aprender a ler'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-5789301872137374902</id><published>2011-09-30T21:50:00.002+01:00</published><updated>2011-09-30T21:50:31.971+01:00</updated><title type='text'>Personal fiction 2</title><content type='html'>Há anos que minto compulsivamente. A compulsão permite o controlo da ansiedade. Através de um comportamento, desviamos a atenção da derrocada eminente. Tememos de tal maneira que o mundo desabe na nossa cabeça que dispendemos uma atenção permanente aos mais ínfimos sinais. Modo: alerta vermelho. Constante. E às tantas habituamo-nos, e quando percebemos uma acalmia aparente, desconfiamos. Se rimos, fazemo-lo para dentro, não vão as gargalhadas detonar o inevitável. E o inevitável, já sabemos o que é, já lhe vimos sentindo o cheiro há décadas; desde sempre; talvez desde o início, o lago primordial e amniótico. Esse parece ser o único refúgio digno do nome; o único lugar na terra onde podíamos fechar os olhos. E é para isso, para fechar os olhos, que enfeitamos a realidade. Mentimos. Afinal, sempre nos disseram isso mesmo: que os sapos se transformam em príncipes, que as criadas se transformam em princesas, que as bruxas acabam no fundo de um penhasco. Não custa nada alargar a fantasia, como quem baixa uma bainha, para nos conseguirmos enfiar lá dentro. E, depois de passajado, limpo a seco e engomado, ninguém nota que o tecido é falso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há anos que minto, portanto, para que o teto não me caia em cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esteja na hora de parar, e olhar para cima. Avaliar as traves do teto e decidir se vale a pena chamar um empreiteiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-5789301872137374902?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/5789301872137374902/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=5789301872137374902&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5789301872137374902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5789301872137374902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/personal-fiction-2.html' title='Personal fiction 2'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7870609838851431519</id><published>2011-09-30T10:13:00.001+01:00</published><updated>2011-09-30T10:13:29.955+01:00</updated><title type='text'>Personal fiction</title><content type='html'>Eu sou uma personagem de ficção. Inventei-me. Recriei-me. Não tinha idade suficiente para ver o que de bom e precioso tinha dentro de mim. As crianças são incapazes de reconhecer o mal à sua volta, sentem-no nas entranhas. O mundo ao seu redor é o seu mundo, o interior. Não gostei do que vi. Era demasiado feio, sinistro, cruel, terrível. Quis ser outra, portanto. Renascer. E inventei-me. O resto, podem adivinhar. É muito mais fácil, muito mais aliciante, viver na fantasia, do que na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade, porém, cobra. E com juros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7870609838851431519?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7870609838851431519/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7870609838851431519&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7870609838851431519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7870609838851431519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/personal-fiction.html' title='Personal fiction'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-717300858837085610</id><published>2011-09-29T14:57:00.001+01:00</published><updated>2011-09-29T14:57:16.486+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Poesia (5)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6378/1148/1600/palavras.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6378/1148/320/palavras.jpg" style="cursor: hand;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;(imagem retirada da net)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras que dizes são mentirosas&lt;br /&gt;Tão generosas, as palavras que calas&lt;br /&gt;Aflitas, as palavras que gritas&lt;br /&gt;Mudas, as palavras que ocultas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras com que encantas são falsas esperanças&lt;br /&gt;As palavras que murmuras são cristal&lt;br /&gt;As palavras que não ousas, tímidas, envergonhadas&lt;br /&gt;As palavras que resgatas, cúmplices, culpadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras que disparas são balas certeiras&lt;br /&gt;Palavras verdadeiras&lt;br /&gt;As palavras que incendeias são desespero&lt;br /&gt;As palavras que choras são paixão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras com que atas e desatas os nós furiosos da razão&lt;br /&gt;Palavras com que auscultas o coração&lt;br /&gt;Palavras com que corres fugindo de ti mesmo&lt;br /&gt;Palavras com que mordes o medo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuas, as palavras com que morres&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-717300858837085610?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/717300858837085610/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=717300858837085610&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/717300858837085610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/717300858837085610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/poesia-5.html' title='Poesia (5)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1313879646783905847</id><published>2011-09-28T14:06:00.002+01:00</published><updated>2011-09-28T14:06:48.787+01:00</updated><title type='text'>Poesia (4)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3653/2861/1600/shout14.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3653/2861/320/shout14.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;(imagem retirada da net)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazes a noite sumarenta na boca&lt;br /&gt;E estrelas encharcadas nos braços&lt;br /&gt;Trazes os passos mortos de cansaço&lt;br /&gt;Trazes os olhos húmidos de ventania&lt;br /&gt;Trazes a garganta inflamada de grilos&lt;br /&gt;E a voz abafada, escura, apedrejada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foges da multidão que te persegue&lt;br /&gt;No rasto do teu medo&lt;br /&gt;Trazes botas cardadas&lt;br /&gt;Com calcanhares de aço&lt;br /&gt;Trazes pedras esquecidas nos bolsos&lt;br /&gt;Trazes flores nos cabelos&lt;br /&gt;E almas perdidas nos becos da memória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazes o fio da história preso ao pescoço&lt;br /&gt;Trazes a vida embrulhada no fundo da mala&lt;br /&gt;Trazes livros, dezenas de livros&lt;br /&gt;Que nunca lerás&lt;br /&gt;Mas sabes de cor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preso ao teu sentir&lt;br /&gt;Por mil palavras amordaçadas&lt;br /&gt;Vais lançá-las do cimo do morro&lt;br /&gt;Vais lançá-las na multidão em chamas&lt;br /&gt;Que te aguarda, expectante&lt;br /&gt;Que te acusa, vigilante&lt;br /&gt;Que te resgata da solidão errante&lt;br /&gt;E tu, que não tens nome&lt;br /&gt;Vais gritar lá de cima&lt;br /&gt;Bem alto&lt;br /&gt;O nome do teu medo&lt;br /&gt;Escuridão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1313879646783905847?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1313879646783905847/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1313879646783905847&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1313879646783905847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1313879646783905847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/pesia-4.html' title='Poesia (4)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3329299673379697968</id><published>2011-09-27T09:48:00.001+01:00</published><updated>2011-09-27T09:48:25.443+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Poesia (3)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6378/1148/1600/geode.0.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6378/1148/400/geode.0.jpg" style="cursor: hand;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;(imagem retirada da net)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se o vento&lt;br /&gt;E a chuva&lt;br /&gt;Soubessem a sal.&lt;br /&gt;Nasce-me o sol por entre os dedos&lt;br /&gt;E dos lábios escorrega a malícia&lt;br /&gt;Sumarenta&lt;br /&gt;De uma uva.&lt;br /&gt;Estico os braços&lt;br /&gt;Na preguiça&lt;br /&gt;Felina e dormente&lt;br /&gt;Do meu ventre.&lt;br /&gt;Solto os lírios dos cabelos&lt;br /&gt;E novamente&lt;br /&gt;A chuva enche os rios&lt;br /&gt;Caudalosos&lt;br /&gt;Dos meus medos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3329299673379697968?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3329299673379697968/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3329299673379697968&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3329299673379697968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3329299673379697968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/poesia-3.html' title='Poesia (3)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3287974485556966639</id><published>2011-09-26T13:42:00.001+01:00</published><updated>2011-09-26T13:42:56.096+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Poesia (2)</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3653/2861/1600/behindbars.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3653/2861/320/behindbars.jpg" style="cursor: hand;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;(imagem retirada da net) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando o silêncio chegar&lt;br /&gt;eu serei apenas pássaro inquieto&lt;br /&gt;eternamente no rasto do teu voo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a mudez tomar conta de mim&lt;br /&gt;eu serei apenas um corpo quieto&lt;br /&gt;esquecido das maré-cheias&lt;br /&gt;do mar revolto nas veias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o gelo invadir a minha pele&lt;br /&gt;eu serei apenas fumo branco&lt;br /&gt;ao longe no horizonte&lt;br /&gt;e adivinharás casas, pessoas, vida&lt;br /&gt;adivinharás calor na planície árida e fria&lt;br /&gt;adivinharás cinzas adivinharás morte&lt;br /&gt;e guiarás os passos até ao norte&lt;br /&gt;de mim&lt;br /&gt;para me resgatares deste silêncio&lt;br /&gt;sem rosto nem fim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3287974485556966639?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3287974485556966639/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3287974485556966639&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3287974485556966639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3287974485556966639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/poesia-2.html' title='Poesia (2)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-5209991775005498718</id><published>2011-09-25T10:20:00.000+01:00</published><updated>2011-09-25T10:32:12.416+01:00</updated><title type='text'>Escolha</title><content type='html'>Tinha feito uma escolha. Cedo de mais para saber o que escolhia.&lt;br /&gt;Fora o medo a guiar-lhe os passos.&lt;br /&gt;Tivera de abandoná-la.&lt;br /&gt;Como a mãe que tomou a decisão de salvar primeiro a filha, quando o carro em que seguiam caiu ao rio. Quando as equipas de socorro chegaram já não foi possível salvar o filho.&lt;br /&gt;O rapaz era mais velho, mais forte, talvez por isso a mãe tenha optado por socorrer primeiro a filha. Talvez pensasse que ele se conseguisse desembaraçar sozinho, e ela não. Talvez.&lt;br /&gt;O que passará pela cabeça de uma mãe numa situação destas?&lt;br /&gt;Terá de viver para o resto da vida com a escolha que fez. Conseguirá perdoar-se?&lt;br /&gt;Conseguirá sobreviver?&lt;br /&gt;Também ela fez uma escolha. Optou por fechar a porta, e deixá-la do outro lado. À criança. À verdade.&lt;br /&gt;Mas o que é a verdade?&lt;br /&gt;Fechou a porta. Deixou-a lá. E agora?&lt;br /&gt;Talvez não seja tarde. Talvez desta vez as equipas de socorro cheguem a tempo.&lt;br /&gt;Não, essa parte de si não está morta. Ainda pode recuperá-la. Olhá-la nos olhos. Abraçá-la.&lt;br /&gt;Matá-la? Preparar-lhe o funeral com pompa e circunstância, discursar junto à lápide, festejando a sua libertação na morte?&lt;br /&gt;Que coisa mais disparatada.&lt;br /&gt;Fazem-lhe arrepios, essas almas iluminadas que prometem milagres empacotados. É só juntar água.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-5209991775005498718?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/5209991775005498718/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=5209991775005498718&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5209991775005498718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5209991775005498718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/escolha.html' title='Escolha'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3368428913958225132</id><published>2011-09-25T09:58:00.002+01:00</published><updated>2011-09-25T10:02:57.618+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Poesia do outro lado da lua</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3653/2861/1600/Make%20Joyful%20Noise.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3653/2861/320/Make%20Joyful%20Noise.jpg" style="cursor: hand;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;(imagem retirada da net)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu gritar&lt;br /&gt;lembra-te de secar as fontes&lt;br /&gt;da minha voz&lt;br /&gt;para que a água estanque&lt;br /&gt;e a corrente&lt;br /&gt;inverta o seu sentido&lt;br /&gt;líquido&lt;br /&gt;e retorne ao mar&lt;br /&gt;de onde nasceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu gritar&lt;br /&gt;lembra-te de inventar as palavras&lt;br /&gt;sem sentido&lt;br /&gt;as gargalhadas sem motivo&lt;br /&gt;os dedos brancos com que desfio&lt;br /&gt;a razão.&lt;br /&gt;Não te esqueças dos pássaros. Nem da luz.&lt;br /&gt;Não se faz amor de corpo vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu gritar&lt;br /&gt;estende apenas no chão&lt;br /&gt;o braço partido&lt;br /&gt;do eco da minha voz&lt;br /&gt;até ao infinito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3368428913958225132?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3368428913958225132/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3368428913958225132&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3368428913958225132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3368428913958225132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/poesia-do-outro-lado-da-lua.html' title='Poesia do outro lado da lua'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4398659927785670540</id><published>2011-09-21T12:59:00.000+01:00</published><updated>2011-09-21T12:59:20.213+01:00</updated><title type='text'>Curtas</title><content type='html'>O mais novo cortou os caracóis. Estava com uma cabeleira enorme. A mãe olhou os caracóis no chão do salão, e lembrou-se. Os cabelos caídos, descartados, ainda retêm o brilho de antes. Podia encher uma almofada. A mesma frase. Tantas vezes. O mais velho agora cozinha na escola. Cozeu massa, fritou bacon, picou cebola e tomate para um refogado, enquanto a mãe supervisionava e ajudava. No dia seguinte levou os ingredientes para a escola num saco de plástico. O mais novo tem natação às quartas e é por isso que cortou o cabelo. Quando se viu ao espelho disse que não gostava do cabelo assim tão liso. A mãe sorriu e disse-lhe que ele estava muito bonito, só ainda não estava habituado a ver-se sem os caracóis. De manhã, no recreio da escola, o amigo disse-lhe que ele estava muito bem assim. A mãe ouviu a conversa, um pouco afastada, e sorriu. Sorriu muito, até se riu. No recreio o filho mantém a distância. Quase nunca se esquece de lhe acenar quando entra, mas às vezes esquece-se. Já não há beijos em público, e mãos dadas só para atravessar a estrada. Depois tira a mão pequenina da dela, e caminha ao seu lado.&lt;br /&gt;O mais novo está a ficar mais velho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4398659927785670540?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4398659927785670540/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4398659927785670540&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4398659927785670540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4398659927785670540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/curtas.html' title='Curtas'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4043089670706346614</id><published>2011-09-17T19:39:00.001+01:00</published><updated>2011-09-17T19:39:59.546+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img alt="" border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-zsjFWagrA7k/TnTpbiHRrtI/AAAAAAAAB-A/6-LrBZ3qXac/s800/DSC02317.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4043089670706346614?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4043089670706346614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4043089670706346614&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4043089670706346614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4043089670706346614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/blog-post_5675.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-zsjFWagrA7k/TnTpbiHRrtI/AAAAAAAAB-A/6-LrBZ3qXac/s72-c/DSC02317.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-8365977786271014619</id><published>2011-09-17T19:37:00.001+01:00</published><updated>2011-09-17T19:37:30.768+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img alt="" border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-39peKNVznFw/TnTo2WfCYHI/AAAAAAAAB94/I9u47-uMqs4/s800/DSC02309.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-8365977786271014619?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/8365977786271014619/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=8365977786271014619&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8365977786271014619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8365977786271014619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/blog-post_17.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-39peKNVznFw/TnTo2WfCYHI/AAAAAAAAB94/I9u47-uMqs4/s72-c/DSC02309.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1926701846733627081</id><published>2011-09-17T19:35:00.001+01:00</published><updated>2011-09-17T19:35:59.270+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img alt="" border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-ndyrbqcT61M/TnToWWV7JlI/AAAAAAAAB9w/YyL2ZH3OZtQ/s800/DSC02312.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1926701846733627081?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1926701846733627081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1926701846733627081&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1926701846733627081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1926701846733627081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/blog-post.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ndyrbqcT61M/TnToWWV7JlI/AAAAAAAAB9w/YyL2ZH3OZtQ/s72-c/DSC02312.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6301176386928868508</id><published>2011-09-04T01:07:00.000+01:00</published><updated>2011-09-04T01:07:21.852+01:00</updated><title type='text'>Basta</title><content type='html'>Gosto de gelados, de praia, do verão. Não gosto de ter os pés frios, nem de bróculos, nem de óculos espelhados. Gosto da neve. Não gosto do degelo nos polos. Gosto de animais, mas fora de casa. Não gosto de música aos berros, de sapatos apertados ou de cerveja. Gosto de andar descalça. Não gosto de me expor. Gosto de nadar, de andar, de deixar andar. Não gosto de correr, nem de sofrer, nem de temer. Ou tremer. Gosto do por do sol, das cores do arco-íris, de céus sem limite. Não gosto de andar de avião. Mas ando. Também não gosto de andar de metro. E só não ando porque, por enquanto, não preciso. Gosto de andar de comboio, e de barco. Gosto de andar de baloiço. Gosto de dormir, e de acordar cedo. Também gosto de dormir, e de acordar tarde. Gosto de não fazer nada. E detesto não saber o que fazer. Não gosto de correrias. Gosto da calma, do silêncio, da tranquilidade. Adoro o som de um regato a correr. Gosto de um bom filme. E não gosto de filmes maus. Bullshit. Gosto de dizer palavrões, mas não gosto que os meus filhos digam. Mas às vezes deixo-os dizer. Não gosto de ter medo. Gosto de estar em casa. Gosto de escrever. E de ler. E de ouvir música. Não gosto de não saber o que dizer. Nem de falar em público. Nem para o boneco, ou para as paredes, o que vai dar no mesmo. Não gosto de pessoas que têm a mania. Ou que estão convencidas de que não têm a mania, mas têm. Não gosto de quem acha que tem sempre razão. Não gosto de aldrabões. Nem de trapaceiros. Tão pouco de pantomineiros. Gosto desta palavra, pantomineiro. Melhor ainda, pantomineiro de um cabrão. Também não gosto de falinhas mansas. Nem de lambe botas. Não gosto de capachos, nem de paus mandados. Não gosto de engolir sapos. Não gosto de vomitar. Nem de me engasgar. Gosto de respirar. De gritar. De chorar. Também gosto de rir, sim. Mas não gosto que me façam cócegas. Gosto de massagens nos pés. Gosto de beijos, de festas na cabeça, de carícias, de tudo o que na pele seja meu e da minha vontade. Não gosto da dor. Não gosto de mentir. Nem de mentirosos. Não gosto de covardes. Não gosto de bêbados. Não gosto de palhaços. Não gosto de teatros. Mas gosto muito de teatro. E um número de palhaços, se for bom, também. Também gosto de cinema. E de festas. E de estar com amigos. E de muita gente. Tanta gente. Gosto de saber que posso contar com alguém. Gosto de saber que não estou sozinha. Mas gosto de estar só. E gosto de estar acompanhada. Gosto das coisas com conta, peso e medida. Gosto da verdade e de dizer a verdade. A minha verdade. Gosto de dizer o que sinto. Gosto de dizer que não gosto quando não gosto, e que gosto quando gosto. Gosto de ser eu. Não gosto da outra que tenho de ser por conveniência. Não gosto de fingir. Não gosto de fingir que gosto quando não gosto. Não gosto de me sentir obrigada a fazer o que não quero. Não gosto de sentir que não posso dizer basta.&lt;br /&gt;Basta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6301176386928868508?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6301176386928868508/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6301176386928868508&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6301176386928868508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6301176386928868508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/09/basta.html' title='Basta'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-197958329427848865</id><published>2011-08-31T17:33:00.000+01:00</published><updated>2011-08-31T17:33:28.600+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas do passado'/><title type='text'>Posso imaginar?</title><content type='html'>Imagino um prédio alto, de muitos andares, e uma janela ampla, a vista cainda sobre a grande cidade, lá em baixo. Imagino um céu de nuvens baixas, cinzentas, um bailado de cambiantes do branco ao negro, ao sabor da luz que a chuva arrasta no seu rumor. Imagino as gotas de água desenhando rios na janela. Imagino o ruído da chuva a bater no vidro. Imagino alguns relâmpagos ao longe, fulgurações distantes. Imagino a cidade apenas iluminada pela luz quase morta das nuvens, a mesma luz que se acende em repentinos clarões quando as nuvens se definham em prantos. Imagino o silêncio do quarto povoado de ruídos e a luz a escorrer nas paredes frias. Imagino o espaço a dilatar e a encolher consoante o teu olhar viaja ou repousa, distraído. Imagino a água da chuva a brilhar-te na íris, e a trazer-te de volta céus distantes encharcados de uma outra chuva, aquela que traz a essência da própria luz. Imagino uma criança correndo para apanhar a chuva, ou fugindo dela, como num jogo de apanhada, e isto faz-me lembrar a história de um amigo meu que, quando ia para casa, de madrugada, depois das noitadas com o grupo de amigos, corria atrás da noite, porque o romper do dia quase sempre o apanhava a meio do trajeto, e ele precisava de se deitar com a escuridão para poder dormir. E então, contava ele, fazia o caminho quase a correr, porque o dia vinha atrás de si e ele não podia deixar escapar a noite. E nós, claro, ríamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-197958329427848865?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/197958329427848865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=197958329427848865&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/197958329427848865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/197958329427848865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/08/posso-imaginar.html' title='Posso imaginar?'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-8376682733977381418</id><published>2011-08-26T14:29:00.002+01:00</published><updated>2011-08-27T16:24:44.508+01:00</updated><title type='text'>Instante distante</title><content type='html'>Sonhei que te encontrava e, subitamente, não havia palavras. As mesmas palavras que antes eram o nosso ponto de encontro já não tinham significado algum, não encontravam eco e eram incapazes de qualquer intenção. As palavras morriam e o sonho era um filme mudo. Já não te via há tanto tempo, tinhas mudado, mais rugas, mais cabelos brancos. Imaginava as mesmas mudanças no meu rosto e sorria. Tu parecias não dar por nada. O teu olhar, porém, ainda era o mesmo. Nele estava contida a tua voz. Estranhei a tua proximidade, porque nunca antes me aventurara a imaginar-te tão íntimo. Tão meu. Meu, porém, era apenas o tempo onde o silêncio se deitava, para nunca mais acordar. Meu era apenas o vazio antes habitado pelas nossas palavras. E minha era a distância que nos separava, e estava ali, inteira, nas minhas mãos. Abri-as, às mãos, e deixei-a voar, uma ave cinzenta cujas asas, ao longe, se encheram de cor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-8376682733977381418?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/8376682733977381418/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=8376682733977381418&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8376682733977381418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8376682733977381418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/08/instante-distante.html' title='Instante distante'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1567736827326993703</id><published>2011-08-22T17:17:00.001+01:00</published><updated>2011-08-22T21:10:06.110+01:00</updated><title type='text'>Atenção que este é um post assim para o pesado...</title><content type='html'>Não tenho pachorra nenhuma para ouvir aquelas mulheres que estão sempre a dizer que precisam de perder peso, que estão gordas, que têm de fazer desaparecer a barriga e outras partes proeminentes, e depois a gente olha para elas e são a elegância em pessoa. Dão-me raiva. Será que não têm espelhos em casa? Ou não têm olhos na cara para ver que estão ótimas? Nunca digo nada, claro, mas por dentro fico a remoer. É que até me sinto ofendida - porque se suas excelências se acham gordas, então de mim só podem achar que sou uma baleia. E não, não sou. Nem baleia nem gorda, apesar dos meus 80 kg (ou quase 80, não tenho a certeza). Podem chamar-me redondinha, gordinha, cheinha, o que quiserem - mas gorda não, tenham lá paciência. (Também me podem chamar alienada, ou cega, ou parva - não mata nem mói). Gordos são aqueles que a gente vê no programa &lt;i&gt;Fat Families&lt;/i&gt;. Estou muito bem assim. É verdade, apesar dos esforços consideráveis em sentido contrário, levados a cabo, ao longo dos anos, por uma parte da minha família, que, coitados (perdoem-me por vos ter defraudado as expetativas), devem ter sonhado com uma filha, ou uma irmã, ou uma sobrinha, ou uma neta, ou uma prima anorética (pois só assim se explica que, ainda hoje, de vez em quando, me façam reparos desagradáveis sobre o meu peso), acho que estou muito bem assim. Sim, podia perder uns quilitos, não há dúvida, mas não me apetece fazer dieta. Dietas para mim só se for por intolerância alimentar, como já aconteceu quando o leite me começou a irritar a pele e durante coisa de um ano e picos deixei de comer ou beber laticínios. Mas mais do que isso não. Gosto demasiado de comer. Para castigo, já me basta não poder comer feijão.&lt;br /&gt;Portanto, queridas amigas, da próxima vez que se lembrarem dessas tretas das dietas e das gorduras e tal, e antes de abrirem a boca, vejam-se ao espelho, sim? Mas com olhos de ver!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1567736827326993703?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1567736827326993703/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1567736827326993703&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1567736827326993703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1567736827326993703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/08/atencao-que-este-e-um-post-assim-para-o.html' title='Atenção que este é um post assim para o pesado...'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3168055336759917183</id><published>2011-08-11T16:20:00.003+01:00</published><updated>2011-08-11T16:43:20.488+01:00</updated><title type='text'>Outra palavra séria</title><content type='html'>Anda para aí uma mensagem a circular no Facebook, dirigida aos principais responsáveis por estes distúrbios violentos nas ruas do Reino Unido, e que diz qualquer coisa do género: se querem ser homens e lutar a sério, alistem-se no exército e vão para o Afeganistão lutar numa guerra a sério, isto misturado com algumas palavras menos simpáticas &lt;i&gt;(&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; line-height: 14px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;u wanna be big men and fight to the death , well get your sorry little arses on the next plane to Afghanistan and stand alongside real men , they're called soldiers and they are fighting a war, unlike you bunch of pathetic wastes of space !!).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de esta mensagem me provocar alguma simpatia à primeira leitura, uma simpatia que nasce do repúdio por estes actos, não deixa de me provocar uma certa apreensão à segunda. Gostaria de partilhar esta minha apreensão, e para isso é preciso que pensemos com muito cuidado no que esta mensagem realmente diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha opinião, os cenários destes distúrbios dramáticos são uma amostra muitíssimo reduzida do que uma população local enfrenta num cenário de guerra, uma população que é em tudo inocente e composta por pessoas dignas e trabalhadoras como o são as ruas de Londres e de qualquer cidade do mundo. A guerra é uma das coisas mais abomináveis a acontecer todos os dias em locais distantes, e o que é mais dramático é que num cenário de guerra os actos de violência (mesmo aqueles muito mais graves do que os que vimos acontecerem nas nossas ruas) são completamente impunes. Aliás, é esse o objectivo de uma guerra, destruir, eliminar, matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que esta mensagem diz nas entrelinhas é o seguinte: se estes jovens querem causar distúrbios, partir montras, pegar fogo a casas e carros, que o vão fazer para longe, para outras ruas, onde deixarão de ser considerados arruaceiros e criminosos para passarem a homens a sério, cujas acções serão então justificáveis e até desejáveis, uma vez integradas num cenário de guerra, uma guerra que não é mais do que uma violência atroz, mas desta vez justificável por uma causa séria e global, como o combate ao terrorismo, ou outra qualquer. O que esta mensagem no fundo sugere é que o que andamos a ouvir os nossos políticos e jornalistas e analistas dizer, que nada pode justificar e desculpar estes actos de violência, é mentira, ou antes, não é absolutamente verdade; a mesma violência torna-se desculpável e aceitável se praticada num país remoto em guerra, contra populações em tudo igual à nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é dramático é que os exércitos estão pejados de indivíduos com graves distúrbios psicológicos, problemas de agressividade, ausência de remorso ou culpabilidade pelas suas acções, iguaizinhos aos que vemos nestes jovens e nestas crianças que se divertem a partir montras e a destruir comunidades. E o que é grave é que estas característcas psicopatológicas tornam-se aceitáveis e até desejáveis nesse contexto. Quem não se lembra daquele vídeo que mostrava comandos de um helicópetro a bombardear pessoas na rua de uma cidade em ruínas de guerra, como se fosse um jogo, por entre gargalhadas e palavras jocosas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que estamos a dizer nesta mensagem é que só não aceitamos esta violência se for na nossa rua, na nossa cidade, no nosso país, no nosso mundo. Mas se for suficientemente longe, num país em guerra, encolhemos os ombros e acenamos com a cabeça. E nem sequer perdemos tempo a pensar nas vítimas inocentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem pense que a humanidade evoluirá no dia em que não houver mais doenças incuráveis, ou injustiça, ou miséria, a lista pode ser interminável. Eu também concordo, mas para mim, no dia em que não precisarmos de exércitos, aí sim, daremos um passo gigante na evolução.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3168055336759917183?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3168055336759917183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3168055336759917183&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3168055336759917183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3168055336759917183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/08/outra-palavra-seria.html' title='Outra palavra séria'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6605501019442833539</id><published>2011-08-10T22:28:00.004+01:00</published><updated>2011-08-10T22:37:54.506+01:00</updated><title type='text'>Uma palavra séria</title><content type='html'>Eu não consigo compreender a resistência de muitas pessoas a que se fale e procure compreender o que poderá estar na origem de comportamentos colectivos de violência, como os que assistimos durante os últimos dias em algumas cidades do Reino Unido. Para mim é muito claro que tentar entender e clarificar as origens de um problema não é o mesmo que justificá-lo ou torná-lo mais aceitável ou menos grave. Mas o que é certo é que algumas pessoas reagem como se lhes espetassem uma agulha quando se procura falar deste assunto. Elas pura e simplesmente não querem saber para nada das causas de tais comportamentos, querem apenas punir quem os comete e pará-los.&lt;br /&gt;Punir é necessário e mais ou menos fácil. Evitar é que já é mais difícil, principalmente se teimarmos em ignorar as causas. É mais que redundante que conhecendo, ou procurando conhecer, as causas de um fenómeno, estamos mais perto do seu controlo, ainda que não absoluto, o que pode fazer com que a sua incidência diminua.&lt;br /&gt;Às vezes as pessoas são um bocado tapadas nestas questões, e isso deve-se apenas ao facto de tais questões lhes provocarem respostas emocionais muito primitivas. Por isso vou usar um exemplo, que não deixando de provocar respostas emocionais, desta vez as direcciona para a via oposta. Imaginemos o tecido social como um corpo doente. Um corpo afectado pelo cancro. Ora o cancro, como sabemos, é uma doença que muitas das vezes tem consequências fatais. Quando já está num estado muito avançado, de nada serve procurar conhecer as suas causas, uma vez que a pessoa vai morrer de qualquer modo. Muitas das vezes, essas causas podem até causar sentimentos de culpa e de ressentimento na vítima, como acontece por exemplo com um fumador compulsivo com cancro do pulmão em estado terminal. Tal pessoa pode sentir-se bastante mal pelo facto de ter contribuído para o seu estado, e o facto de alguém lho lembrar é passível de aumentar esse mal-estar. Mas onde estaríamos nós se, enquanto sociedade (e estou a pensar também na comunidade médica e científica) nos tivéssemos ficado pelo respeito e tolerância a estes sentimentos perfeitamente aceitáveis de remorso das vítimas, e por pudor não nos tivéssemos lançados na investigação científica necessária para a compreensão das causas de tal doença? Os benefícios do conhecimento dessas causas são óbvios: a sua prevenção. Sem ela não teríamos avançado para um cada vez maior alerta social em relação à doença, e nem para a sua cura.&lt;br /&gt;Conhecer o que pode estar na origem de um fenómeno social tem o mesmíssimo objectivo e não pretende de maneira nenhuma justificar ou tornar desculpáveis os actos em si. O que se pretende é apenas isso: evitá-los no futuro. Se nos lançarmos na investigação séria do que poderá ter motivado miúdos de idades compreendidas entre 10 e 20 anos a destruir a própria comunidade (a sua casa!) sem um pingo de remorso ou consciência, poderemos estar a abrir uma porta para o futuro. Pensemos na geração de crianças de 5 anos, que daqui a 10 anos terão 15. Pensemos nos recém nascidos de agora, que em 15 anos serão adolescentes. Quantos dramas destes poderemos começar a tentar evitar?&lt;br /&gt;Além de que, ainda em relação a estes miúdos envolvidos nestes distúrbios, a verdade é que a maioria são crianças e estão ainda numa fase de desenvolvimento da sua personalidade, o que, qualquer técnico de saúde mental está careca de saber, implica que muitos deles podem ser recuperados. Não são de maneira nenhuma, ou poderiam não ser, casos perdidos. Têm de ser punidos e responsabilizados pelos seus actos, como é evidente, mas haveria muito trabalho a fazer, no sentido de mudança de comportamento, de acompanhamento, de reabilitação, tanto social como psicológica. E isto não pode ser ignorado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6605501019442833539?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6605501019442833539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6605501019442833539&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6605501019442833539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6605501019442833539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/08/uma-palavra-seria.html' title='Uma palavra séria'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7730923684779644416</id><published>2011-08-09T16:13:00.002+01:00</published><updated>2011-08-09T16:26:37.670+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas do mundo'/><title type='text'>Too much quiet</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-IAPRQFhMcGw/TkFQ52a753I/AAAAAAAAB9o/N1IQhg0iEWo/s1600/common.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-IAPRQFhMcGw/TkFQ52a753I/AAAAAAAAB9o/N1IQhg0iEWo/s1600/common.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se vê quase ninguém na rua, mas isso é o habitual. Subi a escadaria junto ao lago, e a luz verde, coada pela copa das árvores, aconchegou-me nos seus braços. Passou por mim um homem a correr, com os headphones nos ouvidos. Tudo normal. Ao chegar lá acima, deparei-me com a extensão imensa do relvado quase deserta.&amp;nbsp;Um pequeno grupo com uma bola, um ou outro tipo deitado no chão a curtir o sol. Com um dia como o de hoje, com esta temperatura no ar e o sol a brilhar por entre as nuvens, isto sim, não é nada habitual. O normal seria estar o relvado cheio de gente, pessoas deitadas, sentadas, em pé a correr atrás de bolas, crianças em correria e gritaria, vozes espalhadas no vento. O silêncio é assim um pouco pesado. Depois ouvem-se as sirenes. Carros da polícia para cá e para lá. Isto também costuma ser uma constante; porém, hoje é como se o som fosse, de alguma maneira, completamente diferente. Como se nos fizesse subir o medo à garganta. Vou andando, sinto o sol nos olhos, o vento nos cabelos, o cheiro da relva no ar. As pessoas com quem me cruzo são as mesmas de sempre. O grupo que joga à bola é uma família. Passa um homem que chuta a bola para o miúdo, com um sorriso. Atravesso a rua e, no olhar das pessoas, vejo qualquer coisa &amp;nbsp;que se encolhe. A paisagem é em tudo igual. Aqui não houve tumultos, tão pouco lojas ou carros incendiados. Dou com a CO-OP fechada. Não estava à espera disto, e no entanto é tão lógico que assim seja. Volto para trás, faço o caminho de volta. Está um dia lindo. Mais carros da polícia, mais sirenes a anunciar o perigo que pode estar aqui mesmo ao lado. Acho que é essa a diferença. Antes as sirenes anunciavam perigos distantes, por mais perto que estivessem; hoje, o perigo está mesmo aqui ao lado, ainda que o esteja a alguns (poucos) quilómetros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7730923684779644416?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7730923684779644416/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7730923684779644416&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7730923684779644416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7730923684779644416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/08/too-much-quiet.html' title='Too much quiet'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-IAPRQFhMcGw/TkFQ52a753I/AAAAAAAAB9o/N1IQhg0iEWo/s72-c/common.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4515179318628841158</id><published>2011-07-31T12:23:00.004+01:00</published><updated>2011-07-31T12:23:59.437+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aniversários'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o mais velho'/><title type='text'>12 anos</title><content type='html'>e só me ocorre dizer que tá um matulão :)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4515179318628841158?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4515179318628841158/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4515179318628841158&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4515179318628841158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4515179318628841158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/12-anos.html' title='12 anos'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4222197147406850054</id><published>2011-07-29T16:55:00.000+01:00</published><updated>2011-07-29T16:55:52.914+01:00</updated><title type='text'>Lagrimário</title><content type='html'>Tá mau, hoje. Inda não verti minha lágrima. Não, não me sinto bem assim; parece que tenho a camisola do avesso, sabe? Ou os sapatos trocados nos pés. Hoje em dia ninguém dá importância a estas coisas. A bem dizer, nunca se deu a devida importância. Choramingar é coisa de criança. Homem que é homem e mulher que é mulher não chora, aguenta. Aguentam calados. Devia haver lugares próprios para deixar os olhos em água. Assim uma espécie de santuários. Não precisava de ser nada assim grande; umas guaritas, como as retretes, já estava. Ou então assim uns sítios remotos, no meio do mato, onde ninguém nos importunasse, para além das moscas, das abelhas e do canto dos pássaros. Agora assim não dá. Um cristão quer verter umas lagrimitas sem consolo e não pode. Ora porquê, porque fica mal. Ou talvez nem seja isso, vem logo meio mundo perguntando, então o que é isso, maria, porque choras? Ainda bem que as pessoas se preocupam, claro, não é disso que estou a falar; é da necessidade de chorar sem testemunhas, sem que ninguém nos interrompa nem faça perguntas. Chorar só. Ou gritar. Às vezes preciso, e fico aqui neste sufoco. Não posso. Tenho as crianças à minha volta, os vizinhos; os vizinhos vão pensar que estou maluca. Se calhar não. Sei lá! Chorar é uma coisa assim muito íntima para se fazer em público. Pelo menos para mim. E tenho cá dentro umas lágrimas muito antigas que não podem ser soltas assim à frente de qualquer um. De nenhum, melhor dizendo. Não, elas são tímidas, mas teimosas, muito teimosas. Exigem privacidade absoluta. Era. Isso. Uns lugares assim para chorar. Não precisava de ser nada de grande; umas casitas, assim do tamanho de uma despensa, já tava bom. Mas tinha de ser assim bem cuidado, pois. Umas cores claras, assim as paredes azuis clarinhas, assim umas pinturas, umas andorinhas, um rio, o mar, sei lá eu. Se fosse preciso a gente dava uma moedinha pra entrar. Nem custava nada. Ao menos assim podia verter minhas lágrimas descansada. Cinco minutos chegavam. Todos os dias, pois. Podia-se chamar a fonte da choradeira. Ou da consolação. Lagrimário? Isso é palavra complicada. O senhor é que sabe. Até se podiam engarrafar e vender como líquido milagroso. Não acredita no poder das lágrimas? Ora, é porque nunca chorou de verdade. Vá por mim, que não há remédio melhor para todos os tipos de maleitas. Mas não, tem de vir cá de dentro. Que nada, as lágrimas não nascem nos olhos, não senhor. O senhor nunca chorou de verdade, é o que é. Você é que precisava de um desses cubículos para desatar as vergonhas. As lágrimas vêm cá de dentro do peito, às vezes de bem do fundo do ventre. E só sobem aos olhos depois de afogarem a garganta. Sem garganta afogada não se chora nada; aquilo é só água estagnada que não lava nada. Ora essa! Um homem desse tamanho e não sabe o que é chorar! A gente vê cada uma!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4222197147406850054?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4222197147406850054/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4222197147406850054&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4222197147406850054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4222197147406850054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/lagrimario.html' title='Lagrimário'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2479775989003024622</id><published>2011-07-28T20:20:00.000+01:00</published><updated>2011-07-28T20:20:42.735+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;iframe width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/embed/QULU6qpJAwc?fs=1" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2479775989003024622?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2479775989003024622/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2479775989003024622&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2479775989003024622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2479775989003024622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/blog-post_28.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/QULU6qpJAwc/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3294094665300166014</id><published>2011-07-28T13:45:00.003+01:00</published><updated>2011-07-28T13:50:36.653+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estórias minhas'/><title type='text'>Pequeno conto sobre a velha angústia</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Os ataques de pânico têm voltado com frequência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Já os conhece. Até os pode chamar pelo nome, como se fossem velhos amigos. Ou conhecidos. Uns mais íntimos, outros menos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Às vezes é apenas um pensamento sinistro. Um pressentimento, melhor dizendo. Os pensamentos não trazem atrelados a certeza da sua veracidade absoluta. Ora então, um pressentimento. Uma certeza. A morte a aproximar-se. Cada segundo um passo na sua direcção. Sente-a chegar depois, pelo corpo. Primeiro é o coração que dispara, depois o peito que se encolhe, depois a garganta que seca, incapaz de incorporar o ar, depois a cabeça que parte, veloz, em direcção às nuvens. As tonturas. Os vómitos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;De outras vezes é ao contrário. O corpo em primeiro lugar. E só depois a certeza aterradora. A morte atravessada na garganta. Engasgada. Nem sai, nem vai para baixo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Ela já sabia lidar com eles. Com os ataques. Tantos anos a aprender, a estabelecer uma relação, a conhecê-los. Sabia como evitá-los, como desviar-se, como fazer marcha atrás, inverter a direcção. Manter-se a salvo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;E agora? Parece que não sabe nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Recorda-se de conversas. Amigos e amigos de amigos todos reunidos, sentados no chão, pernas cruzadas. Por vezes eram só trocas de anedotas, de outras discutiam a profundidade e os mistérios do universo com humildade e veemência. Fumavam charros e riam por tudo e por nada. O mundo perdia os contornos e o mais ínfimo detalhe era motivo de gargalhadas convictas. Há que rir com convicção, pensava. Ou não. Porque às vezes o haxe, em vez de lhe mostrar o lado cómico da existência, entretinha-se a avolumar aquela angústia que nunca a largava, mesmo quando escondida no canto mais remoto da consciência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Deixou de fumar. A angústia, essa, conteve-se. Ficou lá, qual animal selvagem domesticado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Ela sabia lidar com o medo. E isso tranquilizava-a.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Ora numa dessas conversas, uma vez, um dos amigos de outros amigos falara daquilo. Assim, naturalmente. Estavam naquela idade em que partilhar intimidades insondáveis era a mesma coisa que partilhar mantas no inverno. Ou cigarros. Ou um lugar à volta da mesa. E ela ouviu, estarrecida, que esse amigo de outro amigo sofria do mesmo mal. E ela, que nunca falava disso - era um assunto só seu - também falou, dessa vez. Deixou-se levar. Abriu aquela porta, sem pensar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;E outro amigo, talvez perturbado com a conversa, dissera qualquer coisa como, mas vocês só pensam na morte? Vocês não gostam da vida? Não gostam de estar vivos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;E ela, sorrira para dentro, porque sabia, sentia a resposta pronta na ponta da língua. Nem precisava de pensar nisso. Sequer de ensaiar pensamentos, ou lógicas, ou palavras. Era tão óbvio. Era tão real.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;É precisamente por gostarmos de estar vivos, que não queremos morrer. E que a ideia nos apavora. Só tem medo da morte quem ama a vida acima de tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;E esse sentimento, essas palavras, esse pensamento, chamem-lhe o que quiserem, é o mesmo que agora lhe afaga as entranhas, depois do medo corrosivo espalhar o seu veneno, incansável. Uma espécie de mantra. Só tem medo da morte quem ama a vida acima de tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Talvez a vida não se possa amar. Talvez a vida só se possa viver, sem pensar muito nisso. Talvez o amor que alguns dedicam à vida esteja mal canalizado. Talvez devessem amar acima de tudo as pessoas, os lugares, os corpos, os pássaros, a luz da manhã, os caracóis lentos, as aranhas pacientes, as ervas, as flores, as árvores, o mar, os peixes, as algas, os céus, as nuvens, o ar que lhes entra nos pulmões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Ou talvez não devesse amar nada disso, apenas a si mesma. Não dizem os entendidos que para amar o mundo e os outros temos primeiro que nos amar a nós próprios?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Ela sabe lá. Ela só sabe que tem medo. Às vezes nem sabe de quê, ao certo. E não, não é masoquismo, nem estupidez. É amor à vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;A mesma vida que insiste em escapar-lhe dos dedos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Isto, sim, talvez já seja uma ilusão.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3294094665300166014?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3294094665300166014/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3294094665300166014&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3294094665300166014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3294094665300166014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/pequeno-conto-sobre-velha-angustia.html' title='Pequeno conto sobre a velha angústia'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-605684323621504585</id><published>2011-07-26T00:04:00.002+01:00</published><updated>2011-07-26T00:09:51.324+01:00</updated><title type='text'>a criança</title><content type='html'>está viva a criança. e no entanto sente-se morta. e no entanto dói-lhe tudo. está cheia de medo a criança. o medo uma coisa física a morder-lhe o peito. grita. chora. berra. ela não precisa que lhe estanquem o choro. o choro é sinal de que está viva. o medo também, embora não tenha idade para o perceber. ela não precisa que lhe perguntem nada. não precisa de olhares preocupados. não precisa que lhe tomem o pulso, nem que lhe respirem para dentro da boca. não precisa de gente assustada a auscultar-lhe o coração. o coração é terreno demasiado íntimo. ela só precisa que a abracem, com força. que a assegurem de que está viva. que lhe digam que não vai morrer. que está tudo bem. que vai ficar tudo bem. só isso. é pouco? é tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-605684323621504585?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/605684323621504585/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=605684323621504585&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/605684323621504585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/605684323621504585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/crianca.html' title='a criança'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2993877100441572410</id><published>2011-07-24T13:05:00.002+01:00</published><updated>2011-07-24T13:08:15.507+01:00</updated><title type='text'>dois caminhos</title><content type='html'>dois caminhos. existem sempre dois caminhos. um que nos leva para longe e nos lança no mundo. outro que nos faz procurar os passos de regresso. um que nos dá asas e nos empurra para as nuvens. outro que nos prende à terra, que nos cresce raízes nos pés para não perdermos o caminho de volta. dois caminhos. um não existe sem o outro. é para podermos voltar um dia que nos afastamos. quando decidimos partir ainda não sabemos que um dia voltaremos. porém precisamos partir para voltar. precisamos de nos perder no caminho. nos atalhos sombrios. nas noites sem lua. precisamos de nos perder nas montanhas e colher estrelas do céu. as mãos cheias de sonhos. perder a alma nas nuvens. despir o peso do corpo e flutuar nas alturas. descer aos vales. mergulhar nos lagos. ir ao fundo do mar. sonhar peixes e anémonas e recifes inteiros e algas verdes e castanhas. habitar a solidão das baleias distantes. liquefazer a pele no esforço do entendimento e deixar as algas brotar dos ouvidos. emaranharem-se na complicada rede de dendrites e axónios. voltar à superfície e manter o olhar marinho no fundo dos bolsos. uma réstia de humidade a inundar-nos os campos da solidez. solidão? lucidez? porque não lucidão? e depois voltar. voltar como quem descobre um novo caminho e se vai encantando com a sua inesperada familiaridade. reconhecimento. descobrir que é impossível conhecer sem reconhecer. talvez não haja nada de novo no mundo afinal. talvez só seja novo o nosso desejo de conhecer. talvez a novidade seja uma alucinação. voltar a pisar as antigas pegadas. descobrir trilhos muito antigos. lendas ancestrais. o segredo dos antepassados. sussurros que ficaram trancados a sete chaves. voltar pelo mesmo caminho. um caminho diferente. em tudo novo e em tudo velho. voltar ao lugar de onde se partiu. e de repente ver a casa em ruínas. a nossa casa em ruínas. foi das ruínas que fugimos? ou terão disseminado lentamente na nossa ausência? já não nos lembramos. não temos ideia. a imagem que guardamos é de uma outra vida. talvez uma ilusão. a casa em ruínas na nossa frente será uma outra ilusão? ou será apenas o medo? o medo de que tudo o que deixámos para trás tenha de facto apodrecido? o medo de que o que abandonámos esteja perdido? sem remédio? a casa está em ruínas e a nós faltam-nos os braços. as pernas estão gastas, quase mortas de cansaço. serão as nossas próprias ruínas? voltámos e não reconhecemos nada. um deserto de areia escadante, uma planície inóspita. o passado em cacos. o medo na garganta. uma imagem surge então. nítida. no meio das ruínas. uma mão. um braço. um tronco. pernas. outro braço. uma cabeça. um corpo. o corpo de uma criança. está debaixo de umas vigas de madeira. está presa. está morta? corremos. afastamos os detritos. abeiramo-nos daquele corpo frágil. sentimos o pulso. o pulso. pulsa. está viva. auscultamos o peito. respira. está viva. está viva! seguramo-la nos braços. com firmeza. arrastamos o seu corpo para terreno aberto. afagamos-lhe o rosto. ela abre os olhos. está viva. olha-nos. está viva. já não há ruínas. ou antes as ruínas são apenas isso: ruínas de uma casa antiga. paredes velhas. feridas. vigas que soçobraram. exaustas. abertas. mortas. tetos que cederam às intempéries. caídos. a criança está aqui. a criança está viva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2993877100441572410?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2993877100441572410/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2993877100441572410&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2993877100441572410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2993877100441572410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/dois-caminhos.html' title='dois caminhos'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6786822742654975650</id><published>2011-07-23T18:14:00.005+01:00</published><updated>2011-09-25T10:13:44.210+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>tudo por amor</title><content type='html'>para não perder o teu amor&lt;br /&gt;tive que esquecer quem sou&lt;br /&gt;tive que matar o que ficou&lt;br /&gt;de lucidez&lt;br /&gt;tive que morrer&lt;br /&gt;uma e outra vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só para não perder o teu amor&lt;br /&gt;só para te ter de volta&lt;br /&gt;os teus olhos que me davam&lt;br /&gt;a vida e abraçavam&lt;br /&gt;os dias de luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tive que escolher&lt;br /&gt;ou era eu ou eras tu&lt;br /&gt;a dor que sentia&lt;br /&gt;jamais estancaria&lt;br /&gt;e então escolhi&lt;br /&gt;porque sem ti&lt;br /&gt;não era nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem ti não existia&lt;br /&gt;sem ti não havia mundo&lt;br /&gt;nem luz nem dia&lt;br /&gt;não havia braços nem mãos&lt;br /&gt;nem pássaros nem chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem ti era o vazio&lt;br /&gt;e a dor enorme&lt;br /&gt;da destruição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu precisava da tua boca&lt;br /&gt;para respirar&lt;br /&gt;dos teus braços&lt;br /&gt;para me erguer&lt;br /&gt;das tuas pernas&lt;br /&gt;para caminhar&lt;br /&gt;do teu coração&lt;br /&gt;para poder esquecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esquecer tudo&lt;br /&gt;o que era via ouvia sentia&lt;br /&gt;esquecer a dor&lt;br /&gt;a fronha enxovalhada&lt;br /&gt;os lençóis brancos&lt;br /&gt;da cama molhada&lt;br /&gt;esquecer a alma&lt;br /&gt;o corpo partido&lt;br /&gt;as planícies desertas e náufragas&lt;br /&gt;boiando à deriva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e como posso eu amar-te agora&lt;br /&gt;se já não tenho coração?&lt;br /&gt;como posso pensar&lt;br /&gt;se perdi a razão?&lt;br /&gt;como posso ser depois de esquecer?&lt;br /&gt;como posso te amar&lt;br /&gt;sem antes te odiar&lt;br /&gt;por me teres deixado morrer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6786822742654975650?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6786822742654975650/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6786822742654975650&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6786822742654975650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6786822742654975650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/tudo-por-amor.html' title='tudo por amor'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1041289833522987878</id><published>2011-07-22T21:18:00.000+01:00</published><updated>2011-07-22T21:18:18.939+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/d7Zp8ReV81k?fs=1" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1041289833522987878?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1041289833522987878/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1041289833522987878&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1041289833522987878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1041289833522987878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/blog-post_22.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' 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Nem que fosse só por um segundo.&lt;br /&gt;Todos os gestos, afinal, não servem para nada, se não formos capazes daquele, do único, que pode, de facto, tocar alguém. Tocar noutra pessoa. Mas tocar mesmo. Agarrá-la, ampará-la, não a deixar cair. Não a deixar ir. Não a deixar morrer.&lt;br /&gt;Eu vi, sim, eu vi que estavas triste. Naquele dia. Pode parecer paranóia, mas vi. E já nem me lembro bem do que dissémos uma à outra, só me lembro da sensação de estranheza, só me lembro da tua tristeza. E claro que não perguntei. Não indaguei. Só em crianças somos livres de perguntar. De dizer. E às vezes nem isso.&lt;br /&gt;Por isso, já sabia, sem saber. Já sabia, antes de saber, que fora essa tristeza a levar-te. E foi sem surpresa que soube que foste tu que decidiste acabar com a tua vida. Sem surpresa, e com todo o peso do mundo a cair-me em cima. E mais uma vez, quis dar-te a mão, quis agarrar-te, quis ter estado lá. Mas não estava. E agora, é tarde.&lt;br /&gt;Decidiste? Uma pessoa deprimida pode lá decidir alguma coisa! Uma pessoa deprimida arrasta-se pela vida, aos trambolhões, e quando cai, quando cai, já não consegue levantar-se. Ou finge que se levanta, para evitar perguntas. Decidir acabar com a vida? Como é que alguém mergulhado num poço de tristeza consegue decidir alguma coisa, quanto mais acabar com a vida? Com a vida, ou com o sofrimento? Como é que alguém pode entender, sem ter estado lá?&lt;br /&gt;E depois, convencemo-nos de que não podíamos fazer nada. Eu não. Eu acho que podia ter feito alguma coisa. Quero acreditar com todas as minhas forças que podia ter-te estendido a mão. Um gesto. Tão simples. E tão impossível. Agora.&lt;br /&gt;Para o raio com a crise, e com o aquecimento global e as catástrofes climáticas que se avizinham, com o terrorismo e com a violência generalizada. Porque a mim, o que me assusta mesmo neste Mundo em que vivemos, é esta solidão de pedra que distancia as pessoas, este drama diário de pessoas incapazes de comunicar e de se ajudar. Quantas pessoas não morrem assim, completamente sós, porque desistem, porque o fardo que carregam é demasiado e não são capazes de pedir ajuda, porque não aguentam, porque não gritam por socorro ou porque o grito que lançam é mudo, ou então não há realmente ninguém que o oiça? Como é possível que não oiçamos estes gritos? É esta redoma de sofrimento em que nos afundamos, sozinhos, completamente divorciados do mundo e dos outros, que mais me assusta. Isto sim é uma ameaça mundial. E o mundo devia parar, a cada corpo que cai. A cada vida que morre. O mundo e todos nós. Devíamos parar, deviamos poder sentir a dor dos outros. Dos que caem. Dos que morrem. Dos que simplesmente não se aguentam em pé.&lt;br /&gt;Fico só, com este gesto mudo, a mão que não chegou até ti, a mão que deixa, por um segundo, de ser minha, e voa até encontrar a tua, lá onde estejas, outra vez criança, minha amiga para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6892608760351114817?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6892608760351114817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6892608760351114817&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6892608760351114817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6892608760351114817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/mas-porque-e-que-o-mundo-nao-para.html' title='Mas porque é que o Mundo não pára?'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-917057685787053857</id><published>2011-07-20T21:03:00.000+01:00</published><updated>2011-07-20T21:03:19.146+01:00</updated><title type='text'>Querida Rosário</title><content type='html'>Recordo o teu rosto suave, os olhos claros, o cabelo escorrido, o sorriso tranquilo. Recordo o teu rosto de criança. Quando brincávamos aos cinco eras sempre o Júlio, porque eras alta, maria-rapaz, e tinhas o cabelo loiro e curtinho. Lembro-me de tantas vezes ter ficado contigo no refeitório até toda a gente já ter ido para o recreio e a dona Luísa começar a limpar as mesas e a mandar-te despachar, porque nunca querias comer e demoravas sempre eternidades. Eu ficava contigo porque não queria deixar-te sozinha. Eras muito parecida comigo, não por fora, mas por dentro. Eras tímida como eu, e choravas por tudo e por nada. Eu também, e se calhar por isso sentia-me tua irmã. Nunca fomos as melhores amigas mas entre nós havia uma afinidade quase táctil, uma coisa que não precisava de palavras nem de demonstrações constantes, porque estava lá sempre que nos olhávamos. Aquele entendimento que basta a duas almas que são o espelho uma da outra. Era assim, nós crianças, e é assim que quero guardar-te. Depois encontrámo-nos de novo por volta dos 17, vimo-nos umas poucas de vezes, e a última vez foi quando fui tratar de qualquer coisa à repartição de finanças em s. domingos, para aí há uns dez anos, se calhar. Ainda moravas no mesmo sítio. Estavas com um ar cansado e achei-te triste. Claro que não disse nada, estas coisas nunca se dizem quando se perdeu já aquela intimidade e espontaneidade da infância. Trocámos algumas palavras e ficou-me o teu sorriso, o mesmo de antes, apesar dos olhos sombrios. Agora que sei que essa foi a última vez que te vi não páro de pensar. Não sei o que aconteceu, só sei que partiste. Tão cedo. Queria voltar atrás, até àquele instante, ou talvez ainda mais, até aos recreios da CEBE, e agarrar-te na mão e não te deixar escapar. Queria ter estado lá, contigo, em todas as vezes que precisaste de uma mão. Hoje a minha mão já não te alcançará. Nunca mais. Quero acreditar que estás aqui e que não te foste, e só sinto o vazio de saber-te ausente. Queria ao menos poder despedir-me, estar perto, estar presente na tua última morada. Queria poder acompanhar-te, não te deixar sozinha, como quando ficava ao teu lado na mesa do refeitório, implorando-te com os olhos que comesses, para podermos ir brincar para o recreio. Acho que às vezes cheguei a comer do teu prato para te ajudar. Minha querida amiga, vai em paz. Até sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-917057685787053857?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/917057685787053857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=917057685787053857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/917057685787053857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/917057685787053857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/querida-rosario.html' title='Querida Rosário'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3349771871179945198</id><published>2011-07-18T09:45:00.000+01:00</published><updated>2011-07-18T09:45:37.566+01:00</updated><title type='text'>Amigo</title><content type='html'>Acordou e deixou-se ficar dentro do sonho.&lt;br /&gt;Não que fosse um lugar agradável ou quentinho; pelo contrário. Estava seca, contraída, na nuca aquela sensação desconfortável de ter dormido para o lado errado. No pescoço o esforço dorido dos músculos exaustos. No peito aquela pontada que conhecia tão bem.&lt;br /&gt;Há idiotas que pensam que o medo é a ausência do amor. Que o medo é uma espécie de território das trevas onde uns gajos assim meio masoquistas, cegos para a luz e para a clarividência, gostam de se enterrar.&lt;br /&gt;E, como bons idiotas, nem se apercebem da sua própria e confrangedora ignorância.&lt;br /&gt;Havia dois medos que lhe ocupavam o quarto. Um estava dentro de um espelho muito antigo, que não se atrevia a olhar de frente. Era um medo monstruoso, feito de cabelos e nuvens muito escuras. Tinha garras, este medo. E dentes. E facas. E outros objectos fálicos que nem vale a pena enumerar.&lt;br /&gt;O outro medo era pequenino. Uma criança com uns cinco, seis anos. Este medo tinha-lhe dado a mão já há muito tempo, e abraçava-a e confortava-a sempre que era preciso.&lt;br /&gt;Era, de tudo o que tinha, o mais parecido com um amigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3349771871179945198?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3349771871179945198/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3349771871179945198&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3349771871179945198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3349771871179945198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/amigo.html' title='Amigo'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4632281067802463887</id><published>2011-07-14T10:09:00.000+01:00</published><updated>2011-07-14T10:09:47.748+01:00</updated><title type='text'>Ninguém viu</title><content type='html'>A rua estava deserta.&lt;br /&gt;Ela também.&lt;br /&gt;Às vezes pensava em meter-se dentro de alguém que passasse. Enfiar-se pela boca, de mergulho, e aninhar-se nas entranhas, ao fundo do estômago, na curva dos intestinos, na estreiteza da vesícula, ao lado do coração, no baloiço da respiração. Ficar ali, quietinha, quentinha. Andava pelas ruas mal iluminadas, à luz dos candeeiros e da lua, e ia dizendo para dentro, este sim, esta não, aquela é que era. Uma puta na esquina, de mini saia a rasgar a curva das pernas, perigosamente abertas; àquela podia saltar-lhe para dentro do pito, aí é que iam ser noites loucas. Um bêbado pisado, amarrotado no chão, vomitando as tripas; este não, que para náufraga já me basto eu. Um homem mistério, envolvido num sobretudo escuro, os cabelos escorridos ocultando o rosto, um rasto a perfume de cachimbo acabado de fumar; nos teus pulmões é que eu queria morar. E voou feita pena, saltou feita bola e desfez-se no ar e entrou-lhe pelas narinas numa inspiração mais profunda. E ninguém viu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4632281067802463887?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4632281067802463887/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4632281067802463887&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4632281067802463887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4632281067802463887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/ninguem-viu.html' title='Ninguém viu'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4706904250551827280</id><published>2011-07-08T20:57:00.000+01:00</published><updated>2011-07-08T20:57:06.024+01:00</updated><title type='text'>Coitados, os pássaros é que não têm culpa</title><content type='html'>Às vezes sinto-me assim um bocado idiota. De outras vezes, é mais uma formiguinha, um ser minúsculo a tentar mover-se num mundo de gigantes. A tentar erguer a sua voz, mas toda a gente fala mais alto. E neste mundo da escrita, onde tudo se passa em silêncio, é mais uma mosca, daquelas que se enxotam com impaciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto tudo vem a propósito aqui do recorte de jornal abaixo. Apesar de ainda não ter segurado no jornal propriamente dito, a sensação é a mesma. Ver um texto escrito por mim, com o meu nome, impresso, publicado. É que é a primeira vez que um texto da minha autoria é publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem dizer-me, não tens tentado o suficiente. Talvez seja verdade. Deixem-me contar-vos uma história. Tinha 12 ou 13 anos quando escrevi o meu primeiro poema. Já escrevia estórias, mas nunca tinha escrito poesia. Eram umas quadras, parece-me, com uma rima mais ou menos certinha, outras nem tanto, que falava de liberdade, pombas libertando-se de grades e voando nos céus, coisas assim. Ora, já não me lembro bem como, esse poema chegou às mãos de alguém que aconselhou a sua participação num concurso, na altura promovido pela Associação Juvenil da CGTP Intersindical. Era a Interjovem, parece-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que participei, toda entusiasmada. E no dia em que anunciariam os vencedores lá fui, com os meus pais e irmão, ver a exposição com os trabalhos premiados. Ia cheia de expetativas, que rapidamente caíram por terra. E a consternação não se deveu unicamente ao facto de não ter ganho nenhum prémio. Não, a consternação era outra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixem ver se me lembro. O concurso era bastante diversificado, e os temas iam desde a poesia às artes plásticas (pintura, escultura, gravura), passando pela prosa; até trabalhos em lavoures, parece-me. Para cada tema havia 1º, 2º e 3º prémio. Quando chegámos à secção da poesia, deparámo-nos com os nomes das obras e dos autores a quem tinham sido atribuídos cada um dos prémios... Neste caso, do autor. Sim, os 3 prémios tinham sido atribuídos ao mesmo nome. Até ainda me lembro do nome, era Luís Maçarico. Nunca mais me esqueci, e já vão perceber porquê. Ora então o sr. Maçarico tinha, não só, arrebanhado os 3 prémios de poesia, mas também de prosa. Logo aí, veio aquela pontada de estranheza à boca do estômago. A sensação de que algo não batia lá muito certo, apesar dos meus 12 ou 13 anos. Demos mais umas voltas pela exposição, e a surpresa ainda não terminara: é que ao mesmo nome tinham sido igualmente atribuídos, nada mais nada menos, do que os 3 prémios relativos à pintura e à escultura. Pois. O tal do Maçarico não era só um arrebanhador de prémios, era também um artista bastante versátil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom. Acho que não voltei a concorrer a mais nada durante algum tempo. Sempre que pensava nisso aparecia assim uma nuvem negra no horizonte com o nome Maçarico a bailar por entre a nebina. Passaram-se uns anitos, e para aí aos 16 resolvi voltar a concorrer. Não me perguntem porquê. Acho que entretanto ganhara uma menção honrosa num concurso na escola secundária, com um conto sobre o 25 de abril, e talvez isso me tenha dado ânimo. Ainda assim, não sei porque diabo voltei a concorrer ao mesmo concurso da Interjovem. Talvez masoquismo; talvez porque lá no fundo me quisesse certificar de qualquer coisa. Tirá-la a limpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse para mim mesma que aquele primeiro poema era muito mauzito e muito infantil e que agora é que era. Os poemas que agora escrevia eram muito melhores, muito mais maduros. Umas tretas assim. E lá voltei a concorrer. E lá voltámos, a família toda, em romaria à noite da exposição. Numa repetição em tudo semelhante à anterior, e incrivelmente com a mesma dose de surrealismo. Sim, acreditem que é verdade. O tal do Maçarico, 3 ou 4 anos depois, voltava a arrebanhar os 3 prémios da literatura (poesia e prosa) e mais uns quantos nas outras áreas, que já não consigo especificar, para além das artes plásticas. Em cada secção que visitávamos lá estava o fatídico nome, em destaque num dos 3 premiados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa segunda vez já tinha idade suficiente para me chegar ao nariz o cheiro do esturro. Daí em diante, sempre que penso em concorrer ao que quer que seja, há um bichinho qualquer que me sopra ao ouvido que não vale a pena o esforço. E depois vejo um maçarico, um daqueles tubos a deitar uma chama azul pela boca. &amp;nbsp;Fiquei traumatizada, o que é que querem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4706904250551827280?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://pt.wikipedia.org/wiki/Ma%C3%A7arico' title='Coitados, os pássaros é que não têm culpa'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4706904250551827280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4706904250551827280&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4706904250551827280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4706904250551827280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/coitados-os-passaros-e-que-nao-tem.html' title='Coitados, os pássaros é que não têm culpa'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4148506537095161084</id><published>2011-07-01T21:35:00.001+01:00</published><updated>2011-07-01T21:36:54.920+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-e17b46ORWo8/Tg4vog5GAZI/AAAAAAAAB9U/FsIbp_YYT5k/s1600/REGI%25C3%2583O%2BDE%2BLEIRIA%2B-%2B1.7.2011.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-e17b46ORWo8/Tg4vog5GAZI/AAAAAAAAB9U/FsIbp_YYT5k/s1600/REGI%25C3%2583O%2BDE%2BLEIRIA%2B-%2B1.7.2011.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4148506537095161084?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4148506537095161084/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4148506537095161084&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4148506537095161084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4148506537095161084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/blog-post_01.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-e17b46ORWo8/Tg4vog5GAZI/AAAAAAAAB9U/FsIbp_YYT5k/s72-c/REGI%25C3%2583O%2BDE%2BLEIRIA%2B-%2B1.7.2011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-5121338547495005708</id><published>2011-07-01T21:13:00.001+01:00</published><updated>2011-07-01T21:17:47.468+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-aCgYs1w8QpE/Tg4qdVYVvrI/AAAAAAAAB9M/mVPU5QGays8/s1600/REG.%2BLEIRIA%2B-%2B01.07.2011%2B%25281%2529.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-aCgYs1w8QpE/Tg4qdVYVvrI/AAAAAAAAB9M/mVPU5QGays8/s1600/REG.%2BLEIRIA%2B-%2B01.07.2011%2B%25281%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: NONE;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-5121338547495005708?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/5121338547495005708/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=5121338547495005708&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5121338547495005708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5121338547495005708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/07/blog-post.html' title=''/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-aCgYs1w8QpE/Tg4qdVYVvrI/AAAAAAAAB9M/mVPU5QGays8/s72-c/REG.%2BLEIRIA%2B-%2B01.07.2011%2B%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2721893014133700983</id><published>2011-06-30T20:46:00.004+01:00</published><updated>2011-07-01T20:59:03.939+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='micronarrativas'/><title type='text'>Uma mulher de palavra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;Era uma mulher de palavra. As palavras nasciam-lhe nos braços e derramavam-se pelas mãos abertas. Fugiam-lhe entre os dedos. Era uma mulher de palavra, e ficava sem palavras. A voz perdia-se nos labririntos dos argumentos e emudecia nos becos sem luz das trocas azedas de palavras; palavras gastas à bruta e à pressa, mal nascidas, cuspidas, vomitadas, violadas; a ela, uma mulher de palavra, a voz atraiçoada. Quando cantava abria o peito aos pássaros e esquecia as palavras; esquecidas, as palavras antes esfaqueadas ganhavam força e melodia e voavam aladas nas alturas, mergulhavam na água das nuvens, mexiam o corpo e dançavam; caíam, exaustas, e escorriam languidamente pelo pescoço de Deus, volúpia interdita e apetecida, interrompida por meias palavras, murmúrios, rios silenciosos de asas nocturnas, risadas cristalinas, água espelhada no charco de um olhar minucioso, íntimo, um olhar preciso, atento, irrequieto, pronto a morder. As palavras iam e vinham, nasciam, morriam-lhe na boca, a ela, uma mulher de palavra. Uma mulher sem palavra. Uma mulher nua. Uma mulher vestida apenas com a pele do corpo, e as palavras que já não lhe cabem na boca. Uma mulher sem boca. Louca. Alucinada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(este texto foi um dos vencedores do Desafio de Escrita - Micronarrativas, promovido pela ecO - Associação Cultural de Leiria, e foi publicado hoje, 1 de Julho, no Região de Leiria.)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2721893014133700983?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2721893014133700983/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2721893014133700983&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2721893014133700983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2721893014133700983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/06/uma-mulher-de-palavra.html' title='Uma mulher de palavra'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3257768010980922571</id><published>2011-06-30T20:45:00.000+01:00</published><updated>2011-06-30T20:45:25.794+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='micronarrativas'/><title type='text'>Transpiração</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;A água ferve.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;A cabeça voa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;O pensamento corre, da faixa azul de azulejos em cima do fogão para a parede branca, e desta para o brilho metálico dos talheres lavados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;A água a ferver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;A cabeça a latejar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;O pensamento a correr pelo chão de mosaicos, a deter-se na linha de luz junto à porta, um bocado de sol a rasgar o chão. O chão líquido no olhar alucinado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;A tua voz já não mora aqui. Há muito que o desejo da tua voz lhe ocupou o lugar, na mesa da cozinha, no sofá da sala, no lado direito da cama.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;O desejo da tua voz é o mais parecido que há com uma dor de ouvidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;A água ferve. O vapor espalha-se no ar tépido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;Levanto-me e apago o lume. Tiro uma caneca da prateleira e um pacote de chá da caixa preta, com letras brancas, onde a palavra chá é, de súbito, uma obscenidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;Num relance, vejo-te o corpo nu, a escorrer água, saído do duche. A toalha turca numa intimidade que me arrepia os cabelos da nuca. A tua boca húmida, ligeiramente aberta, a deixar entrever o branco dos dentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;E uma palavra, puta, a escorrer-te dos lábios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;O vapor bate-me no rosto, enquanto despejo a água na caneca. O pacote de chá perverte momentaneamente a lei da gravidade, sangrando, o mar em ebulição à sua volta. E é então que vejo o meu coração em ruínas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3257768010980922571?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3257768010980922571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3257768010980922571&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3257768010980922571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3257768010980922571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/06/transpiracao.html' title='Transpiração'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-5875332173895996692</id><published>2011-06-30T20:43:00.000+01:00</published><updated>2011-06-30T20:43:03.025+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='micronarrativas'/><title type='text'>Temperatura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;Encontrava-se a um canto da cama, o corpo enrolado, como morto. As costas deixavam de lhe pertencer. Era um caracol, protegido pela concha dura. Nas costas ardia-lhe qualquer coisa húmida. Não sabia o que era. A sensação era semelhante à da mão da mãe, e, ao mesmo tempo, substancialmente diferente. Este toque acordava-lhe qualquer coisa debaixo da pele, como se formigas incandescentes se passeassem pelos seus braços e pernas, detendo-se em turbilhão na barriga, ameaçando explodir. Era por isso que se encolhia e enrolava sobre si mesma: para abafar aquela vertigem no centro do corpo. Paralizava os músculos, tornava-os de pedra, para que nada sentissem. Erguia muro atrás de muro até as costas estarem longe, muito longe de si. Dentro das muralhas ficava quieta, muda, adormecida, igual a uma estátua; e com tanta força cerrava os olhos e os sentidos que chegava a acreditar que não estava ali, que estava trancada dentro da fortaleza de pedra que era o seu corpo e que nada a podia tocar. A coisa, todavia, era persistente, e a pele das costas arrepiava-se, contorcia-se em silêncio, gritava num desespero mudo, enquanto dentro de si a temperatura, lenta, fria, deslizava, e subia, subia, subia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-5875332173895996692?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/5875332173895996692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=5875332173895996692&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5875332173895996692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5875332173895996692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/06/temperatura.html' title='Temperatura'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3063733314713534206</id><published>2011-06-23T11:14:00.000+01:00</published><updated>2011-06-23T11:14:21.903+01:00</updated><title type='text'>Back to normal again</title><content type='html'>O facebook estava em baixo, com uma mensagem de erro no site esquisita, e eu disse para os meus botões, pronto, é hoje que isto deu o berro. Ora quero lá saber! Vou para o blogue que é onde eu estou bem. Já nem me lembro de como era, só eu e o blogue e meia dúzia de gatos pingados que me liam, uns mais gatos que os outros, outros mais pingados. E agora tenho uma página de fãs a tudo, e olha, o logo está cá mas já não diz quantas pessoas gostam disto; e para que é que eu preciso de saber quantas pessoas gostam disto? Não me vou armar em parva e dizer que não me importa nada, porque é mentira; claro que gosto que me leiam, por alguma razão criei a página e andei a chatear meio mundo para que clicassem no like. A verdade é que isto vicia, toda a gente sabe, a gente acha que não, que até passa muito bem sem os tags e os comments e os events e os chatos do farmville e as montanhas de friends e os links e os happy birthdays e os coraçõezinhos e as perguntas idiotas e os links marados e as dores de cabeça e mais não sei quê, as notas e os statuos e os vídeos e tanta gente a falar ao mesmo tempo, arre!, mas depois andamos todos lá caídos, todos os dias, que isto um dia sem ir ao FB é assim um dia esquisito, parece que nos falta qualquer coisa, ou que temos alguma coisa trocada, tipo quando vestimos uma meia de casa cor ou a camisa do avesso. E falta mesmo, falta-nos saber dos amigos, o que andam a comer e a fazer e a dizer, o que gostam e o que não gostam, falta-nos saber do mundo, que isto agora para saber de alguma coisa não há como o FB, qual telejornal qual quê, ainda alguém vê notícias? As coisas aqui correm de boca em boca, ou melhor, de face em face, que é como as notícias se espalham melhor, toda a gente sabe. Sabe-se de tudo e denuncia-se tudo, e até começam a surgir resultados, parece-me, olhem aquela dos magistrados que copiaram no exame, e que tinham tido todos nota dez, foi toda a gente a espalhar o link e a dar-lhes em cima, e olhem o que aconteceu, vão todos a exame outra vez, agora digam-me lá, se isto tivesse acontecido, digamos, há dez anos, o que é que teria sucedido? Uma notícia nos principais telejornais e jornais nacionais, em papel e online, e pronto, as pessoas ficariam escandalizadas mas ninguém ia protestar, organizar manifestações, pois não? Iríamos ficar todos a dizer, olha o país que temos, que merda e tal, mas a nossa voz não se faria ouvir em lado nenhum, pois não? Muito menos iria haver novo exame. Bom, mas estou para aqui com esta conversa, e não era bem isto que eu queria dizer, quando dei com o FB em baixo apeteceu-me escrever um post negativo deste, a dizer mal, digamos assim, a mostrar como estamos tão agarrados a este bicho que até nos esquecemos de conversar, ou telefonar, até os emails (já nem falo em cartas), hoje trocam-se mais mensagens via FB com os amigos do que emails, querem apostar? Estava mesmo decidida a escrever algo assim forte, tipo, bah, para que é que eu preciso disto, eu estou muito bem com o meu blogue de estimação onde escrevo quando me apetece e o que me dá na gana só porque gosto de escrever e é isso que quero e acabou-se. Fuck facebook. Tipo grito de revolta. Mas depois aquela porcaria voltou, o erro ou lá o que era acabou, e lá fui eu à minha homepage, que já não andava por lá há que tempos, leia-se um ou dois dias, os que duraram esta constipação pecaminosa que me entupiu os ouvidos e me transformou numa zombie em estado de sonambulismo avançado durante quase 48 horas. Enfim, dizia eu, lá fui espreitar, cheia de saudades dos amigos e de ver as parvoíces que andam a dizer, e as coisas sérias também, pois claro, e lá fiquei toda emocionada com as fotos dos bebés dos meus amigos que acabaram de ser pais, e com mais uma ou outra novidade, às vezes são coisas pequeninas, daquelas trivialidades que se dizem mas que fazem sorrir, e lá estava eu, completamente rendida ao bicho que me dá assim de repente, todos os dias, novas dos meus amigos, que de outra forma eu não saberia, porque não os tenho aqui ao alcance da mão, ou das pernas, ou do carro. E pronto! Back to normal again.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3063733314713534206?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3063733314713534206/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3063733314713534206&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3063733314713534206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3063733314713534206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/06/back-to-normal-again.html' title='Back to normal again'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1298479661354435682</id><published>2011-06-14T18:26:00.000+01:00</published><updated>2011-06-14T18:26:01.561+01:00</updated><title type='text'>Sonho</title><content type='html'>Ultimamente o chão foge-me debaixo dos pés. O mundo parece perder os contornos. O corpo revive uma memória antiga de sofrimento. Deito-me debaixo de um cobertor, enrosco-me e durmo. Nos sonhos, somos sempre aquilo que sentimos. Sonhei com cravos, com flores coloridas, entre outras coisas. Quando acordei comprei uma braçada deles, vermelhos. O sonho espreita-me assim, e observa-me. Aconchega-me no seu regaço e eu deixo-me ficar lá, naquele espaço onde o corpo já não dói.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1298479661354435682?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1298479661354435682/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1298479661354435682&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1298479661354435682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1298479661354435682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/06/sonho.html' title='Sonho'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1720807245722709054</id><published>2011-06-09T19:08:00.003+01:00</published><updated>2011-06-09T20:23:16.517+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>A esperança</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-bN3fo1vLa28/TcmzHUdehiI/AAAAAAAABJY/yF1vHG2Fr_s/s1600/500_9789722046343_por_este_mundo_acima.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-bN3fo1vLa28/TcmzHUdehiI/AAAAAAAABJY/yF1vHG2Fr_s/s320/500_9789722046343_por_este_mundo_acima.jpg" width="211" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movemo-nos numa noite escura. Os passos frágeis, à flor da escuridão. O ar irrespirável. Sobrevivemos, e não queremos crer nessa possibilidade. À nossa volta, o cenário esmagador da realidade, da destruição extrema. Percebe-se que aconteceu uma catástrofe nuclear a nível global; porém, os pormenores, os detalhes de tal cenário escasseiam. Apenas a geografia familiar completamente esventrada, exposta na sua estranha crueldade, uma crueza esmagadora. A minha leitura é a de que este cenário é apenas isso: um cenário, um pano de fundo, porque esta viagem é essencialmente interna. Os recantos cheios de sombras, a derrocada, os cadáveres dos edifícios, as bocas de esgoto a deitar por fora, o lixo, o cheiros, o arrepio do medo, estão cá dentro, dentro de cada um de nós, dentro de quem sobrevive todos os dias, e nessa busca desesperada volta à dimensão física, animal, da existência. Porque é no corpo e nas suas necessidades que tudo começa e acaba. É o corpo que é real, e, paradoxalmente, só o compreendemos quando o perdemos ou quando ficamos reduzidos a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta pela sobrevivência é assim, passo a passo, segundo a segundo, pulsação a pulsação. É um tempo onde nos movemos sem rumo, sem saber a direcção, sem saber nada. E não há ninguém para perguntar o caminho, ao contrário da parábola da existência da boca e da consequente chegada a roma. É um caminho interno e solitário. Uma luta renhida pela lucidez, que começa nos gestos mais banais. E, ao mesmo tempo, o desespero de preservar a memória. Sem ela morremos de facto. Para um sobrevivente, a morte pode ser um consolo, quase um alívio. Para um sobrevivente, cada movimento dói, uma chaga permanente chamada vida. Mas, em lugar de se render ao abraço da morte, da desistência, ele continua em frente, teimoso, raivoso, numa obstinação que tem tanto de desespero como de instintivo. O animal, a fera em acção. A vida, que afinal se conquista, a deitar as garras de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebemos, assim, que o mundo está cheio deles. Sobreviventes. Antes ou depois do acidente, pouco importa. Afinal, o acidente apenas veio definir, exteriorizar, uma catástrofe que se desenhava há muito no horizonte, um cataclismo secular, um poço sem fundo, uma tragédia planetária, que sempre nos acompanhou na vida privada. Agora é posta cá fora, no rosto do mundo. Podemos então olhá-la de outros prismas, conhecê-la, interpretá-la. Não com raciocínios, mas com as emoções à flor da pele. Vemos a busca do sentido. Da memória. Dos livros. Os livros que contam estórias e fazem história. As pessoas de outrora, os amigos, pequenos deuses distantes no paraíso de outra vida, que antes de ser outra era o inferno de todos os dias. O preto transforma-se em branco e o branco em cinzento. Todavia, temos mãos, temos tintas e pincéis, que ficaram da outra vida. É só pegar neles e pintar. A criança que se encontra e nos devolve tudo, de uma assentada, tudo aquilo que julgáramos perdido, tudo o que já não acreditávamos ser possível. Com ela vemos o mundo como se fosse a primeira vez; a destruição passa a ser o cenário primeiro, o ponto de partida; e como mostrar o passado, o que foi destruído, como trazê-lo para o presente, como oferecê-lo às novas gerações? E de súbito, percebemos que o cenário mudou. Abriu-se uma porta, apareceu uma luz, não temos a certeza. O cenário ainda são as ruínas; porém, tudo está diferente. As pessoas falam (as mesmas que antes não falavam, e eram apenas sombras passando ao longe), trocam sorrisos e palavras, trocam coisas; coisas simples, pequenos objectos, e coisas maiores, alegrias, tristezas, estados de alma, e juntas descobrem o poder da partilha, de construir algo em comum. Como se fosse a primeira vez. Assistimos ao renascimento do mundo, da vida, como se a vida fosse uma coisa abstracta, exterior, uma língua estrangeira que precisamos de aprender a decifrar. Experimentamos os sentimentos básicos dessa vida, como quem prova colheres tímidas de sabores desconhecidos: o amor, a amizade, a mulher, o homem, uma criança, um filho, a morte, a raiva, a agressividade, a luta, a coragem, a partilha, o egoísmo, a solidão, a solidariedade, a cumplicidade. O medo, esse, é aquele que já conhecemos de cor, de tanto lhe calçar os sapatos e calcorrear os caminhos. O medo, esse animal que se esconde na toca, encolhido, assustado, e que, ao sentir-se encurralado, se pode tornar gregário, primeiro por desespero, por não ter para onde fugir; depois, e ao perceber, pela primeira vez, um medo igualzinho ao seu no rosto estranho que o olha. E assim nasce aquela flor frágil chamada esperança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1720807245722709054?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1720807245722709054/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1720807245722709054&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1720807245722709054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1720807245722709054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/06/esperanca.html' title='A esperança'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-bN3fo1vLa28/TcmzHUdehiI/AAAAAAAABJY/yF1vHG2Fr_s/s72-c/500_9789722046343_por_este_mundo_acima.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3998118898337294909</id><published>2011-06-09T18:03:00.000+01:00</published><updated>2011-06-09T18:03:16.375+01:00</updated><title type='text'>Olha, Deus ouviu-me</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-qS5_zm6oARg/TfD80yE70EI/AAAAAAAAB9E/yPWX511R8So/s1600/IMG_2560.JPG"&gt;&lt;img border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-qS5_zm6oARg/TfD80yE70EI/AAAAAAAAB9E/yPWX511R8So/s400/IMG_2560.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada :-)&lt;div style='clear:both; text-align:NONE'&gt;&lt;a href='http://picasa.google.com/blogger/' target='ext'&gt;&lt;img src='http://photos1.blogger.com/pbp.gif' alt='Posted by Picasa' style='border: 0px none ; padding: 0px; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: initial; -moz-background-origin: initial; -moz-background-inline-policy: initial;' align='middle' border='0' /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3998118898337294909?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3998118898337294909/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3998118898337294909&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3998118898337294909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3998118898337294909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/06/olha-deus-ouviu-me.html' title='Olha, Deus ouviu-me'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-qS5_zm6oARg/TfD80yE70EI/AAAAAAAAB9E/yPWX511R8So/s72-c/IMG_2560.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2217708173318497114</id><published>2011-06-09T12:22:00.000+01:00</published><updated>2011-06-09T12:22:33.095+01:00</updated><title type='text'>Exorcismo</title><content type='html'>Viver dentro do medo é estar no meio de um nevoeiro cerrado. Não se vê nada. Apenas se sente, se cheira e se ouve. O sentido da visão, porém, é aquele que mais nos desperta a racionalidade, que nos liga à realidade. O da audição também, mas tem de estar ligado a palavras e frases com sentido para nos acordar as ligações neocorticais. De outra forma apenas nos chegam ruídos, murmúrios, sons de um mundo desconhecido que nada tem de real ou racional. Encarar traz esta ação do olhar; mais do que olhar, ver. Olhar a cara de alguém, encarar o medo nos olhos. O nevoeiro dissipa-se. O ar à nossa volta desenha-nos o rosto, e o dele, o do medo. Já não estamos sozinhos nem cegos, estamos acompanhados pelo que sentimos e podemos olhá-lo, por mais terrível que seja. Olhando-o, ao nosso medo, podemos descortinar o que dele é terror, angústia, raiva, revolta, desejo, nojo, pena, mágoa, luto, dor, amor, paixão. Olhando as diversas caras de um mesmo rosto podemos separar o que é nosso e o que é do medo. Podemos perceber que o medo nasce do desejo de nos protegermos, por um lado, e do desejo de que alguém nos proteja; e da constatação dessa impossibilidade. O medo é um labirinto onde nos perdemos e deixamos de ver com nitidez, e em vez de procurar a saída, ficamos paralisados, encurralados. O que nos paralisa é a cegueira. É não ver o caminho. Não ver a saída. Quando o encaramos, ao monstro, libertamo-nos por fim. Isso não quer dizer que o medo desapareça por magia, mas que já não estamos presos. Conseguimos ver o caminho e encontrar a saída. O nevoeiro levanta-se e podemos voltar a casa. Não o deixaremos à porta, ao medo, porque ele faz parte de nós. Contudo, já não somos seus prisioneiros. Já não vivemos &lt;i&gt;dentro&lt;/i&gt; dele, mas &lt;i&gt;com&lt;/i&gt; ele. O medo torna-se uma coisa, quando antes era um contentor; podemos guardá-lo na gaveta, colocá-lo na prateleira, pendurá-lo na parede ou simplesmente deitá-lo fora. Podemos reduzi-lo a cinzas ou crucificá-lo. Parti-lo aos bocados, esmagá-lo, diluí-lo em água, fervê-lo ao lume. Ou podemos brincar com ele. Usá-lo como uma toga, torcê-lo, expremê-lo, lavá-lo. Cozinhá-lo em lume brando, fazer uma sopa, e comê-lo, ou cuspi-lo, cagá-lo, matá-lo e enterrá-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2217708173318497114?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2217708173318497114/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2217708173318497114&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2217708173318497114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2217708173318497114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/06/exorcismo.html' title='Exorcismo'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1798009891491381566</id><published>2011-06-09T00:49:00.000+01:00</published><updated>2011-06-09T00:49:14.366+01:00</updated><title type='text'>Vermelho</title><content type='html'>A hemorragia é grave. O sangue não estanca. O sangue, porém, não sai do meu corpo. São as casas, as ruas, as árvores à minha volta. A cor do sangue aquece-me por dentro. Vislumbro um coração enorme, cheio de artérias e ramificações capilares que se perdem em avenidas, ruelas, bairros periféricos como satélites secundários. Do centro vem a luz, a mancha de sangue. Uma poça de lama, barrenta. E não, não são as minhas feridas. Tenho por elas um carinho maternal, mas não são minhas. Aquilo que me une a ti é apenas a constatação da minha própria dor; o conhecimento dos caminhos dessa mesma dor. De resto, não há nada a unir-nos. Aquilo que vejo em ti e que sinto necessidade de proteger e abraçar sou eu mesma, a criança que abandonei. Consola-me pensar que tens algo meu e que nem o sabes. De ti, não quero nada. Nunca tive nada. Os restos que me deixaste, as braçadas de árvores mortas, abandono-os à tempestade. Não tenho pena. Antes levadas no vento. Para bem longe de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mancha de sangue, ao meu redor, continua a alastrar. Às vezes faço por não vê-la, mas já sei que é inútil. Nenhum esforço consegue anular a fúria dessa cor fantástica que é o vermelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1798009891491381566?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1798009891491381566/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1798009891491381566&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1798009891491381566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1798009891491381566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/06/vermelho.html' title='Vermelho'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7920602679904684858</id><published>2011-06-01T12:01:00.000+01:00</published><updated>2011-09-25T10:14:22.971+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>"Pirata"</title><content type='html'>&lt;table border="0" style="empty-cells: show; font-family: verdana, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr class="hrcolor" size="1" style="background-color: #666666; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-style: initial; border-top-width: 0px; color: #666666; font-family: verdana, sans-serif; font-size: small; height: 1px;" width="100%" /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_bPUXPgwVdBA/TNVN2e5fIOI/AAAAAAAAAEo/mX26PN9l9EY/s1600/Barco-vikingo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/_bPUXPgwVdBA/TNVN2e5fIOI/AAAAAAAAAEo/mX26PN9l9EY/s320/Barco-vikingo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="post" style="font-family: verdana, sans-serif; font-size: small; line-height: 1.3em; overflow-x: auto; overflow-y: auto; width: 1154px;"&gt;&lt;i&gt;"Sou o único homem a bordo do meu barco.&lt;br /&gt;Os outros são monstros que não falam,&lt;br /&gt;Tigres e ursos que amarrei aos remos,&lt;br /&gt;E o meu desprezo reina sobre o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de uivar no vento com os mastros&lt;br /&gt;E de me abrir na brisa com as velas,&lt;br /&gt;E há momentos que são quase esquecimento&lt;br /&gt;Numa doçura imensa de regresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha pátria é onde o vento passa,&lt;br /&gt;A minha amada é onde os roseirais dão flor,&lt;br /&gt;O meu desejo é o rastro que ficou das aves,&lt;br /&gt;E nunca acordo deste sonho e nunca durmo."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophia de Mello Breyner Andresen&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7920602679904684858?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7920602679904684858/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7920602679904684858&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7920602679904684858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7920602679904684858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/06/pirata.html' title='&quot;Pirata&quot;'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_bPUXPgwVdBA/TNVN2e5fIOI/AAAAAAAAAEo/mX26PN9l9EY/s72-c/Barco-vikingo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1820322478328811618</id><published>2011-05-29T19:31:00.000+01:00</published><updated>2011-05-29T19:31:50.392+01:00</updated><title type='text'>Idade</title><content type='html'>Margarida pousou com cuidado a garrafa de plástico cheia de flores em cima da mesa. Sentiu nas narinas o perfume das flores, acabadas de apanhar no quintal. Sentiu também o cheiro da humidade, de coisas velhas, de cantos escuros e cheios de teias de aranha e de pó, o cheiro a casa que está sempre fechada. Da porta escorria um jacto de luz e de calor, que imediatamente era abafado por aquele frio secular que a falta de luz, paredes grossas e pouca circulação de ar provocam. Havia ainda uma janela pequena, a espreitar de uma das paredes, que dava para o galinheiro, por onde entrava uma nesga de luz amarela. O resto da casa morria na penumbra.&lt;br /&gt;Olhou em volta, a apreciar o espetáculo. Tivera um trabalhão a arrumar as coisas nos seus devidos lugares e a limpar as carradas de pó que se haviam acumulado em cima dos móveis. Pusera a lixarada de coisas indistinguíveis e sem uso a um canto escuro, no chão, para que não se vissem. Limpara o pó dos dois móveis com gavetas e da velha arca, enorme, encostada a uma parede. Esfregara alguns pratos, panelas e pucarinhos de barro com energia, mergulhando-os dentro de um alguidar com água, e depois de escorridos dispusera-os em cima dos móveis e de duas prateleiras pregadas na parede. Essas também tinham precisado de uma boa limpeza, com água e sabão. A mesa triangular, toda pintalgada de borrões de tinta, que não saíam por mais que os esfregasse, brilhava, a madeira ainda húmida. O chão fora varrido com zelo, e depois passado com a esfregona; e apesar de ainda estar um pouco encardido, até se conseguia ver a sua verdadeira cor, assim um vermelho vinho, quase roxo. Margarida fechou os olhos ao pousar as flores em cima da mesa. A garrafa era pesada para os seus pequenos braços, uma dessas de litro e meio, cheia de água até acima. E as flores acotovelavam-se no gargalo estreito. Com cuidado, afastou as mãos, mas calculou mal as distâncias e bateu com a mão numa das hastes, desequilibrando o conjunto, e fazendo com que a garrafa tombasse. Num instante, a água inundou a mesa e começou a pingar para o chão, que entretanto acabara de secar. Margarida não gritou. Deitou as mãos à garrafa e pô-la de novo na vertical. Ficou a olhar para a água que deslizava da mesa para o chão. Um pequeno rio a formar-se dentro de casa, depois de ter tido tanto trabalho a limpar. Sentiu os olhos encherem-se de lágrimas. Queria chorar, mas segurou o choro na garganta. Apeteceu-lhe atirar com a garrafa das flores para o chão e ir-se embora, brincar a outra coisa. Mas tivera tanto trabalho a pôr tudo tão bonito! Margarida engoliu um soluço. Avaliou os estragos. Calculou o tempo e a energia que teria de&amp;nbsp;despender&amp;nbsp;até resolver a situação. Suspirou. Imaginou que era uma mulher velha, dessas que passam os dias a cuidar da casa, do marido e dos filhos. Quase que podia ouvir as três crianças, lá fora, no quintal, em correrias e gargalhadas, e ela ali dentro, a fazer torradas para o lanche. Quando fossem horas haveria de assomar à porta e chamá-los para dentro, venham lanchar, meninos! Enquanto pensava, os braços iam desenhando gestos no ar. Agarrou na garrafa com as flores e pousou-a em cima da arca, não sem antes ter passado um pano na parte de baixo. Foi buscar o balde com a esfregona, que ainda estava encostado à parede, lá fora. Ainda bem que não o despejei, pensou. Com o pano apanhou a água de cima da mesa, e depois espremeu-o com firmeza para dentro do balde, repetindo a operação as vezes necessárias. Depois pegou na esfregona e começou a apanhar a água do chão. No início até podia ver as ondinhas que o movimento da esfregona fazia naquele rio em miniatura. Depressa deixou de haver água no chão. Quando terminou, olhou em volta, sem acreditar. Estava tudo perfeito, outra vez.&lt;br /&gt;Vozes lá fora, passos a correr, e as crianças a entrarem pela porta, num alvoroço. Margarida levou as mãos à cabeça.&lt;br /&gt;- Tenham cuidado, o chão está molhado, acabei de entornar a jarra das flores! Vão lá para fora, andem!&lt;br /&gt;Ficou à porta, a vê-los brincar, com vontade de se lhes juntar. Mas havia tanta coisa para fazer, dentro de casa! Não havia tempo para brincadeiras.&lt;br /&gt;Olhou de novo para dentro. O chão brilhava agora, e as flores davam outra graça ao ambiente. Estava tudo impecável. A verdade é que estava tudo tão arrumadinho, que era uma pena deixar entrar as crianças, que iriam desarrumar tudo outra vez. Margarida suspirou. Estava nisto, quando ouviu uma voz chamar, uma voz que vinha de um ponto lá mais à frente, depois do canteiro das couves.&lt;br /&gt;- Meninos, venham para baixo! São horas do lanche!&lt;br /&gt;As crianças deixaram o que estavam a fazer e largaram a correr. Ela quis correr também mas ficou onde estava, pregada ao chão. A voz vinha lá de baixo, da casa, e ao mesmo tempo de dentro do seu peito. Olhou em volta. A casa estava linda por dentro, como nunca a tinha visto antes. Nessa casa guardavam-se as velharias, estava sempre fechada e era por isso que havia tanto pó e cheirava tanto a bafio. Mas hoje ela tinha conseguido disfarçar o cheiro, arejá-la e emprestar-lhe um &amp;nbsp;ar de casa habitada. Ouviu outra vez a voz da avó a chamá-la pelo nome. Os primos já estavam decerto sentados à volta da mesa a comer torradas. Só faltava ela. Suspirou de novo e, em passos pequeninos, foi andando, muito devagar, com vontade de estancar o tempo, e deixar-se ficar para sempre dentro daquele segundo. Deixar que esse instante crescesse, a pegasse pelo braço, como se fosse um gigante a pegar numa boneca de trapos, e a levasse para longe, muito longe dos seus oito anos. Para aquele lugar estranho e inabitável onde sabia não haver idade igual à sua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1820322478328811618?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1820322478328811618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1820322478328811618&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1820322478328811618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1820322478328811618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/05/idade.html' title='Idade'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2444529327652830627</id><published>2011-05-27T09:48:00.000+01:00</published><updated>2011-05-27T09:48:12.754+01:00</updated><title type='text'>Bicho do mato</title><content type='html'>A verdade é que não sabemos relacionar-nos com os outros. Os outros hão-de ser sempre uma espécie diferente, e nós um alien acabado de chegar à terra. Sabemos articular palavras, claro que sabemos, e sorrir, e outros truques como afagar o cabelo, mas o segredo, comunicar, falar, é-nos completamente estranho. À nossa volta vemos os outros, os terrenos, moverem-se com facilidade, despertar sorrisos e frases e admiração ao seu redor, e nós ficamos a olhar, a tentar perceber como se faz, sem êxito. Nós nunca despertamos nada, quando muito um bocejo de tédio. Isto para não falar dos tremores de terra em territórios inóspitos e distantes, todos situados do plexus solar para baixo; mas isso é outra conversa, que estamos fartos de apenas escutar ecos dentro de nós, e apenas e sempre o mesmo silêncio do exterior. Pensando bem, foi para isto que nos preparámos ao longo da nossa (curta? Longa?) vida, para a indiferença, para a invisibilidade. E, afinal, é preciso algum talento para se conseguir chegar lá. Talento? Tretas. É só preciso ter medo, muito medo do olhar dos outros. Que ninguém repare em nós, que os olhares nunca se dirijam para nós, que não aguentamos a vertigem na barriga e a tonteira na cabeça, como se girássemos sem parar num&amp;nbsp;carrossel&amp;nbsp;louco. Não dar nas vistas, o corpo para sempre camuflado no verde da paisagem; não foi para isto que trabalhámos com afinco? Como queremos então que as pessoas nos vejam? Não, nunca saberemos relacionar-nos. Damos os bons dias e as boas noites nas devidas alturas, como a nossa mãe nos ensinou; meninas prendadas e obedientes, bem educadas, subservientes. Por fora mantemos a compostura, enquanto por dentro nos encolhemos, pregamos os olhos ao chão, engolimos a vergonha e ficamos quietas, muito quietas, à espera. Nem sabemos de quê. Afinal não somos deste planeta. As pessoas à nossa volta são seres estranhos que não se inibem de ser tocadas e abraçadas, que não parecem reparar de todo no embaraço que é ter um corpo, como se nelas não coubesse essa dualidade que nos dilacera de alto a baixo, de não saber onde meter as mãos, para onde olhar, quando fechar a boca, onde deixar os pés, quando cruzar as pernas. As pessoas gesticulam e sorriem e disparam palavras na nossa direção, mas nós não sabemos o que querem dizer os sorrisos, os olhares, as palavras. Não falamos a mesma língua. Ninguém fala a nossa língua. É por isso que é tudo tão imprevisível. É por isso que é muito mais seguro que ninguém nos veja ou nos preste atenção. É por isso que é muito melhor o silêncio dentro da nossa cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2444529327652830627?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2444529327652830627/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2444529327652830627&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2444529327652830627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2444529327652830627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/05/bicho-do-mato.html' title='Bicho do mato'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-5317831510020605414</id><published>2011-05-26T20:02:00.000+01:00</published><updated>2011-05-26T20:02:38.499+01:00</updated><title type='text'>Água</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT;"&gt;A água bebia-se a ela mesma, voraz. A água era tanta, e às tantas o corpo já não era sólido, era líquido e escorria por todos os poros, exausta loucura de quem canta sem voz, um mar de palavras em rebentação furiosa na boca, e a boca larga escavada na terra, uma garganta funda sem medo, sem fundo, o corpo a cair e a gravidade uma dor na nuca, debaixo do chuveiro a água cai em torrente, pelo ralo vai a largura do mundo, para o fundo, para o fundo da memória. E nos olhos acorda o clamor, as vozes erguem-se, genuínas, líquidas, profunda transformação, erosão, transpiração, línguas pálidas e gastas, já sem fôlego, secas, cheias de sede, sem água o corpo mirra e as ideias tornam-se leves, etéreas, pequenos flocos a pairar acima das nuvens, acima das almas, acima dos mares gelados que são as nuvens brancas, coladas à terra, rentes à água.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-5317831510020605414?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/5317831510020605414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=5317831510020605414&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5317831510020605414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5317831510020605414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/05/agua.html' title='Água'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2080419606129529124</id><published>2011-05-24T12:50:00.000+01:00</published><updated>2011-05-24T12:50:56.972+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas de mãe'/><title type='text'>Eles deixam-nos</title><content type='html'>Às vezes lembro-me. De quando tinha de lhe contar uma estória todas as noites, para o adormecer, ao mais velho. Era sempre a mesma, o capuchinho vermelho. Já tinha até uma versão reduzida, que era para despachar aquilo, e tantas vezes a repeti que já a sabia de cor. Está claro que entretando esqueci. Lembro-me de que, a certa altura, desatávamos a rir, e era sempre igual, todas as noites. Era naquela altura em que a capuchinho encontra o lobo deitado na cama, vestido com as roupas da avó. Nessa altura eu fazia voz de falsete e dizia, &lt;i&gt;ó vó, mas tu hoje estás muito esquisita...&lt;/i&gt; E ele ria-se, ria-se, ria-se. Ríamos os dois. E também as risadas eram iguais todas as noites, mas por isso não nos roubavam a vontade de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mais novo também contei muitas estórias, mas não me lembro de nenhuma assim, que tivesse de repetir à exaustão todas as noites. Lembro-me também de ter de andar sempre atrás deles a acender as luzes porque ainda não chegavam aos interruptores. E de ter de lhes limpar o rabo. Escada acima, escada abaixo, isto já foi cá, portanto era com o mais novo. Com o mais velho foi a mesma coisa, mas não tinha de subir escadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormir com eles na mesma cama, sentir-lhes os pés ou os joelhos cravados nas costas, ui, tantas vezes. Ouvir-lhes o choro e invejar-lhes o modo como gritam o seu desgosto sem pudor. Calçar-lhes os sapatos, tantas vezes, os mesmos gestos, e agora calçar-lhe (eu) as sandálias, do mais velho. O pé dele maior que o meu. As sandálias do ano passado servem-me na perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É daquelas poucas ocasiões em que digo, se voltasse atrás, faria tudo igual. Ou ainda assim, não. Se pudesse voltar atrás voltaria a viver tudo com muito mais paciência, com muito menos pressa, sabendo de antemão que tudo passa a correr. O que é que são seis meses, um, dois, três anos? Os primeiros anos dos nossos filhos são tempos de ouro que nunca mais se voltarão a repetir. O segredo está em gozá-los no momento, para que a recordação seja doce e a nostalgia qb. Tenho pena quando vejo aquelas mães cheias de pressa, pressa de que eles cresçam, que lhes larguem a mama e as saias, que deixem as fraldas, que as deixem respirar, que as deixem. Eles deixam-nos, e muito mais depressa do que gostaríamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2080419606129529124?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2080419606129529124/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2080419606129529124&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2080419606129529124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2080419606129529124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/05/eles-deixam-nos.html' title='Eles deixam-nos'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2133851344579003189</id><published>2011-05-23T00:52:00.001+01:00</published><updated>2011-05-24T12:29:10.548+01:00</updated><title type='text'>Juros e juras</title><content type='html'>A vida tem passado por ela, e ela vira-lhe as costas. Como quando vemos alguém na rua que e não queremos ser reconhecidos. Pode ser um amigo distante da infância longínqua, um desses personagens que se ria à pala das nossas fraquezas, e a quem, por causa dessas mesmas fraquezas, nunca conseguimos deixar de chamar amigo. Pode ser um ex qualquer, violento, ou apenas chato. Melga. Cola. Eu sei lá! Pode ser aquela professora do 7º ou do 8º ano que nos estava sempre a mandar para a rua, e a quem jurámos tantas vezes partir as trombas. Pode ser um vizinho que não nos descolava os olhos do decote, nós com catorze ou quinze anos e ele com sessenta. Pode ser a gorda da primária a quem chamávamos baleia azul, nós e o resto da classe. Ou podemos ser nós a gorda da primária, e a outra uma dessas que connosco gozavam. Pode ser aquele matulão que um dia nos encostou contra a parede e nos esmagou o sexo com a mão de pedreiro, deixando-nos um rasto nauseabundo que subiu do meio das pernas até à garganta. Ou pode ser aquele cabrão que nos estava sempre a copiar nos testes, e tirava melhor nota que nós. Ou aquela boazona que nos roubou o namorado. Ou aquele gajo a quem devemos dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou pode ser ela, a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida a passar por ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ela a virar-lhe as costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quer ser reconhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter que sorrir. Estender a mão. Responder às perguntas da praxe. Fingir. Fingir. Fingir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a vida a sorrir, de dentes perfeitos, a transbordar felicidade, a sacudir os cabelos repletos de sol. E ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pequenina. Pequenina. Tão pequenina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, tem ganas de lhe atirar as mãos ao pescoço. À vida. Puxar-lhe os cabelos com violência, pregar-lhe uma chapada bem dada, daquelas que deixam os dedos marcados no rosto. Desfazer-lhe o sorriso idiota com o punho cerrado, arrancar-lhe a felicidade do peito, rasgá-la com fúria e calcá-la com as botas. E depois perguntar-lhe. Atirar-lhe as palavras como pedras à cara. Porque é que sou eu que tenho medo de elevadores, e de pontes, e de homens com barba, e não tu? Porque é que sou eu que sofro com estes ataques de pânico, que à noite não durmo, que tenho de deixar sempre uma luz acesa? Porquê sempre este medo de sufocar, como se garras invisíveis me cravassem o pescoço, como se o medo fosse uma coisa concreta alojada na garganta? Porquê, minha grande puta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que se chama deitar contas à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a vida a cobrar com juros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2133851344579003189?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2133851344579003189/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2133851344579003189&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2133851344579003189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2133851344579003189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/05/juros-e-juras.html' title='Juros e juras'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1887933546598495889</id><published>2011-05-12T13:30:00.000+01:00</published><updated>2011-05-13T21:34:18.622+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='as minhas conversas com deus'/><title type='text'>Desejo maior</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-8rq37YOUfZk/TcvVB925G7I/AAAAAAAAB88/u7C5Xn3M9-Y/s1600/nwetieomar.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-8rq37YOUfZk/TcvVB925G7I/AAAAAAAAB88/u7C5Xn3M9-Y/s320/nwetieomar.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, eu rendo-me, crédula e demente, à tua existência; se quiseres até vou em peregrinação, não a Fátima, mas ali ao alto da colina do parque, que é um lugar onde, de certeza, escolherias para tua morada, ainda que transitória ou parcial, uma vez que tens de te distribuir pelo mundo fora. Posso aprender a rezar, se for caso disso, e também acender uma velinha; até penitenciar-me, desde que não implique flagelações corporais, que para isso não tenho estômago; um mês sem comer chocolate, que te parece? Não faças essa cara, que não há pecado maior que a gula, não é assim? Mas vá, chega de conversa; o que eu quero dizer é que este, este é que não pode passar. Vá lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1887933546598495889?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1887933546598495889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1887933546598495889&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1887933546598495889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1887933546598495889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/05/desejo-maior.html' title='Desejo maior'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-8rq37YOUfZk/TcvVB925G7I/AAAAAAAAB88/u7C5Xn3M9-Y/s72-c/nwetieomar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1407905918707453536</id><published>2011-05-11T10:42:00.003+01:00</published><updated>2011-05-11T14:14:43.134+01:00</updated><title type='text'>Desilusão é o contrário de ilusão. Desistir é o contrário de existir? E descrever é o contrário de escrever?</title><content type='html'>Que horror, pensou, ao acabar de ler o que escrevera. Como é que é possível? Estava ali, esparramada no lodo, completamente nua, dissecada nas palavras, nas sílabas, nas orações subordinadas, coordenadas, apelativas, ou simplesmente ajoelhadas. Caramba, pensou. Não quero ser dessas malucas que escrevem blogues como quem vai ao psicanalista; não, eu quero escrever estórias, inventar personagens, criar enredos! Ficção, literatura; chamem-lhe o que quiserem; ai a minha vida! Espera, tu ainda não tinhas percebido isso? Tu que escreves quase desde que te lembras? Desde que aprendeste a escrever, pelo menos... Ai não? Antes também? Quê? Escrevias na tua cabeça? Boa, essa nunca tinha ouvido. Então e agora é que percebeste isto, ou estás outra vez a gozar? Estás a armar, não é? Pois, mais uma das tuas estórias, dos teus retratos ficcionados, das invenções com que vestes as palavras, convencida de que assim ninguém vê o que está por detrás; a nudez, a tua nudez, qual a das palavras! Tu, que até podias ser psicanalista, se não tivesses deixado a tua análise ainda antes mesmo de ela começar, ainda não tinhas percebido? Escreve mas é, mergulha de cabeça na associação e dissociação livre, construção e reconstrução onírica, integração e desconjunção do pensamento, expansão e contração corporais e mentais. Anda, deixa-te de merdas; sempre é mais barato que o psicanalista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1407905918707453536?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1407905918707453536/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1407905918707453536&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1407905918707453536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1407905918707453536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/05/deslisao-e-o-contrario-de-ilusao.html' title='Desilusão é o contrário de ilusão. Desistir é o contrário de existir? E descrever é o contrário de escrever?'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6862837493883140285</id><published>2011-05-11T10:22:00.000+01:00</published><updated>2011-05-11T10:22:18.279+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='as minhas conversas com deus'/><title type='text'>Veias cavas</title><content type='html'>Também, não sei o que me deu para me pôr agora a falar contigo. Faço-me essa pergunta e encolho os ombros de seguida, porque a verdade é que estou um bocado farta desta minha necessidade quase doentia de explicar tudo. O que também não deixa de ser verdade é que o cepticismo, aquele de que falava mais abaixo, há muito que me abandonou. Há muito que abdiquei da racionalidade, a mesma de que tanto me orgulhava aos dezasseis anos, e há muito, também, que deixei de acreditar apenas naquilo que vejo. Por vezes, aliás, encontro muito mais verdade no que apenas pressinto, ou intuo; ou naquilo que desconheço. O desconhecido fascina-me, apesar de ainda me assustar; e o que me fascina mais é o facto de saber que nunca vou conhecer tudo. Acreditar em ti, porém, ainda não. A pergunta, então, ganha renovada (im)pertinência: o que é que me deu para me pôr a falar contigo, se nem sequer acredito que estejas aí? A maluqueira chegou tão longe? O meu lado irónico segreda-me ao ouvido que isto é tudo uma invenção, uma brincadeira, um pretexto para escrever; afinal não passas de mais um personagem criado por mim. Pois, deus sou eu, então não percebeste logo? Mas depois há aquele significado oculto que nasce de tudo aquilo que fazemos e pensamos, quase sem darmos conta; algo que trespassa a nossa vontade e a realidade à nossa volta. Não, deixa-te de lérias, diz-me o meu outro lado, o mais clarividente; aquele que não precisa de olhos para ver; tu estás mesmo a falar com deus. Ou, pelo menos, com aquilo que imaginas possa ser igualado a deus. É difícil perceber o que significará este conceito para uma pessoa que afirma não crer em deus, mas ele existe. O conceito. E não é apenas ideológico, é também um espaço emocional. Um espaço que o descrente sabe à partida não ter acesso. Pois eu, ou uma parte de mim, há muito que abri essa porta. Não a porta para deus, mas para outras realidades, outras vivências, outros universos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para quê, então? A pergunta persiste. E porquê agora? Será mesmo só uma brincadeira, uma forma espirituosa de arranjar assunto? Ou estarei mesmo à procura de algo? Um sinal? Um milagre? Não, claro que não, responde o meu lado irónico, com um sorriso displicente. E depois ri-se. O meu lado fútil, aquele que detestava na adolescência e com quem me reconciliei por aí, pelas esquinas, pelos túneis das veias cavas que me indicaram o caminho para o coração, diz-me que se calhar estou mas é na crise da meia idade. Mas espera, não, isto não é um rótulo; estás naquela fase de olhar para trás, para a frente, avaliar o caminho, medir as distâncias, percorridas e por percorrer, imaginar os atalhos que poderiam ter sido desbravados, pesar a bagagem e deitar fora o supérfluo, que as costas já não são as mesmas de há vinte anos, e lá num recanto escondido da mente, continuar a sonhar com o mar. Não fosse o meu lado supérfluo a falar. Apesar de termos feito as pazes, às vezes ainda me dá ganas de lhe deitar as mãos ao pescoço. E agora fala o meu lado rebelde, aquele que domei com esmero na adolescência: eu quero lá saber de fases. Eu não vivo por fases. Crise da meia idade? Não sei o que é, assim como nunca cheguei a perceber o que é a crise da adolescência. Tenho por elas o mesmo desprezo que os portugueses têm pelos políticos quando os ouvem falar da crise, seja ela local, global, lojística, financeira, ou o raio que o parta. Crises são as guerras, a fome de populações inteiras, os cataclismos, as catástrofes naturais: tornados, tsunamis, terramotos, avalanches, derrocadas. Crises que nos obrigam a sobreviver sem olhar a meios. O subsequente chama-se stress pós traumático e acompanha-nos para o resto da vida. Mas disso, meu deus, deve tu estar farto de saber, que tens olhos e ouvidos por toda a parte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6862837493883140285?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6862837493883140285/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6862837493883140285&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6862837493883140285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6862837493883140285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/05/veias-cavas.html' title='Veias cavas'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-7710101012355889692</id><published>2011-05-10T23:33:00.001+01:00</published><updated>2011-05-10T23:40:00.973+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='as minhas conversas com deus'/><title type='text'>Agora que comecei tomei-lhe o gosto</title><content type='html'>Se calhar devia deixar cair as palavras, uma a uma, como pedras num charco, e ficar a ver os círculos na água abrindo-se até ao infinito. Se calhar devia deixar nascer na garganta a vontade de cantar ou gritar até ficar rouca. Um grito animal que devorasse o fogo que me corrói a garganta de cada vez que me calo. Sim, tenho a garanta permanentemente inflamada por causa daquilo que não me atrevo a dizer. Tu deves ser um ouvinte paciente. Daqueles que não interrompem, não bocejam, não piscam os olhos nem olham para o relógio. Daqueles que nem sequer dizem nada, que parecem olhar para dentro de si mesmos, ou para as nuvens, ou para ontem. De tal forma que a gente chega a duvidar se nos estão mesmo a ouvir, ou se adormeceram de tédio. Talvez o melhor ouvinte seja esse, o que apenas finge que não ouve, enquanto se apresenta distraído para não nos coibir ou despertar a timidez latente que todas as confissões embargam. Quem sabe só na penumbra, ou acreditando que não temos testemunhas, ousemos enfim erguer a voz. Não a voz que nasce da vibração das cordas vocais, mas aquela que nos vem cá do fundo, do ventre, do plexo solar, fonte da energia que nos alimenta a corporalidade. Essa voz eu desconheço. Talvez tu ma possas dar a conhecer. Não sei. Quero crer que as pessoas se dirigem a ti muitas vezes em desespero de causa, quando à sua volta não encontram de facto aqueles ouvidos de que precisam. Alguém que saiba escutar. Consegues dizer assim de repente o nome de alguém que o saiba? Pensa bem... Escutar exige silêncio. Muito pouca gente sabe estar em silêncio. E depois há outra coisa, é que quem escuta verdadeiramente não faz perguntas, deixa o outro falar. deixa o outro fazer as perguntas e responder-lhes, ou não; ou simplesmente calar-se. Escuta-lhe o silêncio e isso basta. Escuta-lhe o silêncio como se o bebesse, e assim incorpora-o no seu próprio silêncio. E de seguida devolve-lho, o seu silêncio, fruto da comunhão dos dois. É isso que representas, sim. Um par de ouvidos do tamanho do maior continente mundial. As igrejas deviam ter pintados nas paredes altas e nos tectos ouvidos alados, em vez de anjos. E nos vitrais deviam brilhar puríssimos ouvidos celestiais. As batidas do tambor deviam substituir a melodia aquosa do órgão, nas missas; o caracol devia ser considerado um animal divino, e o tímpano, essa delicada membrana, devia ser preservado de ruídos exacerbados que atentassem contra a sua pureza virginal... Estás a sorrir. Consigo ver-te sorrir, apesar de tentares, a todo o custo, disfarçar. Como aqueles pais que se esforçam por não rir quando os filhos praguejam. Confessa que achas piada às minhas blasfémias. E depois, acertei, não foi? Eu, que não sei rezar, acabei de te dar o retrato da verdadeira oração. Ou deveria dizer, da essência da oração. É que não há uma verdade, nesta matéria, como em tantas; ou pelo menos, apenas uma verdade. O que há é uma essência, que se preenche com o significado que cada um lhe atribui. Cada um procura o seu silêncio, ou o seu ruído, ou simplesmente o seu estar. Sem silêncio nem ruído. E claro que as palavras são escusadas. O que interessa é o que elas dizem. Ou acendem, iluminam, ateiam, transportam, afluem. Confessa, vá. Para uma descrente até que saí melhor que a encomenda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-7710101012355889692?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/7710101012355889692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=7710101012355889692&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7710101012355889692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/7710101012355889692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/05/agora-que-comecei-tomei-lhe-o-gosto.html' title='Agora que comecei tomei-lhe o gosto'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-5110759983570369430</id><published>2011-05-09T00:36:00.003+01:00</published><updated>2011-05-09T00:40:09.477+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='as minhas conversas com deus'/><title type='text'>Oração subordinada</title><content type='html'>Talvez afinal não seja tarde para aprender a falar contigo. A verdade é que não sei dirigir-me a ti pelos métodos convencionais. Nunca rezei um terço, nem uma ave maria, nem sequer um pai nosso. Lembro-me de ter entrado em muitas igrejas, ao longo de todo o país, principalmente em visitas a cidades e terreolas por onde passávamos nas férias; contudo, nunca para ir à missa. A única missa a que assisti foi numa queima das fitas da universidade sénior, quando uma das inúmeras primas mais velhas terminou uma licenciatura qualquer, teria eu para aí uns dezoito ou dezanove anos. Gostei do ambiente festivo, das vozes do coro e da música do órgão. Antes disso vi muitas vezes pessoas em oração contida, ajoelhadas ou sentadas, murmurando ladainhas ininteligíveis enquanto as mãos se afadigavam com as contas do terço, e nunca fiz a mais pequena ideia do que te diriam elas em tais sussurros silenciosos. Pode dizer-se que sou uma completa ignorante no assunto. Não espanta, portanto, que me sinta constrangida. Tenho, para além disso, um passado pragmático de cepticismo científico que nunca me permitiu entender nem conceber a tua existência, pelo que me encontro numa posição deveras patética se atendermos às certezas absolutas que, já na infância, me assaltavam e me faziam crer no total absurdo que era alguém acreditar em ti, e, por suposto, falar-te. Por conseguinte, aqui me encontro, a fazer esta triste figura de não saber por onde começar, nem o que dizer, muito menos que raio me deu para sequer me passar pela cabeça a tentativa de encetar uma conversa contigo. Ainda para mais está visto que não perdi a arrogância que o tal cepticismo me deixou de herança; se estás a ouvir-me estás também absolutamente convicto da minha condição extrema de pecadora, uma vez que, e isto em abono da verdade deve-se apenas à minha franca ignorância sobre os correctos modos de me dirigir à tua virtuosa divindade, insisto em tratar-te por tu e em transformar um momento solene e de profundíssimo significado como é a oração, numa conversa de tu cá tu lá. Mas se és tão generoso como dizem os que em ti crêem, e se tudo perdoas e amas igualmente todos os teus filhos e filhas, como apregoa com quem contigo partilha intimidades divinas e com todos os modos a preceito (perdão, talvez intimidades não seja a palavra adequada, talvez espiritualidades venha mais a calhar); se de facto todos os pecadores têm um lugar no teu coração, com certeza perdoarás também a minha falta de jeito, e como és a inteligência suprema, saberás ler nas minhas pobres palavras, sem nobreza nenhuma, o significado que elas guardam, este sim o fulcro da questão, e não os adornos nem os malabarismos que a riqueza do vocabulário apropriado tantas vezes mascara, sem contudo dar qualquer riqueza intrínseca ao que se diz. E com tanta explicação já me perdi, já nem sei bem o que te queria dizer. Se calhar devia era deixar-me de explicações e justificações e apenas procurar dizer o que quero, sem pretenções, mas também sem medo de ofender a tua condição superior e absoluta. É isto que mais me faz confusão, sabes, quando vejo tanta gente prestar-te adoração, curvar-se perante ti, idolatrar e venerar as tuas qualidades sublimes e gloriosas, e vejo apenas um rebanho de ovelhinhas assustadas, a confessar os respectivos pecados e a cumprir a penitência com a resignação e o alívio de quem teme a qualquer momento o trágico castigo divino. Que as pessoas te amem e te venerem em festa, e que assim se elevem à tua graça e se sintam parte de algo maior e imbuídas de uma força divina que as faz ter esperança e fé e mover montanhas se for caso disso, não me faz confusão nenhuma, antes pelo contrário; chego a invejar tal estado de espírito. Mas que as pessoas te temam e se refugiem no medo para assim se martirizarem e prolongarem uma existêcia mesquinha, onde a falsidade e a hipocrisia imperam, onde a maldade germina e o terror é a arma que arremessamos aos olhos dos que connosco não comungam, isso nunca vou entender, e, tenho a certeza, se realmente estás aí, também não entenderás e nem sequer aceitarás, já que tudo vês e em todo o lado estás. Mas olha, também não era bem isto que te queria dizer, e agora já me passou. Desculpa, deve ser da hora. Se sabes ler nas entrelinhas, tudo isto faz sentido; se não sabes, fica para a próxima. Também não sei como me devo dirigir a ti nas despedidas, por isso fico-me pelo modo terno e informal com que a minha avó me desejava, antes de dormir, uma noite descansada. Apesar de não ter a certeza se aí, no teu poleiro, também há dias e noites; ou se, pelo contrário, é sempre dia, ou antes uma noite eterna. Sem dia não há noite e sem noite não há dia, assim como sem luz não há escuridão e vice versa. Para ti tanto faz, já que tudo vês e em toda a parte estás; portanto não será dia nem noite, nem luz nem escuridão, nem vida nem morte, já que tudo é nada quando nada é tudo o que não podemos ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-5110759983570369430?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/5110759983570369430/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=5110759983570369430&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5110759983570369430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5110759983570369430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/05/oracao-subordinada.html' title='Oração subordinada'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2632038933785901814</id><published>2011-04-29T14:57:00.000+01:00</published><updated>2011-04-29T14:57:15.498+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='as minhas conversas com deus'/><title type='text'>Lista de desejos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-H_9HonoJeHY/TbrB8rkmTgI/AAAAAAAAB8s/4sOOmckDZ-E/s1600/8388594_mYe15+%25281%2529.jpeg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-H_9HonoJeHY/TbrB8rkmTgI/AAAAAAAAB8s/4sOOmckDZ-E/s320/8388594_mYe15+%25281%2529.jpeg" width="201" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-pMWua63gJFY/TbrB_caGd-I/AAAAAAAAB8w/tud_ZD8_sXE/s1600/todos+os+homens.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-pMWua63gJFY/TbrB_caGd-I/AAAAAAAAB8w/tud_ZD8_sXE/s1600/todos+os+homens.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-GnpRuXs51ic/TbrCCGLCTuI/AAAAAAAAB80/62SAs6fyGHA/s1600/a-noite-das-mulheres-cantoras.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-GnpRuXs51ic/TbrCCGLCTuI/AAAAAAAAB80/62SAs6fyGHA/s320/a-noite-das-mulheres-cantoras.jpg" width="205" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-TvzifOp6ENs/TbrCE_4CTOI/AAAAAAAAB84/efyNVWBtQvk/s1600/o-livro-dos-homens-sem-luz.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-TvzifOp6ENs/TbrCE_4CTOI/AAAAAAAAB84/efyNVWBtQvk/s1600/o-livro-dos-homens-sem-luz.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2632038933785901814?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2632038933785901814/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2632038933785901814&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2632038933785901814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2632038933785901814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/lista-de-desejos.html' title='Lista de desejos'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-H_9HonoJeHY/TbrB8rkmTgI/AAAAAAAAB8s/4sOOmckDZ-E/s72-c/8388594_mYe15+%25281%2529.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2866432598512427292</id><published>2011-04-25T12:30:00.000+01:00</published><updated>2011-04-25T12:30:29.824+01:00</updated><title type='text'>Liberdade em carne viva</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-49_LArbN2S0/TbVbMXb6VoI/AAAAAAAAB8o/MIL9Ow9y5nI/s1600/Chrysanthemum.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-49_LArbN2S0/TbVbMXb6VoI/AAAAAAAAB8o/MIL9Ow9y5nI/s320/Chrysanthemum.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou engasgada&lt;br /&gt;a liberdade atravessada&lt;br /&gt;na garganta&lt;br /&gt;a ferida ao pé da boca&lt;br /&gt;e a boca que não canta&lt;br /&gt;e nada espanta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci-me de mim.&lt;br /&gt;Esqueci-me do mundo. De tudo.&lt;br /&gt;De como o sol gira, parecendo estar parado&lt;br /&gt;de como o tempo estanca, parecendo eterno&lt;br /&gt;de como a vida passa, prarecendo nada&lt;br /&gt;de como um grito soa, parecendo mudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que me enganei&lt;br /&gt;nas horas?&lt;br /&gt;Será que o que esqueci foi,&lt;br /&gt;não o mundo&lt;br /&gt;mas o fundo&lt;br /&gt;da memória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que deixei encher o copo&lt;br /&gt;gota a gota&lt;br /&gt;e nada fiz?&lt;br /&gt;Deixei a meia rota&lt;br /&gt;desfiz o novelo&lt;br /&gt;e quando quis remendar&lt;br /&gt;passajar abafar&lt;br /&gt;era tarde e estava seca. Estava gasta, a planta.&lt;br /&gt;Estava em carne viva, a garganta.&lt;br /&gt;E a voz, já nada espanta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2866432598512427292?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2866432598512427292/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2866432598512427292&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2866432598512427292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2866432598512427292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/liberdade-em-carne-viva.html' title='Liberdade em carne viva'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-49_LArbN2S0/TbVbMXb6VoI/AAAAAAAAB8o/MIL9Ow9y5nI/s72-c/Chrysanthemum.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-282466048232590289</id><published>2011-04-23T00:07:00.002+01:00</published><updated>2011-04-23T00:13:36.787+01:00</updated><title type='text'>E ainda estou para saber se isto aconteceu mesmo, ou se foi tudo imaginação minha</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, Times, serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;O anjo&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, Times, serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;(republish)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, Times, serif; font-size: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, Times, serif;"&gt;Devia ter-me deixado dormir, sem dar por isso, sentada na cadeira com o apoio das costas virado para a frente, as mãos e a cabeça apoiadas nele, as pernas uma para cada lado. No quarto, minúsculo, apenas a cadeira, uma mesinha de cabeceira, e a marquesa onde o meu filho dormia um sono profundo e tranquilo, depois do inferno das dores e daquela corrida para o hospital. Adormecera ainda na ambulância, embrulhado num cobertor, depois de ter conseguido sorrir quando a paramédica lhe ofereceu um balão feito com uma daquelas luvas que eles usam, onde pintou uns olhos e uma boca sorridente por baixo da crista formada pelos dedos, pequeninos, que se espetavam da bola de ar em que se transformara a luva depois de cheia. Quando o passaram da maca para a cama, ainda acordou com o choro todo inteiro dentro dos pulmões, mas o cansaço acabou por vencê-lo, derrotado. Agora dormia e eu mal me aguentava em pé, o cansaço, a noite quase em claro, tudo acumulado nos meus ombros como um fardo muito pesado. Sentia os olhos a fecharem-se, e só me apetecia estender, nem que fosse no chão, e dormir. A única coisa que havia ali era a cadeira, e um banco, mas esse não oferecia serventia nenhuma. Acabei por me sentar, naquela posição incómoda, as costas dobradas para a frente, numa curva, mas nem sentia o esforço dos músculos, nem a tensão, nada. Só o sono a invadir-me a consciência de mansinho, pesando nas pestanas e estendendo-se pelos caminhos ocultos e cheios de névoa entre os olhos e as planícies extensas e exaustas do estado de vigília.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, Times, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, Times, serif;"&gt;Fechei os olhos, e quando os abri, talvez desperta pelo ruído da porta, ele estava ali. Vestia uma bata azul clara, portanto devia ser médico, ou enfermeiro, naquele momento não saberia dizê-lo, tinha passado nesse dia por tantas batas de cores diferentes que não sabia identificá-las. No quarto a luz ascendia vagarosa de uma lâmpada oculta algures na parede, apenas uma luz de presença, fraca, o que fazia com que as sombras se avolumassem e a obscuridade nos afagasse as pálpebras numa carícia suave. Abri os olhos, levantando a cabeça, que me pesava toneladas. Por um segundo, estava naquele limbo dos sonhos, em que não sabemos bem onde estamos, mas que rapidamente dá lugar à consciência das coordenadas dos acontecimentos. Ele entrou e sentou-se no banco, ao meu lado, como se fosse o próprio silêncio. Devo ter olhado para ele com a vista nublada, perdida ainda no território sonâmbulo do sons, mas ele sorria. Depois começou a falar, e a sua voz era um sussurro. Pedia desculpa, era só para tomar algumas notas. Trazia na mão uma capa daquelas duras, onde se prendem folhas de papel A4 pressionando uma mola no topo, e na outra mão segurava uma caneta. Eu dei por mim a responder àquele sorriso que de súbito me invadia de paz e serenidade. Quando relembro esse momento, às vezes, tenho dúvidas se não estaria a sonhar. Provavelmente não acordei, dormi sentada na cadeira, e aquela visita não aconteceu realmente. Ele falava baixinho, fazendo perguntas, às quais eu respondia automaticamente, quase sem pensar. Estava no limite das minhas forças, cansada e cheia de sono, e aquela voz escorria pela minha face como se os dedos da minha mãe me afagassem ao de leve, numa carícia muda, água morna. Os olhos eram doces, macios, e o sorriso sincero, meigo, próximo. Os traços do rosto eram delicados, como o são alguns dos rostos asiáticos, os olhos rasgados, a pele quase imberbe. Era um homem, sem dúvida, um homem bastante novo, pareceu-me, mas o rosto tinha qualquer coisa de feminino, uma leve androginia que lhe empretava um ar etéreo, quase irreal, como se o seu corpo pairasse acima do chão. Um anjo, mascarado de médico, com a bata azul e o estetoscópio pendurado ao pescoço, apenas para disfarçar. A dada altura explicou-me que devia elevar a perna do miúdo quando estivesse deitado, para que a circulação ficasse facilitada, e para exemplificar segurou-lhe na perna adormecida, o que fez com que o gaiato quase despertasse, o sono subitamente assaltado por soluços que depressa se tornariam num choro lancinante não fosse ele baixar-lhe rapidamente a perna, com aqueles gestos delicados e a voz pedindo desculpas, que magicamente devolveram o sono dos justos ao rosto tranquilo do meu filho. Estou certa de que noutra circunstância lhe teria saltado ao pescoço, numa fúria de protecção maternal em ebulição; porém, inexplicavelmente, estava ali, sorrindo, como se não fosse nada, certa de que aquela criatura não poderia trazer mal nenhum a ninguém, certa de que tudo o que aquelas mãos tocassem permaneceria abençoado para sempre. Depois de mais meia dúzia de palavras, ele foi-se embora, exactamente como veio - levemente, com o mesmo sorriso nos lábios, o murmúrio da sua voz a ecoar pelas paredes e a demorar-se no meu ouvido interno. Eu, acho, voltei a adormecer, os meus ombros subitamente mais leves, a angústia adormecida no peito por magia, como um bebé que tivesse sido embalado pelo sussurro daquela voz. Adormeci, de certeza, mais uns segundos, minutos, até ser acordada pela luz, uma faca a espetar-se-me nos olhos, e a enfermeira a entrar no quarto, como uma avalanche, para me anunciar que a ambulância já tinha chegado, aquela que nos ia levar de novo a casa. Depois, dois homens, um deles pegou no meu filho ao colo, interrompendo-lhe bruscamente o sono e acordando-lhe todos os demónios das dores e do choro - o choro dele de encontro às paredes dos corredores do hospital, eu quase a correr para lhes acompanhar o passo, ainda estremunhada, incrédula, perplexa, o sono puxado e preso atrás dos olhos, como um elástico muito apertado. Ainda olhei em volta, à procura dele, do anjo, o meu anjo, mas não o vi em parte nenhuma. Havia, decerto, regressado ao seu reino de silêncio e magia.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-282466048232590289?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/282466048232590289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=282466048232590289&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/282466048232590289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/282466048232590289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/e-ainda-estou-para-saber-se-isto.html' title='E ainda estou para saber se isto aconteceu mesmo, ou se foi tudo imaginação minha'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3646124625965056213</id><published>2011-04-22T23:48:00.000+01:00</published><updated>2011-04-22T23:48:57.000+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o mais novo'/><title type='text'>Tanto tempo</title><content type='html'>Hoje perguntou-me qual perna partiu, a esquerda ou a direita. Eu já não me lembrava. Fomos ver as fotografias e lá estava a perna azul, a direita. Ele achava que era a esquerda e eu disse-lhe para se pôr na posição da fotografia e ele lá percebeu. Depois ficámos para ali a ver fotografias. Eles tão pequeninos. Tinha 2 anos quando partiu a perna. É o mesmo quando releio os textos dessa altura. Parece há uma eternidade. Como é que me posso ter esquecido qual perna é que ele partiu? Durante muito tempo tudo isso estava aqui gravado na memória. Era só fechar os olhos e via-me a enfiar-lhe uma agulha de &lt;i&gt;tricot &lt;/i&gt;entre a pele e o gesso, para lhe aliviar as comichões, que eram ferozes, e nessa imagem tinha a cena à minha frente e visualizava tudo, o lado esquerdo e o direito nítidos como as águas de um lago, desses dessas fotografias tiradas nas montanhas que parecem espelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito tempo? Tanto tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3646124625965056213?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3646124625965056213/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3646124625965056213&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3646124625965056213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3646124625965056213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/tanto-tempo.html' title='Tanto tempo'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3402792806660759730</id><published>2011-04-22T11:40:00.001+01:00</published><updated>2011-04-22T11:43:17.070+01:00</updated><title type='text'>Gestos brancos</title><content type='html'>Tenho de ir tomar banho, pensou.&lt;br /&gt;Deixar a água arrastar do corpo a perseverança.&lt;br /&gt;Ficar a contar os cabelos no ralo, ou a fingir que os conta. Na verdade pega-lhes como se segurasse um aracnídeo morto. Com a mesma resingação e repugnância.&lt;br /&gt;Depois do banho, o corpo ganha contornos. A alma situa-se sem excessos de volatilização.&lt;br /&gt;É altura de sacudir das costas os últimos resquícios oníricos da noite.&lt;br /&gt;Aqueles que lhe trazem teias de aranha emaranhadas aos pés.&lt;br /&gt;Depois dos gestos habituais, detém-se nos outros. Naqueles que nunca chegam a desenhar-se.&lt;br /&gt;Talvez o prenúncio de uma palavra. O amanhecer de um sorriso. O brilho de uma lâmina.&lt;br /&gt;O pensamento é intenso, e deixa-o voar, pássaro distraído, pela janela aberta.&lt;br /&gt;Os ombros ficam mais leves.&lt;br /&gt;A curva do pescoço arredonda-se no reflexo do espelho.&lt;br /&gt;É difícil deter-se no corpo, enquanto se olha. Enquanto os gestos das mãos trazem a toalha turca colada à pele.&lt;br /&gt;Olha então para lá do corpo. Para aquela linha em que o corpo deixa de lhe pertencer.&lt;br /&gt;Há sempre, no entanto, uma pontada nas costas, uma queimadura no joanete, uma agulha persistente no joelho, ou apenas aquele peso nos ombros, que o trazem de volta. Ao corpo.&lt;br /&gt;O corpo, afinal, mais volátil do que a alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3402792806660759730?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3402792806660759730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3402792806660759730&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3402792806660759730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3402792806660759730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/gestos.html' title='Gestos brancos'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6702189965786930594</id><published>2011-04-22T11:24:00.000+01:00</published><updated>2011-04-22T11:24:32.050+01:00</updated><title type='text'>Buraco negro</title><content type='html'>Quem pode garantir que as estrelas, e os planetas, e todos os astros que giram interminavelmente no firmamento, não passem de pura ilusão de ótica?&lt;br /&gt;Se tudo está a milhares de anos luz de distância, então tudo pode estar morto, há muito.&lt;br /&gt;E o mundo à nossa volta? Este pequeno planeta, gota de água? Quem garante que exista de facto?&lt;br /&gt;Eram questões como estas que a atormentavam, enquanto à sua volta as outras crianças brincavam aos pais e às mães, aos médicos, aos polícias e ladrões, aos cinco e aos sete e às aventuras.&lt;br /&gt;Enquanto ela caía, incessantemente, num buraco negro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6702189965786930594?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6702189965786930594/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6702189965786930594&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6702189965786930594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6702189965786930594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/buraco-negro.html' title='Buraco negro'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6523659560027563874</id><published>2011-04-20T13:18:00.000+01:00</published><updated>2011-04-20T13:18:34.420+01:00</updated><title type='text'>Voz</title><content type='html'>Foi quando perdeu a voz. Queria gritar, queria falar, soltar um pequeno sopro numa palavra; nenhum som lhe saía da boca. Até o ar que expirava, subitamente, parecia não existir, e ser apenas uma miragem, um sopro de um vento distante que nos abandonou os passos há muito. Assustou-se, engoliu, aclarou a garganta; um catarro de séculos estava ali, latente, inerte, a travar-lhe a respiração. Pensou que sufocava. Mas não. O ar que nos entra nos pulmões não nos pede licença, flui como um rio, ao contrário daquele que nos faz vibrar as cordas vocais. Esse está cheio de intenção, e quando ela falta, não há nada a fazer. Estava muda, portanto. Durante muito tempo não disse uma palavra.&lt;br /&gt;Foi lá, mergulhada naquele silêncio, que aprendeu a ouvir. Aprendeu a movimentar-se devagar, para que à sua volta os sons se tornassem mais claros, e não se imbuíssem da sua corporalidade. Aprendeu que aquilo que nos chega aos ouvidos, transformado em ondas sonoras, não é mais do que um suspiro ínfimo, que muitas vezes mal se ouve, e se perde, na frágil trajetória aérea. Aprendeu que só se pode ouvir realmente esse sussurro que acompanha as palavras quando não se tem boca para responder. E que as conversas, por serem como as cerejas, tantas vezes se deglutem e mastigam umas às outras, transformando o que se diz, e partilha, num bolo alimentar coletivo, que tem como função precisamente essa, a de alimentar. As palavras, os sorrisos, os olhares, as conversas. Conversar é saborear. Trocar palavras nas bocas. Quase tão promíscuo como beijar. E as minhas palavras têm um sabor diferente na tua boca, e nos teus ouvidos. E nunca saberás qual o sabor que têm na minha.&lt;br /&gt;Quando não temos boca, limitamo-nos a ouvir. Não podemos saborear nada. Estamos presos à fragilidade de um som. E então os sons desmembram-se, ganham asas e cores e finíssimo toques celestias. Galáxias inteiras podem espreitar-nos de um único som. Galáxias inabitáveis, porém. Só habitamos o que podemos abocanhar, aglutinar. Encorporar.&lt;br /&gt;Por momentos, pensou que ia ficar assim para sempre. Impronunciável. O corpo fechado, por fim. Intocável. Apenas os sons, e os gestos, e as imagens a chegarem-lhe de longe, e ela dentro daquela fortaleza tão frágil que era o seu corpo.&lt;br /&gt;A vida, porém, também corre como um rio. As águas estão em constante movimento. E o movimento é o que nos salva da morte. A sua boca acabou por voltar à vida. Tão só uma questão de tempo, de músculos a trabalhar, da força do ar a arranhar as cordas vocais.&lt;br /&gt;A voz, porém, nunca mais foi a mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6523659560027563874?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6523659560027563874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6523659560027563874&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6523659560027563874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6523659560027563874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/voz.html' title='Voz'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-1398618315278091928</id><published>2011-04-15T11:13:00.000+01:00</published><updated>2011-04-15T11:13:16.069+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estórias minhas'/><title type='text'>Crónicas de uma violência doméstica (25)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;i&gt;Sopa Juliana&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Os mesmos gestos automáticos. Lavar as cenouras, descascá-las, cortá-las aos bocados para dentro da panela. Depois a abóbora, a cebola, os dentes de alho, um ou dois para dar o gosto. A couve, o alho francês, as ervilhas, o tomate. Não esquecer de tirar as sementes ao tomate. O nabo. No fim as batatas, para não escurecerem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Naquele dia, enquanto cortava a cebola, fez um golpe no dedo. Pequenino, nem doeu. Só deu por isso por causa do pingo de sangue. Uma bolinha vermelha. Olhou o dedo com atenção. A bolinha era perfeita. E estava a crescer. Levou o dedo à boca. Quando o tirou, o sangue desapareceu por instantes, para logo voltar a desenhar-se aquela pintinha tão redondinha. Pegou na faca, chegou o bico afiado ao dedo, premiu um pouco, apenas o suficiente para sentir uma dorzinha aguda. Agora tinha duas bolinhas de sangue, perfeitinhas, a engordarem-lhe na cabeça do dedo. Fez outra. Três.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Daí a pouco tinha o dedo cheio de pintinhas vermelhas, que aos poucos se transformavam em pequeninos rios, colidindo uns com os outros, misturando-se e enfeitando-lhe a pele de vermelho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Quando a filha chegou a casa, nesse dia, encontrou a mãe na cozinha, sentada no chão, a faca na mão, fazendo pequenos golpes no braço. A mão estava completamente vermelha, e o braço salpicado de novas e casa vez mais gordas bolinhas vermelhas. Beatriz assustou-se, deu um grito, chamou pela mãe. Esta olhou-a e sorriu. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Olá filha, estava aqui entretida...&lt;/i&gt; Não acabou a frase. Olhou a mão, o braço, o sangue, como se não lhe pertencessem. Depois olhou a filha, abriu e fechou a boca sem sair palavra. Levantou-se como se o corpo lhe pesasse séculos de cansaço, pousou a faca no lava louça, abriu a torneira e pôs a mão por baixo do jacto da água. Esta tingiu-se de vermelho vivo. O esmalte do lava louça escureceu. Fez um movimento com o braço, para que a água lhe chegasse quase até ao cotovelo. O sangue desaguava no ralo, um rio que perdesse o fio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;- Estás bem, mãe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;- Estou, filha. Não te preocupes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Fechou a torneira, e novamente brotaram aquelas bolinhas, tantas, quantas seriam? Dezenas, centenas? A mão e o braço transformados num passador por onde o sangue saía em fio, cada buraquinho uma pequenina nascente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;- Mãe...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;- Diz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;- Vou chamar uma ambulância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Vitória olhou para a filha. Nos olhos dela viu o mesmo brilho gélido a que já se acostumara. Viu também desprezo e arrogância. E viu outra coisa que julgou ser preocupação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;- Não te preocupes, isto já estanca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;- Vou chamar a ambulância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;O tom de determinação na voz. Viu-a virar-lhe as costas e dirigir-se ao bengaleiro, no corredor, procurar a sua mala e de lá tirar o telemóvel. Ouviu-a fazer a marcação e pedir uma ambulância. É para a minha mãe, está cheia de cortes no braço. Não, não foi um acidente. Não sei. É melhor, sim. Ouviu-a dar o endereço. Depois desligou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;- A ambulância já vem. Senta-te um bocado, é melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Obedeceu. Não estava habituada a que a filha se preocupasse com ela. Na verdade, nem sabia se era preocupação o que movia a filha. Mas gostava de imaginar que era.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Talvez pudesse também imaginar o resto. Aquilo que gostaria de ver nos olhos da filha, do marido, e das outras pessoas. Aquilo que gostaria que fosse a sua vida. Talvez, se imaginasse, as coisas se tornassem reais. Talvez pudesse estancar o sangue que lhe escorre das feridas apenas com a força do pensamento, e continuar em frente, como até aí, a fazer todos os dias os mesmos gestos. Talvez a máquina assim não descarrilasse. Talvez apenas adormecesse de cansaço, e quando acordasse...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Quano acordasse logo se veria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-1398618315278091928?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/1398618315278091928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=1398618315278091928&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1398618315278091928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/1398618315278091928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/cronicas-de-uma-violencia-domestica-25.html' title='Crónicas de uma violência doméstica (25)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-8156801414085872177</id><published>2011-04-15T11:07:00.000+01:00</published><updated>2011-04-15T11:07:04.708+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estórias minhas'/><title type='text'>Crónicas de uma violência doméstica (24)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;i&gt;Contas à vida&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: EN-GB;"&gt;Há muito tempo já que não ama o marido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: EN-GB;"&gt;Há muito que não crê no amor.&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: EN-GB;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: EN-GB;"&gt;Há muito que não fode.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: EN-GB;"&gt;O marido sim; ela apenas abre as pernas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: EN-GB;"&gt;Nunca teve um orgasmo com ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: EN-GB;"&gt;As únicas coisas que a fazem vir-se são os seus próprios dedos, cenouras e pepinos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: EN-GB;"&gt;Sempre muito bem lavados, antes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-8156801414085872177?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/8156801414085872177/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=8156801414085872177&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8156801414085872177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/8156801414085872177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/cronicas-de-uma-violencia-domestica-24.html' title='Crónicas de uma violência doméstica (24)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-2533991093527868988</id><published>2011-04-15T11:05:00.000+01:00</published><updated>2011-04-15T11:05:37.997+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estórias minhas'/><title type='text'>Crónicas de uma violência doméstica (23)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;i&gt;Vida de merda&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;As mulheres detestam que outra mulher lhes diga que deviam emagrecer. Ainda que seja só emagrecer um bocadinho. Ainda que a outra mulher vista bata branca e lhes espreite para dentro do corpo todos os anos. E que, além de espreitar, introduza objectos metálicos e dedos na vagina, enquanto, com pinças e instrumentos médicos próprios, lhes remói as entranhas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Um bocadinho de tecido do colo do útero para analisar. O teste de rotina, com um nome estranho, de um papa qualquer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Está tudo bem. Depois, vem o exame das mamas. Não há caroços. Está tudo bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Aquelas palavras que são como a água tranquila de um lago, no fim da tarde, quando os raios de sol já se espraiam, ao longe. Está tudo bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Os homens são tão idiotas. Fazem graçolas acerca das idas ao ginecologista e sobre o suposto embaraço que será para uma mulher ser tocada e penetrada na vagina por objectos de suposta qualidade fálica. Isto para não falar dos dedos. Coitados. Como se alguma mulher se excitasse durante um exame ginecológico. Realmente, os homens estão completamente a leste do que verdadeiramente excita uma mulher. E, à falta de imaginarem, reduzem tudo à estimulação física.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;A médica é como uma mãe para ela. Ou uma irmã mais velha. Mas aquela frase&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Devia emagrecer um bocadinho, isso ajudava a baixar a tensão.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;estragou tudo. Odiou-a. Apeteceu-lhe gritar, eu sei muito bem porque ando com a tensão aos solavancos. Mas, como sempre, ficou calada, a ouvir o eco do seu grito num sítio recôndito, algures, dentro da cabeça, e tão longe, como se dentro de si se abrisse a mais vasta planície do mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;E o grito ressoava e transformava-se nas palavras que nunca ousaria dizer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Aquelas que conhece de cor e ao som das quais adormece todas as noites.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Aquelas que têm a cor dos seus pesadelos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Aquelas que, apesar de tudo, são a companhia dos seus dias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Dos dias longos da sua vida de merda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-2533991093527868988?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/2533991093527868988/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=2533991093527868988&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2533991093527868988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/2533991093527868988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/cronicas-de-uma-violencia-domestica-23.html' title='Crónicas de uma violência doméstica (23)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-4717210440266462891</id><published>2011-04-14T19:16:00.003+01:00</published><updated>2011-04-15T11:02:24.186+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estórias minhas'/><title type='text'>Crónicas de uma violência doméstica (22)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: Georgia, serif; font-size: 13pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;i&gt;Escondida&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: Georgia, serif; font-size: 13pt; line-height: 115%;"&gt;Duante dois dias, não quis acreditar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: Georgia, serif; font-size: 13pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Chorou pelos cantos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Culpou-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Que mal fiz eu a Deus? Que castigo é este?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Teve vontade de se atirar da janela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Ao terceiro dia, não aguentou mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Foi vê-lo à escola.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Ele andava numa escola só de artes, era longe, ela teve de apanhar dois autocarros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Quando desceu do autocarro, sentiu tonturas. Entrou num café, sentou-se, pediu uma água.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;O café estava cheio de estudantes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;A maioria vestia-se de maneira estranha, os rapazes quase todos de cabelos compridos, alguns apanhados num rabo de cavalo, e brincos nas orelhas. As raparigas de saias compridas, tranças nos cabelos, calças por baixo de saias curtas, túnicas largas, camisinhas apertadas, soutiens à vista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Nisto entrou um grupo ruidoso, que ocupou uma das mesas ao fundo. Rapazes e raparigas rindo muito, olhos brilhantes, cigarros na mão, cabelos despenteados. E o filho no meio deles, tão animado que nem a viu. Ela, porém, viu-o. E uma onda de calor subiu-lhe à cara. Não o viu triste, nem derrotado. Antes alegre, falador, animado. Naquele grupo de rapazes e raparigas ele parecia outro rapaz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Vitória bebeu a água e levantou-se, pagou ao balcão e saiu discretamente. Tinha a certeza de que ele não a vira. Melhor assim. Sentia-se muito melhor. Estava até, se se podia dizer, feliz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Feliz por ele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Lembrou-se dos dias em que ele chegava a casa a chorar, e comparou-o com o rapaz bonito em que se transformara.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Não sentiu vergonha, nem culpa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Contudo, não quis envergonhá-lo, por isso foi-se embora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;E nunca mais o viu, até hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Escrevem-se regularmente, às escondidas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Ele está feliz, ela vê isso pelas cartas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;E isso é o que importa, pensa ela com força. Só isso importa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;O resto, não é assim tão importante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Mas a angústia ainda lhe rasga o peito, cada vez que deposita mais uma carta no correio, com uma nota de 20 euros dobrada, que consegue roubar à despesa do supermercado, no meio da folha de papel, que é para não se ver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;E sempre que chega a dele, chora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Sempre às escondidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-4717210440266462891?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/4717210440266462891/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=4717210440266462891&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4717210440266462891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/4717210440266462891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/cronicas-de-uma-violencia-domestica-22.html' title='Crónicas de uma violência doméstica (22)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-6073299756888397591</id><published>2011-04-14T19:07:00.000+01:00</published><updated>2011-04-14T19:07:31.637+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estórias minhas'/><title type='text'>Crónicas de uma violência doméstica (21)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;i&gt;A carta&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Alguns dias depois, recebeu uma carta do filho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Que estava bem, que ela não se preocupasse. Estava em casa do Paulo. Tinha arranjado um part-time na biblioteca da escola, e assim ganhava algum dinheiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Depois, a bomba.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Ela ficou a olhar para as palavras como se tivesse desaprendido a ler.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Não queria acreditar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;"Mãe, o Paulo e eu somos mais que amigos. Somos namorados. Por favor compreende. Eu sempre fui assim. Não penses que é fácil para mim. Sabes como sofri. Não me condenes. O pai viu-nos no outro dia, de mão dada, e percebeu tudo. Geralmente não andamos assim na rua, mas naquele dia tínhamos decidido que não íamos esconder mais isto. E estamos a sentir-nos melhor assim. Por favor, compreende. Eu sei que tu podes compreender.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Um beijo do teu filho&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Tó"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Então era isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Fora essa a razão que levara o António a expulsá-lo de casa daquela maneira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-6073299756888397591?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/6073299756888397591/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=6073299756888397591&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6073299756888397591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/6073299756888397591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/cronicas-de-uma-violencia-domestica-21.html' title='Crónicas de uma violência doméstica (21)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-5223743119636612872</id><published>2011-04-14T19:01:00.002+01:00</published><updated>2011-04-14T19:01:53.800+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estórias minhas'/><title type='text'>Crónicas de uma violência doméstica (20)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;i&gt;O filho&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;(Do filho, recebe um cartão, geralmente com o desenho de uma rosa ou outra flor qualquer, que chega um dia ou dois dias atrasado, à caixa do correio.)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Até há dois anos atrás, havia uma terceira data de aniversário que era comemorada: a do Tó.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;António José, como o pai.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;O Tó foi uma criança franzina. Desde bebé. Nasceu prematuro, apenas com um quilo e novecentas. Esteve na incubadora quase dois meses.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Vitória lembra-se desses tempos como se tivessem acontecido ontem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;O seu primeiro filho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Lembra-se da angústia das águas rebentadas, um caldo morno a inundar-lhe as pernas, do grito lancinante e da velocidade louca da ambulância, de tudo acontecer tão de repente que ela nem teve tempo para pensar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Depois o bebé, tão minúsculo, metido dentro daquela máquina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;O medo. Tanto medo que teve. De perdê-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Mas ele sobreviveu. Era franzino, mas era rijo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Depressa se tornou numa criança dócil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Chorava pouco. Entretinha-se bem sozinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Não dava trabalho nenhum.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Quando entrou para a escola, continuou a preferir brincar sozinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Não jogava à bola, não andava à luta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Os outros meninos chamavam-lhe mariquinhas e outros nomes menos próprios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Alguns apelidavam-no de menina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Foi sempre assim, até à escola secundária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;O pai abanava a cabeça e mergulhava na televisão, cada vez que sabia que o filho tinha levado mais uma tareia na escola, do grupo de matulões habitual.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;A ela, o coração partia-se-lhe, cada vez que via o filho assim humilhado. Chorava, abraçava-o, consolava-o no seu colo, como lhe lamberia as feridas, se fosse um animal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;O marido ficava fulo e às vezes explodia com tanta lamechice:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;- É por causa destas coisas que ele está assim!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Falava como se o filho sofresse de alguma doença.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Um dia, ao chegar a casa, António vinha enlouquecido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Entrou no quarto do filho, onde este fazia os trabalhos de casa, e, aos gritos, arrancou as roupas dele dos cabides do guarda-fatos, atirando-as para cima da cama, e mandou-o sair de casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;O rapaz obedeceu, sem levantar os olhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Foi buscar um saco, meteu todas as roupas que estavam em cima da cama lá dentro, foi à casa-de-banho buscar a escova de dentes, empilhou os livros e os materiais de desenho, guardou tudo na pasta grande onde costumava carregar os esboços maiores (estava num curso de artes, outro motivo de discórdia entre pai e filho) e saiu, sem olhar o pai nem a irmã. Apenas deu um abraço à mãe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Vitória tremia dos pés à cabeça, sem perceber o que se passava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Quis perguntar, refilar, esbracejar, gritar, mas não conseguiu. Perdeu a voz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Ele ainda lhe sussurrou ao ouvido:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;- Não se preocupe, mãe. Eu tenho onde ficar, em casa do Paulo. Não se preocupe que eu dou notícias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;O Paulo era o melhor amigo dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Quando a porta se fechou, o marido fechou-se no quarto e a filha fez o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Nessa noite, Vitória ficou sozinha, na escuridão da sala, muito tempo, chorando baixinho, sem se importar com o jantar, nem com a loiça para lavar, nem com a roupa para passar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Foi a única vez em que a máquina infernal parou. Como se tivesse sofrido uma súbita avaria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Acabou por adormecer no sofá, exausta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-5223743119636612872?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/5223743119636612872/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=5223743119636612872&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5223743119636612872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/5223743119636612872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/cronicas-de-uma-violencia-domestica-20.html' title='Crónicas de uma violência doméstica (20)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13177813.post-3604973229554684190</id><published>2011-04-14T18:55:00.000+01:00</published><updated>2011-04-14T18:55:26.883+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estórias minhas'/><title type='text'>Crónicas de uma violência doméstica (19)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;i&gt;Pulsar&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;O último a chegar, é o marido.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Todos os dias, às sete e meia, mais minuto, menos minuto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Nessa altura, o jantar já está na mesa. A mesa também já está posta. Não a mesa da sala das visitas, onde só se janta, como o nome indica, quando há visitas, ou em ocasiões festivas, como o Natal ou os dias de aniversário. Três vezes por ano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;O Natal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Os anos de Beatriz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Os anos de António, seu marido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Três.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Não, no dia dos anos dela jantam na cozinha, como em todas as outras noites do ano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Esse dia é absolutamente igual aos outros, excepto nas prendas que recebe das mãos do marido e da filha, quando chegam a casa, e que lhe enchem o coração de uma mistura de ansiedade e resignação, pontuada por uma excitação quase infantil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Todos os anos, a filha oferece-lhe um lenço de assoar com a sua inicial bordada. Todos os anos, o lenço é diferente do anterior: na cor, na forma, no tamanho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Todos os anos, o marido oferece-lhe um frasco de água-de-colónia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Sempre a mesma marca, sempre o mesmo aroma insignificante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Todos os dias, depois do duche, deixa cair umas gotas daquela água transparente nas pontas trémulas dos dedos, que depois se passeiam, em carícias leves, pelo pescoço.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Todos os dias, obedientemente, ela perfuma-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;E é nesse momento, nesse preciso instante, arrancado à rotina pardacenta que a engole, que ela se sente, inexplicavelmente, irremediavelmente presa, como se estivesse morta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;Um coração a pulsar de angústia num peito moribundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13177813-3604973229554684190?l=papuinlondon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papuinlondon.blogspot.com/feeds/3604973229554684190/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13177813&amp;postID=3604973229554684190&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3604973229554684190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13177813/posts/default/3604973229554684190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papuinlondon.blogspot.com/2011/04/cronicas-de-uma-violencia-domestica-19.html' title='Crónicas de uma violência doméstica (19)'/><author><name>papu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02855106673899316744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_xS2cbjGRh00/Sv6bku5mFoI/AAAAAAAABj4/C9qe20Xl8gI/S220/IMG_0050.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
